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Registros de doenças ‘regionais’ no AM diminuem durante pandemia

As doenças regionais, como a Malária, leishmaniose e tuberculose, apresentaram redução, enquanto os casos de dengue cresceram
• Publicado em 18 de abril de 2021 – 15:00
O Amazonas teve alta no número de casos de dengue, em comparação com os três primeiros meses de 2020. Foto: Paulo H. Carvalho

MANAUS, AM – Desde março de 2020, a comunidade científica em todo o mundo tem voltado os seus olhares para o novo coronavírus. Mas enquanto a covid-19 estende seus tentáculos pelo globo, outras doenças já conhecidas ainda merecem atenção. Essas doenças regionais, inclusive, já são velhas conhecidas na região amazônica: malária, dengue, leishmaniose e tuberculose.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças como essas podem afetar cerca de 1,6 bilhão de pessoas no mundo. A América Latina, inclusive, está entre as regiões afetadas.

Leia mais: Fiocruz avança com acordo de combate à transmissão da doença de Chagas

No entanto, dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) apontam que, mesmo durante a pandemia, o número de casos destas doenças diminuiu. Segundo a FVS e a Secretaria Municipal de Saúde, não houve subnotificação de casos, e muito menos interrupção no atendimento a pacientes com os males.

Confira, abaixo, os dados relacionados a essas doenças regionais.

Malária

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2019, a Amazônia concentrava 99% dos casos de malária. A doença, transmitida pelo mosquito Anopheles, tem maior proliferação na região por causa das condições demográficas, ambientais e sociais, que deixam a transmissão mais favorável.

Igarapés acabam sendo foco de proliferação de mosquitos da dengue e da malária. Foto: Márcio Silva/Amazonas1

 

Em todo o ano de 2020, a FVS registrou um total de 57.960 casos de malária. Já nos três primeiros meses de 2021, foram registradas 9.974 ocorrências da doença. O número é ligeiramente menor do que o registrado no mesmo período de 2020: 13.149 casos.

Tuberculose

Transmitida de forma semelhante à covid-19 – pelas vias aéreas – a doença ainda é uma vilã para o Amazonas. O estado concentra a maior taxa de tuberculose de todo o Brasil: 64,8 casos a cada 100 mil habitantes.

De janeiro a dezembro de 2020, foram registrados 2.863 casos da doença no estado. Em 2021, já foram 565 ocorrências nos três primeiros meses do ano. O número ainda é menor, inclusive, do que os três primeiros meses de 2020, quando 898 casos foram registrados.

Leishmaniose

Embora seja uma das doenças com o menor número de casos registrados em 2020, a leishmaniose continua sendo um problema para os amazonenses. A doença é transmitida por um mosquito, que é hospedeiro de protozoários do gênero Leishmania. Ela se apresenta de duas formas: a tegumentar americana, que ataca a pele e as mucosas; e a visceral, que ataca os órgãos internos.

A leishmaniose tegumentar americana causa problemas principalmente na pele e nas mucosas. Foto: Divulgação

No Amazonas, foram registrados 1.335 casos da doença no período de janeiro a fevereiro de 2020. Nos três primeiros meses de 2021, 392 casos. A diferença é ligeiramente menor do que o registrado no mesmo período do ano passado: 507 casos.

Dengue

A dengue persiste como um dos maiores males que ainda assolam o Amazonas. Só em 2020, o número de casos notificados chegou a 9.252. Contabilizados os três primeiros meses de 2021, já foram registrados 5.007 casos da doença, uma média de 1.669 casos por mês. Em comparação ao mesmo período de 2020, a doença foi a única que registrou alta. O número de casos registrados nos três primeiros meses do ano passado chegou a 4.922.

Segundo o médico Bernardino Albuquerque, o problema da dengue é a transmissão na área urbana. “O mosquito procria no ambiente urbano. Com isso, os casos tendem a aumentar na área urbana, dependendo da circulação e da carga viral da área”, salienta.

Atraso nas pesquisas

Albuquerque aponta que há risco de que as pesquisas de tratamentos e prevenção às doenças regionais tenham atraso. Ele as chama, inclusive, de “doenças negligenciadas”, e salienta que há riscos ainda maiores.

“O mundo todo está voltado para a covid-19, e não dá pra negar isso. O que pode haver é uma despriorização dessas doenças regionais, que já são negligenciadas. Elas, inclusive, se tornaram ainda mais negligenciadas em função do direcionamento à covid”, aponta o médico, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (FM/UFAM).

Na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD), praticamente todas as pesquisas se voltaram para a covid-19. De acordo com o Dr. Wuelton Monteiro, diretor de Ensino e Pesquisa da instituição, a doença impactou diretamente as atividades de pesquisa de docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (PPGMT/UEA). O programa tem suas atividades na sede da Fundação de Medicina Tropical.

FMT-HVD sedia o Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da UEA. Foto: Robervaldo Rocha

“Vários alunos relataram prejuízos em decorrência da pandemia. Entre os problemas verificados, estavam prejuízos financeiros por causa de desemprego, desenvolvimento de problemas de saúde mental, desgaste físico e psicológico por atuar na linha de frente, entre outros”, aponta o docente, que coordena o programa.

Redirecionamento

Machado ainda salienta que parte das pesquisas desenvolvidas no PPGMT tiveram que ser alteradas para covid-19, em decorrência da emergência de saúde pública. Segundo ele, muitos alunos já submeteram propostas iniciais que envolvem a doença, originária da China.

“Três alunos de mestrado e dois de doutorado, que se matricularam antes da pandemia, alteraram suas propostas iniciais e passaram a trabalhar estudando a doença. Uma das mestres já se matriculou no doutorado, inclusive, continuando a pesquisa do mestrado. Outros dois alunos de mestrado estão estudando a covid-19 entre crianças e as alterações oftalmológicas em decorrência da doença. Uma aluna de doutorado está finalizando sua tese sobre o estudo anatomopatológico da COVID-19, tendo já publicado 3 artigos sobre o tema. O outro doutorando estuda o perfil metabolômico e imunológico de pacientes com COVID-19 grave tratados com corticoides”, completa o docente.

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