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MANAUS – Ednailson Rozenha é empresário, ex-vereador de Manaus e atual pré-candidato ao cargo de deputado estadual pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB). Rozenha também tem histórico no ramo do esporte, foi presidente do Fast Clube e recentemente foi eleito como o novo presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF).
Em conversa exclusiva com o Portal AM1, o empresário afirmou que a vocação e a paixão pela política ‘falaram mais alto’ e foram esses dois fatores que fizeram ele decidir voltar ao cenário político após dez anos.
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O pré-candidato também comentou a eleição que o tornou o novo presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF), as polêmicas em torno da vitória e os projetos que tem para nova fase da Federação, indicando melhorias não apenas para o futebol profissional, mas amador, indígena, feminino e a implantação de um Campeonato comandado pela entidade esportiva.
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Rozenha falou sobre o cenário político no Estado, no Brasil, além de suas propostas e bandeiras se conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

AM1: O senhor é pré-candidato ao cargo de deputado estadual pelo PMB. Conte para a gente sobre a sua decisão em voltar ao cenário político:
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Rozenha: Difícil você sair da sua zona de conforto como eu estava, com dez anos sem disputar eleição, cuidando apenas do meu negócio, da minha vida. Mas política é vocação, é chamado e o coração e a vocação falaram mais alto.
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Me achei muito identificado com o projeto do Partido da Mulher Brasileira, por ter ideias voltadas para mulheres, entender que a mulher precisa ter mais oportunidades e a gente sempre se viu com potencial. Então, após uma decisão do nosso grupo, a gente resolveu acatar e voltar para o cenário político, reestruturando e montando um partido pequeno, mas com grande capacidade de fazer dois deputados, que é o que a gente vai fazer no pleito deste ano pelo Partido da Mulher Brasileira.
A gente vai lutar para ter uma das vagas, não é certeza, mas a gente gosta de lutar boas lutas. O fato é que nós faremos dois deputados e o partido vai estar muito bem representando na Assembleia (Legislativa do Amazonas) a partir do ano que vem.

AM1: O lançamento da sua pré-candidatura contou com a presença do senador Omar Aziz (PSD), que lhe fez elogios. Como é sua relação com o senador, é importante tal apoio? Fale um pouco sobre isso:
Rozenha: Essa relação com o Omar existe há quase vinte anos e, por incrível que pareça, a minha relação com o senador Omar é muito mais pautada em cima da nossa paixão pelo futebol amazonense. O Omar é presidente de honra do Nacional e eu, presidente de honra do Fast Clube.
Omar foi vice-governador e depois governador e ajudou muito o futebol amazonense. Então, nós temos uma relação não só política, mas construída por essa maçonaria que é a paixão pelo futebol amazonense.
Ele é uma pessoa importante para o Amazonas, um senador importante, um cara que tem espírito público e eu não teria como, em qualquer circunstância, não apoiar a candidatura dele, porque é uma pessoa necessária para o Amazonas. Ele é necessário para as causas que eu acredito, então, eu fico muito tranquilo em apoiar o Omar. Apoiaria ele em qualquer circunstância mesmo sem ele me chamar, teria o meu apoio. O Omar é meu amigo, Omar é um cara que a gente pode confiar, porque é um cara de palavra.

