Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Violência nas escolas vira pauta no Legislativo, mas ainda sem atuação prática

Parlamentares repudiaram os atos de violência no ambiente escolar e solicitaram medidas de segurança

(Foto: Aleam/CMM/Divulgação)

Manaus (AM) – A onda de violência nas escolas que assolou o Brasil nos últimos dias acarretou uma movimentação parlamentar, especialmente no Amazonas, com vereadores e deputados estaduais sugerindo as mais diversas medidas de segurança na tentativa de mostrar que já estavam atuando em prol de ações preventivas.

Horas antes do episódio na escola, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) serviu de palco para a cobrança por mais segurança nas unidades educacionais em todo estado.

“Diversas vezes, subi na tribuna, onde fizemos requerimentos, indicações, para que seja criada uma ronda escolar. Isso eu já vinha fazendo lá atrás, mas infelizmente não estava sendo ouvido. […] Não podemos esquecer a importância dos agentes dentro das escolas, principalmente creches. Crianças, de 0 a 5 anos, são crianças que não vão conseguir correr”, disse o vereador Capitão Carpê (Republicanos), iniciando as discussões a respeito do tema, no pequeno expediente, ontem na CMM.

O presidente do Legislativo municipal, vereador Caio André, também utilizou as redes sociais para emitir uma nota oficial, em nome da CMM, repudiando e “manifestando preocupação” com os atos de violência no ambiente escolar.

“Para além das questões relacionadas à segurança de alunos e profissionais de educação, Caio André ressalta a importância de ampliar o debate acerca da saúde mental de crianças e adolescentes no ambiente escolar, combatendo o bullying e envolvendo escola, família e a sociedade como um todo”, disse a CMM, em nota assinada pelo presidente, vereador Caio André, que também tem como bandeira as ações esportivas.

Após o ataque em uma escola privada, em Manaus, ontem, os parlamentares usaram as redes sociais para pelo menos três ações: enaltecer a apresentação de projetos e demais atos legislativos referentes ao tema, repudiar os atos de violência e, por fim, dizer que irão atuar e cobrar providências dos órgãos responsáveis.

Entre eles, estão o deputado estadual Rozenha – que também é presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e tem como bandeira parlamentar o esporte – que utilizou da divulgação da ação na escola, em Manaus, para expor o projeto de lei que apresentou, no dia 5 de abril, para garantir segurança armada nas escolas da rede pública e privada de ensino.

“Antes mesmo desse infeliz episódio de hoje que colocou em risco vidas de crianças, adolescentes e trabalhadores de educação, nós protocolizamos, no feriado do último dia 5, o projeto de lei que visa instituir serviços especializados de segurança e vigilância patrimonial ostensiva e armada nas escolas da rede pública e privada da educação básica. É responsabilidade e dever nosso!”, afirmou Rozenha.

Um dia após o ataque, a deputada estadual Joana D´arc, defensora da causa animal, utilizou do tempo de voz na Aleam para pedir a suspensão das aulas.

“Acho que as aulas deveriam, de repente, se pensar nessa alternativa, das aulas serem suspensas, até que a gente possa reforçar, de fato, essa segurança”, disse a deputada.

Nas redes sociais, em meio a publicações sobre a violência sexual contra um cachorro, a deputada fez questão de fazer um post expondo os oito projetos de lei apresentados por ela que são relacionados a prevenção à violência no ambiente escolar.

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Roberto Cidade, também usou as redes sociais para emitir uma nota de repúdio aos atos.

“É triste ver que nossas crianças estão reproduzindo comportamentos violentos, colocando em risco a vida dos colegas, professores e da comunidade escolar como um todo”, afirmou Cidade, aos seguidores.

Em seguida, em uma nova publicação, o presidente do Legislativo informou que apresentou um projeto de lei que cria o Programa Estadual Escola Segura para melhorias nos sistemas de vigilância, tal como a instalação de detectores de metal.

O deputado Delegado Péricles, que tem como bandeira de mandato a Segurança Pública, publicou um vídeo, após o ataque na escola, defendendo “ações efetivas para interromper essa série de ataques e ameaças nas escolas”.

Outros parlamentares estaduais como Felipe Souza, Alessandra Campelo, João Luiz, Carlinhos Bessa, Cabo Maciel, Cristiano D´Angelo, Daniel Almeida, Dr. George Lins, Mayra Dias também repudiaram os atos de violência no ambiente escolar e solicitaram medidas de segurança.

Mais projetos pós-violência

Nesta terça-feira (11), um dia depois dos atos de violência em uma escola em Manaus, os deputados estaduais apresentaram pelo menos nove projetos, entre pedidos de informações, solicitações de dados, expedientes ao governador do Amazonas e ao prefeito de Manaus, que visam, em linhas gerais, medidas de segurança para as unidades educacionais da rede pública e privada.

Os projetos de lei determinam, entre outros, a instalação de cerca elétrica nas escolas, uso de detectores de metal, contratação de segurança armada, disponibilização de policiais militares na entrada das escolas e, até mesmo, recomendação para que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) monitore sites, redes sociais, comunicadores instantâneos e fóruns relativos a ameaças aos ambientes escolares.

Os dados constam no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), disponíveis para consulta pública. De acordo com os dados do SAPL, os projetos ingressados, nesta terça, começam a tramitar no Legislativo e precisam constar, no mínimo, três vezes em pauta ordinária de votação até que sejam efetivamente votados e transformados em lei.

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