Manaus, 3 de novembro de 2026
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Manaus, 3 de novembro de 2026

Cenário

TCE-AM apura devolução de R$ 20 milhões da educação na gestão Wilson Lima

Representação questiona retorno de recursos federais destinados ao Projovem e aponta movimentações de R$ 13,2 milhões sem identificação das contas de destino.

(Foto: Diego Peres/Secom)

Manaus (AM) — A gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) voltou ao centro de questionamentos sobre a administração de recursos públicos no Amazonas. Uma representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) solicita a apuração da devolução de mais de R$ 20 milhões em verbas federais destinadas a programas de educação e qualificação profissional de jovens.

Os recursos eram vinculados ao Projovem Urbano e ao Projovem Campo – Saberes da Terra, iniciativas voltadas à escolarização e à formação profissional de jovens. Segundo documentos da fiscalização do Tribunal, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM) devolveu R$ 20.040.133,36 ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) entre 2024 e 2025.

Do montante, aproximadamente R$ 16,9 milhões retornaram aos cofres federais em 2024 e outros R$ 3,1 milhões em 2025. A representação questiona a ausência de registros contábeis suficientes para comprovar a aplicação dos valores nas finalidades previstas pelos programas.

Movimentações de R$ 13,2 milhões também são questionadas

Além das devoluções, a documentação aponta movimentações financeiras de R$ 13.250.988,83 realizadas em março de 2022.

De acordo com os registros analisados, dois valores foram retirados de contas bancárias vinculadas aos programas sob a justificativa de uma operação denominada “troca de fonte de recursos”.

As movimentações foram de R$ 3,2 milhões e R$ 9,9 milhões. Entretanto, a análise contábil não teria identificado as contas bancárias que receberam os recursos.

A fiscalização solicita esclarecimentos sobre o destino do dinheiro e a rastreabilidade das operações financeiras.

Ex-secretárias podem ser responsabilizadas

A representação também solicita a apuração de possíveis responsabilidades de duas ex-gestoras da Seduc-AM: Maria Josepha Penella Pegas Chaves, que esteve à frente da pasta entre agosto de 2021 e 2023, e Arlete Ferreira Mendonça, responsável pela secretaria nos exercícios de 2024 e 2025.

O documento pede esclarecimentos sobre a execução dos programas, as movimentações financeiras e as devoluções realizadas ao FNDE.

Formalizada por meio da Peça nº 94/2026-SECEX, a representação foi encaminhada à Presidência do TCE-AM para análise de admissibilidade.

Programas atendiam jovens em situação de vulnerabilidade educacional

O Projovem Urbano e o Projovem Campo foram criados para ampliar o acesso à educação e oferecer oportunidades de qualificação profissional a jovens que não concluíram os estudos na idade regular.

Entre as ações previstas estão a conclusão do ensino fundamental, formação profissional, capacitação de educadores e desenvolvimento de atividades pedagógicas.

A devolução dos recursos levanta questionamentos sobre a execução dessas políticas públicas e as oportunidades que poderiam ter sido oferecidas aos estudantes amazonenses.

Até o momento, não há conclusão definitiva sobre irregularidades ou desvio de recursos. A representação ainda depende de análise do Tribunal, que deverá avaliar os fatos e eventuais responsabilidades, assegurando o direito à defesa dos envolvidos.

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