AM1: Fale sobre o seu amor pelo esporte; quando iniciou essa paixão e qual é a importância de incentivar a prática de esportes entre as crianças, jovens e adolescentes?
Rozenha: Cheguei no Educandos em 1998, e abri o meu pequeno negócio na Leopoldo Peres, onde nasceu a Sapatinho de Luxo. Em 1998, eu conheci os trabalhos sociais de figuras icônicas da Zona Sul, como o Luizinho Neves, ex-vereador Nilberto Castro, que até hoje tem projetos naquela localidade e eu comecei a me envolver com esporte comunitário e ajudar. Porque já tinha uma condição financeira razoável, já comecei a ajudar e gostei porque eu percebi que é muito relevante tirar crianças do rumo das drogas, por meio do esporte.
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Depois, eu conheci o vereador Ivo Neto, que na época não era vereador, mas sempre teve um projeto voltado para jiu-jitsu. E alguns anos depois eu enveredei para o futebol profissional, fui ajudar o São Raimundo, através de uma marca de material esportivo. Ajudei fazer aquele jogo icônico 2×0, entre o São Raimundo e São Paulo.
Depois fui chamado para ser presidente do Fast Club, fiquei nove anos no Fast Clube, uma administração voltada para resultados, fomos a várias finais e assim me inseri no contexto. Sempre sendo um crítico ferrenho da administração da Federação (Amazonense de Futebol), que, naquela época, já perdurava há mais de vinte anos e sempre me posicionando contra, votando contra, tentando fazer a mudança, porque sem Federação coerente e presente a gente não consegue chegar a lugar nenhum e foi assim que entrei no mundo do esporte.

AM1: Falando em esporte, futebol especificamente. No último dia 4, o senhor foi eleito o novo presidente da FAF. No mesmo dia foi emitida uma nota pela entidade repudiando a eleição, afirmando não ter conhecimento da legitimidade da decisão. Comente:
Rozenha: Eles podem dar a nota que eles quiserem, eles podem emitir uma nota dizendo que eles são o ‘Papa’. Eles não são autoridade para passar por cima de uma Assembleia soberana, quem disse no outro dia que a nossa Assembleia era legal foi a própria Justiça.
Na verdade, ilegal é a participação do doutor Pedro Augusto como presidente, sem o afastamento legítimo do presidente Dissica (Calderaro). Na verdade, ilegal são eles, que estão aí há quatro anos sem Conselho Fiscal. Eles que são ilegais, com prestações de contas desaprovadas.

Eles não participaram do pleito, porque não têm votos. Para se inscrever é preciso ter dezessete votos e eles não têm nenhum. Então, o direito deles é de espernear. Estou pouco me lixando se eles acham legal ou ilegal. O que eles acham não me interessa. O que me interessa é que o colegiado da Federação do Futebol Amazonense acha, e o colegiado entende que o Rozenha é o presidente e acabou.
Fomos eleito com 100% das ligas e 70% dos clubes. Então, é ridículo. Está feio já esse apego àquilo ali. Eles têm que buscar o caminho deles. Eles tiveram a chance deles e nada fizeram. Então sai da frente e deixa quem quer fazer trabalhar. Parem de espernear porque isso, é feio.
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AM1: Queria que o senhor falasse um pouco sobre seus projetos à frente da FAF. Seus planos para o futuro da entidade esportiva?
Rozenha: A gente vai assumir e estruturar a Federação, porque ela não tem departamento algum. Você, como jornalista, por exemplo, se quiser falar com a Federação, lá não tem um departamento de jornalismo, não tem comunicação, não tem marketing, não tem departamento de projetos, não tem nada.
Aquilo ali é uma ‘casa da mãe Joana’, feita para uso de uma pessoa há trinta e dois anos, que diminuiu o futebol, diminuiu a importância da Federação, uma vez que ela é relevante, porque tem um assento na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), mas não usa a sua própria força, porque não tem credibilidade.
Então, nós vamos estruturar administrativamente a Federação, e depois trabalhar para construir e trazer algo que é importante para qualquer coisa, que é a credibilidade.
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Queremos ajudar o futebol amador no interior, que está largado, está na mendicância, e apoiar o futebol profissional, o futebol indígena, que a gente acredita muito na inserção do indígena no esporte, futebol feminino. Além de criar em Manaus um campeonato amador, que não existe em função do ‘Peladão’, que é um campeonato do filho do atual presidente. Então, ele não fazia campeonato da Federação para não prejudicar o filho, ou seja, o interesse familiar se sobrepondo ao interesse do coletivo.

