(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Com a proximidade do debate eleitoral de 2026, o papel das redes sociais na formação da opinião pública volta ao centro das discussões políticas no Brasil. Pesquisas indicam que plataformas digitais influenciam diretamente decisões de voto, enquanto especialistas alertam para os riscos da ausência de regulamentação e para a atuação das big techs no processo democrático.
Conforme dados de uma pesquisa do DataSenado de 2019, 45% dos entrevistados afirmaram ter decidido o voto levando em consideração informações vistas em alguma rede social.
Nesse cenário, de acordo com levantamento do DataSenado, a principal fonte de informação do brasileiro atualmente é o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp. Das 2,4 mil pessoas entrevistadas, 79% disseram utilizar sempre essa rede social para se informar.
A forte participação das redes sociais nesse processo informativo também traz impactos ao cenário político e eleitoral. Para o sociólogo Luiz Antônio Nascimento, é nesse contexto que se torna necessário discutir a regulamentação das plataformas digitais.
“Dito isto, a gente vem pensar no Brasil: como é que você vai enfrentar processos eleitorais em 2026 sem uma regulação das redes informais de tecnologia? Por isso que a extrema-direita bate tanto contra a regulamentação, porque eles precisam de liberdade para poder se difundir e contar com o apoio das redes, da Meta, do Facebook etc. para difundir as suas proposições”, defende o sociólogo.
O sociólogo citou um exemplo desse processo ao mencionar relatos de usuários do Instagram que afirmaram, nas redes sociais, que diversos perfis de políticos, inclusive o do presidente Lula, deixaram de aparecer na busca da plataforma na manhã desta quarta-feira (9).
Conforme testes realizados pelo g1 na mesma data, diferentes perfis de políticos no Instagram, incluindo o do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não apareciam nos resultados de busca.
Ao mesmo tempo, políticos como o ex-presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad e Guilherme Boulos apareciam normalmente na plataforma.
“A gente viu aí, recentemente, um conjunto de canais de influenciadores do campo democrático de esquerda, esquerda liberal, a maior parte deles nem são das esquerdas revolucionárias, que tiveram os canais derrubados, com centenas de ativistas. Até o canal do presidente Lula: você fazia a busca e não achava. Então, nós temos um problema grave do ponto de vista da interferência dessas big techs no processo eleitoral brasileiro, e a gente não pode subestimar do que essa turma será capaz de fazer em 2026 para garantir que a extrema-direita se reproduza de forma ampliada em relação a agora”, explica o sociólogo.
Luiz Antônio Nascimento, ouvido pelo Portal AM1, também analisa as mudanças comportamentais vividas pelo cenário político brasileiro. Segundo ele, houve uma transformação decisiva a partir dos protestos de 2014, durante as Jornadas de Junho.
“Todas as pesquisas de opinião, todas as pesquisas de comportamento eleitoral, já nos últimos cinco, oito anos, têm demonstrado que o Brasil mudou de forma decisiva desde 14, 15, aqueles protestos de rua que foram resultado de mobilizações de redes sociais. Naquele momento, na década de 14, 15, 16, não se sabia muito ao certo se aquelas mobilizações eram espontâneas ou se eram provocadas artificialmente”, diz Nascimento.
Conforme o sociólogo, casos como o envolvimento do estrategista de campanha de Donald Trump, Steve Bannon, e o escândalo da empresa de consultoria Cambridge Analytica demonstram que parte das mobilizações na internet resulta de manipulações das próprias plataformas digitais. Durante a campanha de Trump em 2016, a empresa utilizou um aplicativo para coletar informações privadas de 87 milhões de usuários sem consentimento e, posteriormente, direcionou publicidade política personalizada para influenciar o pleito contra a candidata democrata Hillary Clinton.
“Alguns anos depois, depois da campanha eleitoral nos Estados Unidos, quando se descobriu o papel da Meta e do Facebook, da entrada no cenário da disputa eleitoral do Bannon e o escândalo da Cambridge Analytica, não há mais nenhuma dúvida de que uma boa parte dessas mobilizações de internet é resultado de manipulação da própria rede”, explica Nascimento.
LEIA MAIS:





