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30 de outubro de 2020
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Eleições 2022: acordo DEM-MDB é peça central da montagem da candidatura de João Doria

Alguns caciques ainda especulam a viabilidade de o apresentador Luciano Huck entrar no jogo, mas seu encolhimento político ante a pandemia da covid-19 parece ter cimentado as dúvidas

Eleições 2022: acordo DEM-MDB é peça central da montagem da candidatura de João Doria
Governador do Estado de São Paulo, João Doria. Foto Govesp

O rompimento formal do DEM e do MDB com o “Centrão” na Câmara dos Deputados, consumado na segunda (27) vai além da disputa pela presidência da Casa em fevereiro de 2021. A montagem de uma candidatura de centro para a Presidência em 2022, hoje focada na figura do governador João Doria (PSDB-SP), é o pano de fundo para a movimentação disparada pelo atual chefe da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Não é uma costura vertical, dado que não há um ator com peso político suficiente para impor sua vontade, e vem ocorrendo desde o ano passado. Mas hoje Doria é o principal beneficiário final dos acordos em curso.

O tucano sonha com uma união de forças de centro que marque diferença com a direita bolsonarista e a esquerda petista.

Leia mais: Centrão discute reforma desidratada que não reeleja Bolsonaro, diz Paulinho da Força

Alguns caciques ainda especulam a viabilidade de o apresentador Luciano Huck entrar no jogo, mas seu encolhimento político ante a pandemia da Covid-19 parece ter cimentado as dúvidas que existem sobre seu apetite eleitoral.

Por outro lado, esses políticos se questionam acerca da imagem excessivamente paulista do tucano, uma maldição antiga nas disputas presidenciais. Também é incerto o impacto das denúncias contra líderes da velha guarda do PSDB sobre a sigla em si, mas por ora Doria fica onde está.

O tucano, contudo, ganhou notoriedade nacional como antípoda de Bolsonaro na condução da crise sanitária. O eventual sucesso da vacina chinesa que ele trouxe para ser feita em conjunto com o Instituto Butantan lhe dará um cacife político extra ainda a ser aferido, ainda que publicamente rejeite a ideia.

Os outros polos da negociação têm interesses diversos.

Depois que ficou evidente que não seria apoiado em sua pretensão de buscar um terceiro mandato consecutivo, Maia passou a trabalhar contra o favorito do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para sua cadeira, Arthur Lira (Progressistas-AL).

Alguns nomes surgiram como potenciais candidatos, o principal deles o do presidente do MDB, Baleia Rossi (SP). Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB) também são citados, porém, eles não se encaixam tão bem no plano geral para 2022 pela proximidade excessiva do governo federal.

Já Rossi encarna a promessa do MDB de se manter equidistante dos polos. Ele tem bom trânsito até com a esquerda da Casa, assim como Maia. Com 130 votos, essa oposição não faz nada sozinha, mas tem peso para compor maiorias.

Contra seu nome há uma eventual resistência ao MDB à frente de duas Casas, dado que o partido não abre mão de comandar o Senado. Mas isso não impediu a dobradinha do DEM na mesma posição, de Maia e o senador Davi Alcolumbre (AP).

Além disso, Maia trabalha em boa sintonia com Rossi, o que é visto como uma garantia de continuidade. O presidente da Câmara, por sua vez, tem o futuro especulado de diversas formas -entre as mais citadas, como eventual vice numa chapa com Doria, apesar de seu perfil legislativo.

O bloco formal que une o centrão (Progressistas, Republicanos, Solidariedade, PROS, PTB, PL e Avante) ao PSD de Gilberto Kassab agora soma ainda respeitáveis 158 votos, 63 a menos com a debandada promovida por Maia e Rossi.

Isso dificulta ainda mais a vida de Bolsonaro em votações, como a derrota imposta por Maia a Lira na tentativa do centrão de desidratar o Fundeb a pedido do governo na semana passada mostrou.

Não chega a criar um risco imediato do ponto de vista de abertura de processos de impeachment, mas a situação do Planalto ficou menos confortável. Seja como for, o candidato de Maia para sua sucessão quase certamente terá o apoio de Doria e do PSDB.

O acordo se espraia para outras áreas. Há um mês, Maia e Rossi estiveram com o prefeito paulistano, Bruno Covas (PSDB).

Das discussões saiu a ressurreição de um nome apoiado pelo MDB, ou talvez do próprio partido, para ocupar a desejada posição de vice na chapa do tucano. Hoje, o prefeito é favorito à reeleição nas sondagens internas de partidos aliados e adversários do tucano.

Assim, emergiu novamente a figura do apresentador José Luiz Datena, que submergiu após desistir oficialmente de disputar a prefeitura, sugerir apoio a Covas e filiou-se ao MDB. Aliados dele o consideram pronto para entrar na campanha.

Como o DEM ocupa a vice de Doria hoje, com Rodrigo Garcia, por essa lógica a tríade dos partidos ficaria consolidada no principal estado do país, visando 2022.

O fator oculto, até por uma questão de bons modos políticos, é a saúde de Covas, que combate um câncer. Se ele precisar se ausentar da prefeitura, a figura do vice tende a se consolidar como central na maior cidade do país. O tucano era vice de Doria, assim como Kassab era de José Serra (PSDB), e foi reeleito.

O PSD, por sinal, mantém-se estrategicamente fechado em copas. Ganhou espaço na Esplanada dos Ministérios, e hoje o ministro Fábio Faria (Comunicações) é um dos principais articuladores políticos do governo.

Kassab é visto como um apoiador da candidatura de Lira, mas não se coloca publicamente desta forma.

Mas sua proximidade histórica com o PSDB sugere que os 35 votos que agrega ao bloco liderado pelo centrão podem vir a engrossar fileiras não ligadas ao Planalto à medida que a eleição presidencial se aproxima.

O partido ambiciona sair como uma grande potência municipal no fim do ano, a partir de uma posição forte em Minas Gerais, onde a reeleição de Alexandre Kalil é dada como provável.

O próprio Kassab é secretário licenciado do governo Doria, devido à acusação que responde de caixa dois, e muitos veem o PSD junto com um bloco de centro em 2022.

 

(*) Com informações do Folhapress

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