Em médio prazo, a Federação vai respirar um novo momento, o futebol amazonense vai respirar um novo momento, porque a gente vai montar um ‘timaço’ de pessoas que realmente conhecem. A gente é da iniciativa privada e posso garantir que gerir uma Federação dessa não tem dificuldade nenhuma, basta você querer para fazer.
AM1: Agora queria que falasse um pouco sobre como o senhor vê o cenário político aqui no Amazonas e no Brasil:
Rozenha: Nós temos aí um momento que o eleitor tem a chance de corrigir possíveis erros cometidos em 2018. Acho que o Estado do Amazonas é muito grande para ser entregue a alguém que não tem experiência administrativa. Nós temos aí nomes que vão se postular este ano, com muito mais bagagem, com mais capacidade de gestão.
Infelizmente, nós vivemos o pior momento da história do Amazonas, em que a pandemia exigiu maturidade e experiência e nós não tínhamos isso. Nós temos um Estado com muita arrecadação, mas com pouca gestão. Se gasta mal no Amazonas. Então, eu acredito muito que o povo do Amazonas irá corrigir alguns erros cometidos em 2018.
É natural na democracia a gente dar chance para quem pede, mas o que a gente não pode é continuar no mesmo erro. Acho que vai haver sim uma mudança profunda, tanto na Assembleia, quanto no Executivo (Estadual).

Nacionalmente, infelizmente, o Brasil está dividido entre dois polos e eu temo por um momento de praça de guerra. Eu temo por um momento em que a nação deveria se unir, mas, infelizmente, as duas partes se digladiam e isso é ruim, acho que os opostos, os polos são ruins.
Espero, ainda, uma terceira via, mais inclusiva, mais coagulante, que some mais, que una a nação. Mas, por enquanto, essa terceira via não se constrói. Infelizmente o Brasil vai virar uma praça de guerra com lulistas e bolsonaristas de um lado e de outro e isso é ruim, porque qualquer um que ganhe é ruim para a nação.
AM1: Se alcançar êxito na corrida eleitoral, quais serão suas prioridades, principais bandeiras?
Rozenha: A gente sabe a importância de um deputado. São vinte e quatro deputados no Amazonas que vão ajudar a definir um orçamento acima de 20 bilhões.
Sabemos que o Amazonas tem desafios muito grandes, sobretudo no empreendedorismo feminino, no turismo. Temos um potencial de turismo natural inexplorado, a gente sabe que o Amazonas precisa crescer muito nos apoios culturais. A gente viu o Festival Folclórico de Parintins, um megassucesso, mas é apoiado de forma pequena ainda, vamos lutar para que a cultura novamente possa brilhar.
Vamos lutar muito para que o Governo (do Estado) tenha uma saúde de verdade, invista de forma objetiva. Não adianta fazer hospital se não puder manter. Não adianta fazer creche se não puder manter. Acho que o Executivo gasta mal porque tem muito dinheiro.
Então, um deputado fiscalizador desses recursos, tem que propor que se gaste melhor. O Amazonas tem tudo para ser um Estado melhor. Mas a gente precisa aprender, principalmente, a classe legislativa, que é obrigação do deputado vasculhar os contratos públicos. É obrigação do deputado fazer ‘pente fino’ no Diário Oficial para ver o que tem sobrepreço, para ver o que está errado para que a gente possa gastar melhor.
Acho que gestão se faz com austeridade e um mandato bom de deputado estadual passa por isso. Acho que o deputado é, acima de tudo, um fiscalizador dos atos do Executivo e a gente precisa ter essa postura. Lógico, que parceria pode existir; se o projeto é bom, é bom, mas subserviência não, são casas diferentes, Executivo de Legislativo.
Infelizmente, o que gente enxerga, hoje, é que dos 24 deputados, 21 são subalternos do governador, isso não é legal, isso perde a capacidade de dizer ”não”, a capacidade de contestação. Um deputado livre, sem amarras, pode contestar de forma tranquila o que é melhor para a sociedade.





