(Foto: Saulo Viégas/Assessoria & Robervaldo Rocha/CMM)
Manaus (AM) – O vereador Rodrigo Guedes (PP) subiu o tom contra seus colegas de Câmara Municipal de Manaus (CMM), especialmente contra os parlamentares que se apresentam como defensores da educação, após o arquivamento do pedido de impeachment do prefeito David Almeida (Avante).
A denúncia apresentada por Guedes pedia apuração sobre o suposto uso indevido de recursos do Fundeb pela Prefeitura de Manaus, mas foi derrubada já na primeira fase de votação.
“É no mínimo contraditório. Tínhamos uma denúncia grave envolvendo dinheiro da educação, e dois vereadores que se elegeram com essa bandeira votaram contra até a investigação”, disparou Guedes, referindo-se à professora Jacqueline (União Brasil) e ao professor Samuel (PSD).
Para o parlamentar, o voto contra sequer abrir uma comissão processante na Casa revela que interesses políticos e o alinhamento com o Executivo municipal falaram mais alto que o compromisso com a causa educacional.
“O professor Samuel eu já esperava, porque é base canina, extrema base do prefeito. Mas da professora Jaqueline eu esperava coerência”, afirmou.
Blindagem e omissão
Guedes destacou que o pedido de impeachment não determinava culpabilidade, mas apenas a abertura de um processo investigativo.
“Era o mínimo. Não era para condenar, era para investigar. Mas preferiram enterrar na primeira etapa”, lamentou.
A proposta recebeu apenas 10 votos, quando eram necessários ao menos 14 para avançar.
Segundo o vereador, a justificativa de alguns colegas de que “não foram procurados” para discutir a proposta é vazia. “Essa desculpa de ‘não conversou comigo’ é ridícula. Estamos falando de vereadores que sabem ler, que têm assessoria jurídica. Era uma denúncia clara, com cinco páginas. Precisava pedir voto? Isso aqui é Câmara, não é grupo de WhatsApp”, ironizou.
Silêncio revelador
A denúncia envolvia a possível aplicação indevida de verbas do Fundeb — que deveriam ser investidas exclusivamente na educação — em outras áreas da Prefeitura. Para Guedes, o silêncio da maioria dos vereadores e a tentativa de esvaziar o debate mostram que a base do prefeito age para impedir qualquer apuração.
“Ali dentro ninguém é bobo. Não votaram contra por falta de informação, votaram porque querem proteger o prefeito. É corporativismo puro”, concluiu.
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