Manaus, 28 de fevereiro de 2024
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Cenário

Vereadores da base do prefeito ‘mostram as garras’ e atacam Wilson Lima na CMM

Os vereadores aliados de David esqueceram as atribuições na CMM e criticaram em sequência os serviços públicos de saúde do Estado, o que é uma atribuição dos 24 deputados estaduais.

Vereadores da base do prefeito ‘mostram as garras’ e atacam Wilson Lima na CMM

(Foto: CMM)

Manaus (AM) – Pegando carona no discurso feito pelo vereador Dione Carvalho (Patriota), que criticou o sistema de saúde pública estadual, cinco vereadores da base aliada de David Almeida na Câmara Municipal de Manaus (CMM) entoaram o mesmo coro ao criticar os serviços da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

As críticas da base aliada do prefeito David Almeida (Avante) escancaram o racha entre David e o governador Wilson Lima (UB) tendo em vista as eleições municipais de 2024. Dione falou sobre o caso de uma criança cardiopata, de Caapiranga, que aguarda para realizar uma cirurgia no Hospital e Pronto-Socorro da Criança (Joãozinho).

O vereador afirmou que a SES-AM não está dando as devidas informações à família para que esta saiba, de fato, o que é necessário o procedimento.

“As informações que nós temos é que não tem equipamento para fazer o procedimento. A família está fazendo uma “vaquinha” para tentar viabilizar o procedimento”, disse Dione. Em seguida, parecendo combinado, o vereador cedeu tempo para que o quinteto expusesse as críticas ao Estado.

O vereador Alonso Oliveira (Avante) foi o primeiro a pedir uma parte do tempo para criticar o sistema de saúde. “Eu não estou aqui para atirar pedras no Governo do Estado, em hipótese alguma!”, disse Alonso ao afirmar que os problemas sofridos pelo Estado e a Prefeitura enfrentavam déficit em arrecadação e contribuem para a falta de investimento na área da saúde.

Alonso, que é ex-secretário de Cultura na gestão de David, pediu “sensibilidade” ao Governo do Amazonas, e que a atual gestão chegue a um acordo com as empresas médicas para dar dignidade para a população que usa o serviço.

Na sequência, o vereador Rosinaldo Bual (PMN), também dizendo não querer entrar em atrito com o governador Wilson Lima (UB), reclamou que não consegue entrar em contato com a diretora do Hospital Francisca Mendes e que iria voltar a fazer nova tentativa de contato nesta quarta-feira (13), para questionar a liberação de crianças sem tratamento médico, falta de atendimento e material na unidade hospitalar.

Wallace Oliveira (DC) iniciou o discurso afirmando que não faria uma crítica “seletiva”, alfinetando os colegas vereadores de oposição que criticam a gestão de David Almeida (Avante).

“Eu, especificamente, estou tratando de uma coisa que eu acho extremamente preocupante  [..] quando eu falo que, em alguns momentos, a gente tem uma condição de críticas seletivas aqui. É muita seletividade na hora de falar e, quando nós cobramos o Estado, nós temos o direito de fazer isso, e eu não vejo os vereadores invadir rede de saúde para fazer algumas inserções fazendo isso”, criticou Wallace.

Já o vereador Kennedy Marques (PMN) lembrou que os Poderes são independentes, mas também afirmou que se o Estado não cumprir as obrigações, “atrapalha a saúde básica do município”. Kennedy disse que foi até o Hospital Platão Araújo e identificou 15 ambulâncias paradas, porque o hospital não tinha macas para acomodar os pacientes que chegavam.

Atribuições trocadas

Antes de ceder o tempo ao vereador Mitoso (MDB), Dione concedeu parte ao vereador Capitão Carpê (Republicanos), que disse, sem citar o nome do vereador Wallace Oliveira, estranhar que o colega criticasse de forma “seletiva” a cobrança dos vereadores de oposição.

“Ele, talvez, não leu, mas é de competência municipal. Eu não fui eleito para ser deputado estadual, fui eleito para ser vereador. Agora, eu desconheço qualquer vereador que tenha subido nessa tribuna ou postado qualquer imagem focalizando UBS”, afirmou Carpê.

O vereador continuou as críticas ao colega, afirmando que, talvez, se ele fizesse isso, não ficaria tão pesado para alguns. “Agora, se o vereador for deixar de fazer o trabalho dele de vereador, ainda ter de fazer o trabalho de deputado estadual, aí pode fechar a Assembleia [Legislativa do Amazonas]”, alfinetou Carpê.

Rodrigo Guedes (Podemos) disse estranhar que, passados dois anos de mandatos do governador, agora, os vereadores que apoiam David Almeida critiquem o Estado “do nada” [..] porque ali tem uma divisão política.

“Também me estranha o mesmo vereador não cobrar o deputado estadual aliado dele, é best friend forever [melhor amigo para sempre] do deputado estadual, que não cobra, e aí ele quer cobrar o vereador, mas na hora de colher os benefícios políticos, ele está ali do lado do deputado estadual”, afirmou Guedes.

 

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