Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Wilker convida D’Angelo para ser vice-líder da oposição, mas deve ficar isolado

O deputado estadual, que atua na liderança da oposição na Aleam, não encontrou aliados para fazer pressão ao governo

A recepção do presidente Lula ao mandatário da Venezuela, Nicolás Maduro, após oito anos de pausa nas relações diplomáticas com o Brasil, motivou proposta de nota de repúdio apresentada pelo deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) em nome da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Parlamentar aproveitou tempo na tribuna para criticar estratégia de Lula no cenário internacional. Foto: Arthur Gomes/Aleam

MANAUS – Ao que tudo indica, o líder da oposição na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado Wilker Barreto (Cidadania), deve atuar de forma mais isolada nesta legislatura. A nova composição da Casa, em sua maioria, favorece o governador Wilson Lima (UB).

Nas últimas eleições, o parlamentar que fazia coro com o líder da oposição em pressão ao governo, Dermilson Chagas (Republicanos), não foi reeleito.

Neste novo mandato, Wilker Barreto ainda buscou ter como aliado o deputado estreante Cristiano D’Angelo (MDB), mas, até então, não teve sucesso.

“O Cristiano é meu amigo. Já até de forma muito descontraída convidei o mesmo para ser vice-líder da oposição, mas confesso que não vejo ele muito caminhando para essa posição. Ele precisa tomar o posicionamento dele, não quero pressioná-lo. Cada um leva o seu mandato e conduz da forma que achar melhor”, afirmou Wilker ao Portal AM1.

Cristiano é irmão do prefeito de Manacapuru, Beto D’Angelo (MDB), e aliado político de um experiente adversário do governador, o senador Eduardo Braga (MDB). No entanto, o novo deputado estadual demonstrou uma aproximação com Wilson Lima nos últimos dias, inclusive, com fotos e falas em tom conciliador.

Governador Wilson Lima e Cristiano D’Angelo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

“Viemos para juntar, se unir, fortalecer o estado e tocar o barco para frente”, afirmou Cristiano D’Angelo, em recente entrevista. O parlamentar ainda comemorou, nas redes sociais, a entrega do Título de Cidadão do Amazonas a Wilson Lima.

Nova oposição

Questionado sobre como vai manter o diálogo com os colegas, Wilker Barreto afirmou que os parlamentares não precisam “ser da oposição declaradamente” para apoiá-lo em certas pautas. Ele ainda defendeu que não é “inimigo do Amazonas”, e só votará contra o governo em matérias negativas.

“A minha oposição é simples. O que for de adversário e maléfico contra o povo terá na tribuna este aguerrido deputado. Eu quero falar para os meus pares: ser oposição não é se juntar a mim. Se juntem a mim quando for para defender o povo”, disse.

O deputado garantiu que continuará fiscalizando e legislando, além de manter o diálogo com os outros parlamentares.

“Em 2019, a gente perdia as votações, eu e o Dermilson; mas nós não perdíamos, porque não tínhamos argumento. A base governista votava, muitas vezes, contra o povo, para ser agradável; espero que essa reflexão mude. Eu não voto contra o meu Estado”, argumentou.

Defesa da Zona Franca

Reconduzido à presidência da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca, o deputado já tem planos para defender a manutenção do modelo econômico do Amazonas. Em meio ao debate sobre a reforma tributária e a ameaça de extinção de impostos, ele quer discutir a pauta em audiências.

“Vou começar visitando o secretário de Indústria e Comércio, Pauderney Avelino. Colocar a comissão à disposição; vou fazer visitas institucionais às entidades. Vou bater na porta do meu partido, do Cidadania, que tem dois deputados federais e um deles muito meu amigo, que é o Alex Manente, tesoureiro nacional do partido. Vou pedir audiência com a ministra do Meio Ambiente; vou pedir audiência com o ministro Alckmin”, afirmou.

O parlamentar diz que quer demonstrar que Zona Franca de Manaus (ZFM) é o modelo que mantém a floresta em pé e garante a sobrevivência do agronegócio do país.

“Sem Zona Franca, sem IPI, estamos condenado o agronegócio a entrar em colapso, em função dos rios voadores, em função da escassez de chuva. Quem ataca a Zona Franca está colocando o Brasil em risco”, concluiu.

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