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21 de abril de 2021
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Vamos resistir às Damares e ao retrocesso do governo Bolsonaro, diz Marta Suplicy

Marta Suplicy, vê o governo de Jair Bolsonaro como o revés mais violento para os direitos das mulheres na história recente do Brasil

Vamos resistir às Damares e ao retrocesso do governo Bolsonaro, diz Marta Suplicy
Foto: Divulgação

Militante feminista desde antes de entrar na política, Marta Suplicy, 75, vê o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) como o revés mais violento para os direitos das mulheres na história recente do Brasil.

“Não importa o quanto resistam ao empoderamento feminino, as mulheres têm uma palavra: resiliência. Nós vamos resistir às Damares”, diz, citando a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.
Hoje secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, a ex-prefeita, ex-ministra e ex-senadora falou, na primeira entrevista depois da reeleição de Bruno Covas (PSDB), sobre seu apoio ao tucano e sua obsessiva ideia de formar uma frente ampla contra Bolsonaro.

Ela defende que o ex-presidente Lula (PT) deixe de lado o isolamento político e se una a outros nomes do campo democrático para derrotar o bolsonarismo em 2022.
Marta, que deixou o PT em 2015, após 33 anos, flertou com outros postulantes a prefeito da capital no ano passado, mas acabou fechando apoio a Covas, por considerá-lo “o candidato que melhor incorporou a frente ampla”. Depois de passar por MDB e Solidariedade, hoje está sem partido.

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Feminismo e retrocessos
Feminismo é meu tema de vida. A nossa luta por direitos iguais é marcada por constantes “backlash”, cuja tradução é rebote. Quando nós conseguimos alguma coisa, com muita luta, em seguida vem um “backlash”, termo usado pela [jornalista americana] Susan Faludi.

Mulher na política
É nas esferas de poder político que o sexismo apresenta os piores índices de mudança. As mulheres não conseguem entrar nos centros decisórios. E, quando entram na política, passam por situações de escracho e ridicularização. O poder do país passa pela mão da política, e a mão da política é o patriarcado.
Tivemos uma presidente [Dilma Rousseff] e foi muito bom que tenhamos tido, mesmo que não tenha caminhado tão bem. Em todas essas transformações, a mulher negra não foi atingida. Se você não tem diversidade no movimento, o movimento não existe. É pó, ele morre.

Feminicídio e assédio
Atualmente, há duas grandes questões para a mulher. O “backlash” do feminicídio, em que houve a conquista da lei [que tipificou o crime], mas um aumento da violência contra a mulher. A outra coisa é o assédio sexual. Temos como exemplo o caso da Isa [Penna, deputada estadual do PSOL]. Quando você pensa que não vão cassar uma pessoa que se porta com esse desrespeito? Com o #MeToo [#EuTambém, no Brasil] a coisa tomou outra dimensão, porque ampliou no mundo inteiro a indignação com a situação que as mulheres são expostas.

Damares e o patriarcado
Não importa o quanto resistam ao empoderamento feminino, as mulheres têm uma palavra: resiliência. Nós vamos resistir às Damares. O “backlash” mais violento que já presenciei é o que esse governo está fazendo, guiado pelo retrocesso civilizatório.
Essa senhora que ocupa o ministério foca exatamente no que o patriarcado gostaria, que a gente voltasse para casa e aceitasse o comando masculino. Não adianta, ela pode querer quanto ela quiser, não iremos fazer isso, e Bolsonaro passará.

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Eleição de mulheres
Vamos ter que repensar as cotas. Porque mesmo com recurso, agora, nós não conseguimos. Enquanto a gente não chegar às funções de decisão de poder nos partidos, de ser candidato prioritário, nós não vamos a canto algum.

Feminismo em plena crise
O principal nesse momento é que as pessoas não morram de fome. E a carga maior da pandemia é sobre as mulheres. Temos um presidente incompetente, psicopata e genocida. Não diria nem que ele é machista, porque teria que ter uma palavra mais violenta para designá-lo. O mais importante é a luta pela manutenção da democracia. Por isso que prego tanto a questão da frente amplíssima para o 1º e o 2º turno das eleições.

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Impeachment de Bolsonaro
Eu li o jornal hoje [sexta-feira, 5], me deu tanta raiva que peguei a caneta e escrevi. “Existe uma relação que está sendo trabalhada por Bolsonaro entre a crise sanitária e a democracia, e tudo indica que a estratégia fria, mortífera, é criar o desespero, o caos econômico, para poder impor um estado de emergência.” É isso. Como as pessoas não veem?

“Neste momento, a nossa indignação é tão grande que pede para esse genocida ser retirado do poder.” Essa é a raiva que me deu, mas sou uma pessoa racional, então continuei. “Entretanto, a especificidade da situação que vivemos, com a correlação de forças, dificultará enormemente e aprofundará a crise. As manifestações de rua, que poderiam acelerar a perda desse apoio popular, sofrem um receio do vírus e das armas agora abundantes.” Impeachment é enxugar gelo.

Futuro na política
Não vou entrar em partido e não sou candidata a nada. Nosso adversário é a ameaça do autoritarismo, é o risco institucional, é o desequilíbrio de um facínora cruel, que tira a vida de milhares de pessoas e diz que é mimimi. Se as pessoas não entenderem a dimensão do que estamos vivendo e ficarem pensando na sua própria candidatura, no fortalecimento do seu partido, corremos risco. A polarização não é entre PT e PSDB, que são partidos democráticos. A polarização é contra o autoritarismo.

Marta Suplicy, 75
É secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, após apoiar a reeleição de Bruno Covas (PSDB) em 2020. Foi deputada federal, ministra do Turismo no governo Lula (PT) e da Cultura no governo Dilma (PT), prefeita de São Paulo e senadora. Filiada ao PT desde 1981, foi para o MDB em 2015 e apoiou o impeachment de Dilma. Em 2018, anunciou a desfiliação e o fim da carreira política. Em 2020, se filiou ao Solidariedade, mas logo deixou o partido para apoiar Covas.

(*) Com informações FolhPress

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