Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Política

Reação do Brasil à ação dos EUA na Venezuela não gera animosidade entre os países, diz cientista social

Reação essa que Jonathan Lopes define como "protocolar", algo que já seria esperado pelo governo norte-americano.

reacao-do-brasil-a-acao-dos-eu

(Fotos: Divulgação/Instagram e Depositphotos)

Manaus (AM) – Após ataques militares feitos à Venezuela, orquestrados pelos Estados Unidos na capital do país, Caracas, que resultaram na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças de elite norte-americanas, ambos foram levados para Nova York. Conforme o professor universitário e cientista social Jonathan Lopes, secretário-geral do Núcleo de Relações Internacionais do Amazonas da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o episódio não levaria, num primeiro momento, a uma animosidade entre Brasil e Estados Unidos.

O ataque à Venezuela marca uma nova página no histórico de intervenções norte-americanas na América Latina, como em 1989, quando os Estados Unidos atacaram o Panamá e sequestraram o presidente na época, Manuel Noriega, sob acusações de narcotráfico.

As acusações contra Nicolás Maduro são semelhantes e, assim como Noriega, ele foi capturado pelos Estados Unidos. Isso porque o país, liderado por Donald Trump, acusa Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles.

Em entrevista ao Portal AM1, o professor universitário e cientista social Jonathan Lopes explica que a diplomacia brasileira, constitucionalmente, leva o Brasil a defender a soberania e a independência dos Estados. No caso, a Venezuela deve definir seu “próprio destino” sem intervenção externa.

“Em relação às relações Brasil–Estados Unidos, a diplomacia brasileira é sempre muito clara nesses aspectos. Inclusive, constitucionalmente, leva a posição de que o Brasil deve defender sempre a soberania e a independência dos Estados. Então, a posição do Brasil vai ser nesse sentido, né, de defender que a Venezuela tem direito a definir o seu próprio destino sem a intervenção externa”, explica Jonathan.

Reação essa que Jonathan Lopes define como “protocolar”, algo que já seria esperado pelo governo norte-americano. A partir dessa análise, ele afirma que, num primeiro momento, o episódio não levaria a uma animosidade entre os Estados Unidos, liderados por Trump, e o Brasil, governado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Isso não levaria, num primeiro momento, a uma animosidade entre Brasil e Estados Unidos, porque seria protocolar. Então, é uma resposta já esperada pelo governo norte-americano, de que o Brasil defenda a soberania e a independência da Venezuela. Esse é um ponto. Portanto, de imediato, eu não vejo, assim, uma complicação além de retórica, talvez, mas acho difícil”, esclarece Jonathan.

Desenrolar

Nessa segunda-feira (5), a Venezuela, por meio do embaixador venezuelano Samuel Moncada, pediu formalmente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) que condene de forma “clara e inequívoca” a ação militar dos Estados Unidos em Caracas no último sábado (3), que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Na ocasião, os Estados Unidos negaram estar em guerra ou ocupar a Venezuela ao justificar a operação que resultou no sequestro do presidente venezuelano. O embaixador Michael Waltz disse que a ação em território venezuelano teve caráter jurídico, e não militar.

LEIA MAIS: