Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Censo Escolar investiga nível de aprendizagem durante a pandemia no Amazonas

Dividido em duas etapas, cerca de 40,5% das escolas já responderam ao questionário que busca informações de como anda a situação educacional dos estudantes brasileiros na pandemia

Foto: Reprodução Secom

MANAUS, AM – O Censo Escolar 2020 divulgará dados a respeito do rendimento dos alunos, de todo o Brasil, durante a pandemia. Dividido em duas etapas, cerca de 40,5% das escolas já responderam ao questionário que busca informações de como anda a situação educacional dos estudantes brasileiros na pandemia. Estima-se que os dados completos serão divulgados em maio de 2021.

A equipe de reportagem do Portal Amazonas1 entrou em contato com a Semed (Secretaria Municipal de Educação) a fim de buscar informações sobre o rendimento dos estudantes amazonenses em período de pandemia.

A Secretária informou que desde o início vem buscando ajudar, de todas as formas possíveis, os estudantes para que consigam manter o aprendizado em dia. Com o projeto “Aula em Casa”, tem disponibilizado na internet e TV aberta todos os conteúdos necessários para estudo. Além disso, falou que todos os alunos de 2020 foram aprovados.

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“A Semed lançou a campanha “Solidariedade Manaus: doando acesso à educação”, que tem o objetivo de sensibilizar os servidores, parceiros e a sociedade em geral para doação de materiais tecnológicos (TVs, computadores, tablets, notebooks, celulares e conversores de TV digital) em boas condições de uso. Todo o material arrecadado será entregue aos estudantes com dificuldade de acesso ao projeto “Aula em Casa”. O órgão também busca parcerias com empresas para conseguir tabletes que serão disponibilizados aos estudantes também”, informou.

Indo direto à fonte, o Portal AM1 entrevistou pais, alunos e professores para entender o posicionamento deles sobre a situação.

O que pensam os professores

Em conversa com o professor Gabriel Mota, o rendimento caiu sim, porém, é ”normal”,  já que o estado está em período pandêmico e isso afeta diretamente a educação das crianças.

Apesar dos incentivos dados pela Semed com o programa “Aula em casa”, ele contou que sente que falta mais autonomia dos estudantes na busca do conhecimento nesse período.

“A grande questão, ao meu ver, é que nossos alunos não têm muita autonomia no estudo. Temos alguns casos que se destacam e conseguem seguir os direcionamentos que passamos, mas a grande maioria precisa do suporte do professor ali do lado, apontando e mostrando meios de absorver novos conhecimentos. Eu me sinto um pouco frustrado, porque preciso me virar de muitas formas para alcançar os alunos com diversas metodologias, e ainda assim acontece de não ter retorno”, contou Gabriel.

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A professora do ensino particular para crianças, Talya Gomes, contou que assim que retornaram as aulas presenciais, muitos pais correram atrás do prejuízo, pois o ensino on-line prejudicou muito a educação dos seus filhos.

“A busca pelo presencial foi bem grande e tá [sic]  até hoje com pais correndo atrás do prejuízo causado pela pandemia”, relatou a professora.

Além disso, ela falou que o rendimento de muitas crianças caiu durante as aulas em EaD (Educação a Distância).

Juan Gabriel de Albuquerque, que é professor de Eletrônica do IFAM (Instituto Federal do Amazonas), assim como seus colegas, alegou que o rendimento caiu bastante, visto que muitos alunos não têm acesso à internet. Além disso, os que têm sentiram mais dificuldades nesse período, por serem alunos de uma escola técnica e precisar de aulas laboratoriais que foram adiadas devido à pandemia.

“Conseguimos encerrar o ano letivo de 2020, mas sabemos que este ano vamos nos deparar com a mesma realidade: falta estrutura, e o clima das aulas remotas deixa os alunos cansados também”, contou Juan.

Pais e alunos

O ensino foi afetado de forma grotesca na pandemia da covid-19, para Giovana Ribeiro, 18 anos, esses últimos anos foram bem complicados, já que ela estava terminando o ensino médio técnico e sofreu algumas dificuldades em estudar de casa.

“Acho que a pandemia dificultou muito o aprendizado. Nem sempre a gente entendia o professor. A falta de internet pra [sic]  alguns alunos e a comunicação com o professor pela internet é ruim pra tirar dúvidas”, lamentou.

Giovana ainda contou que a situação complicava quando o professor respondia as solicitações apenas por e-mail, segundo ela, isso demorava ainda mais.

“Alguns professores só atendem por e-mail o que dificultava, pois demoram demais a responder”.

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Mãe de duas crianças pequenas, Andreza Kerscher contou que a adaptação dos filhos foi diferente. Sua filha mais velha conseguiu acompanhar as aulas e apresentar um bom rendimento, já seu filho mais novo, não apresentou os mesmos resultados.

“Ele não conseguia se concentrar e não aprendeu nada, difícil ficar quieto e prestar atenção. O rendimento dele caiu bastante”, falou Andreza.

Ela falou que ele voltou as aulas presenciais em abril e que já apresentou grande melhora.
“Conhece até as letras do nome dele, todo dia vem com uma descoberta diferente”.
Outra mãe, que também falou que o aprendizado dos filhos caiu bastante, foi a psicóloga Mara Jackeline. Para ela, a falta de estruturas nas escolas para suprir as necessidades deixou muito a desejar, além do mais, ela ressaltou que a falta de interesse dos alunos na aula on-line e até mesmo o despreparo de alguns professores para ministrar aulas que prendam  atenção das crianças causou bastante prejuízo no ensino.
“Mesmo no segundo ano passando por essa situação, ainda não conseguimos nos adequar e não vejo rendimento algum nos meus filhos. A opção para reduzir os prejuízos foi colocar em uma aula de reforço”.