Manaus, 31 de agosto de 2026
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Manaus, 31 de agosto de 2026

Cenário

Roberto Cidade herda de Wilson Lima política de empréstimos bilionários no Amazonas

Wilson acumulou mais de R$ 17 bilhões em autorizações em seu segundo mandato; sucessor agora tenta contratar outros R$ 1,46 bilhão.

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(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Manaus (AM) – A sucessão no Governo do Amazonas mudou o ocupante da cadeira, mas manteve os empréstimos bilionários no centro das contas estaduais. Depois de Wilson Lima (União Brasil) encerrar sua passagem pelo Executivo com uma sequência de operações de crédito que, somente no segundo mandato, ultrapassaram R$ 17 bilhões em autorizações, seu sucessor político, Roberto Cidade (União Brasil), tenta avançar com um novo financiamento de R$ 1,462 bilhão.

A operação pretendida pela atual gestão é com o Banco do Brasil e prevê prazo total de dez anos, incluindo 12 meses de carência e nove anos de amortização. O financiamento conta ainda com garantia da União.

O empréstimo, porém, está temporariamente suspenso pela Justiça Federal. A decisão cautelar interrompeu os atos para formalização do contrato enquanto são analisados questionamentos sobre a operação. O Ministério Público Federal (MPF) e a União posteriormente se manifestaram favoráveis à derrubada da suspensão.

A tentativa de Cidade ocorre após anos de expansão das operações de crédito no Amazonas, principalmente durante o segundo mandato de Wilson Lima.

Empréstimos ganharam força com Wilson

No primeiro mandato, entre 2019 e 2022, Wilson já havia recorrido a operações nacionais e internacionais para financiar programas do Estado. A escalada, no entanto, ganhou outra dimensão a partir de 2023.

Somente no segundo mandato, Wilson chegou ao 12º pedido de financiamento, acumulando mais de R$ 17 bilhões em operações autorizadas, considerando valores em reais e a conversão dos contratos firmados em dólar.

Foram cinco pedidos em 2023 e quatro em 2024. Entre as operações de maior peso estiveram financiamentos bilionários voltados a despesas de capital, habitação, infraestrutura e programas de sustentabilidade fiscal, além de contratos destinados à reestruturação de dívidas.

A sequência terminou em dezembro de 2025, quando Wilson encaminhou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em regime de urgência, o 12º pedido de crédito de seu segundo mandato: US$ 60 milhões, aproximadamente R$ 326 milhões à época, destinados ao Progestão.

O programa foi apresentado pelo governo como instrumento para modernizar a administração estadual, aprimorar processos financeiros e orçamentários e fortalecer a sustentabilidade fiscal.

Cidade segue caminho do antecessor

A saída de Wilson do governo em 2026 não encerrou a busca do Estado por recursos bancários.

Roberto Cidade, aliado e sucessor político do ex-governador, assumiu o Executivo e manteve em andamento a operação de R$ 1,462 bilhão, vinculada ao Prohabcap 2025 e 2026 II.

Documentos da operação preveem atualmente cerca de R$ 1,03 bilhão para o Fundo de Infraestrutura e Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Fideam), R$ 400 milhões para o Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas e R$ 32 milhões para o Fundo Estadual de Habitação.

A contratação chegou à fase final em meio a questionamentos judiciais sobre alterações na destinação dos recursos e as condições financeiras do negócio. Segundo documentos citados na decisão judicial, o custo total do financiamento, incluindo encargos ao longo de dez anos, pode chegar a aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Nesta segunda-feira (31), Cidade defendeu publicamente a contratação e afirmou que os empréstimos são necessários para garantir investimentos em infraestrutura. Segundo o governador, sem a liberação dos R$ 1,46 bilhão, o Estado não teria recursos para determinadas obras de asfaltamento no interior neste ano.

Marcelo Ramos vê continuidade no endividamento

Ao Portal AM1, o ex-deputado federal Marcelo Ramos criticou o modelo adotado durante a gestão Wilson Lima e relacionou a atual operação à política financeira do governo anterior.

Para Marcelo, há uma diferença entre contrair dívida para financiar diretamente grandes obras de infraestrutura e recorrer ao crédito para reorganizar as próprias contas públicas.

“O endividamento do governo Wilson Lima tem uma característica diferente. Outros governos buscaram financiamento para realizar obras, Prosamin, por exemplo. Nesse caso, você cria uma dívida, mas gera emprego e resolve um problema de infraestrutura do Estado”, afirmou.

Na avaliação do ex-deputado, parte das operações realizadas durante o governo Wilson esteve ligada à necessidade de administrar dívidas e despesas estaduais.

“No caso do governo Wilson Lima, os empréstimos foram para pagar dívidas, já que ele gastou muito mais que arrecadou, apesar de ter tido recorde de arrecadação”, disse Marcelo.

A declaração é uma avaliação política do ex-parlamentar. Entre os financiamentos autorizados no período também houve operações oficialmente destinadas a áreas como habitação, saneamento, educação e infraestrutura.

Marcelo também afirmou que considera inadequada a contratação de crédito para pagamento de dívidas e despesas de custeio e fez críticas à aplicação dos recursos públicos.

Com Roberto Cidade buscando mais R$ 1,462 bilhão, a política de recorrer a operações de crédito permanece como uma das principais estratégias financeiras do Governo do Amazonas, agora sob uma nova administração, mas com compromissos que poderão continuar sendo pagos pelas próximas gestões.

 

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