Presidentes se encontraram em dezembro de 2002, na Casa Branca. Foto: Roberto Stuckert Filho
MADRI, ESP – Durante evento em Madri, capital da Espanha, o ex-presidente Lula (PT) disse que o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o chamou para entrar na Guerra do Iraque, ainda em 2002. Lula deu a declaração durante um discurso no Common Action Forum, na capital espanhola.
Segundo Lula, o convite teria acontecido em 10 de dezembro de 2002, quando o petista tinha acabado de ser eleito presidente da República pela primeira vez. Lula teria ido a Washington para visitar o colega norte-americano, depois de visitar países latinos, e no encontro o colega pediu ajuda para a Guerra do Iraque.
“Fui visitar o Bush, quando ele faz uma preleção de uns 40 minutos mostrando a importância de derrotar o terrorismo, e fazendo um apelo para que o Brasil participasse da Guerra do Iraque para acabar com o terrorismo”, contou o ex-presidente.
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Em resposta, o petista teria dito que não tinha nada contra Saddam Hussein, e que o país não iria participar da guerra. Lula ainda teria dito a Bush que sua maior guerra era contra a fome, com 11 milhões de famílias passando fome no país inteiro.
“Presidente, eu não conheço o Sadadm Hussein, o Iraque fica a 14 mil quilômetros de distância do meu país. Eu não tenho nada contra o Saddam Hussein, e por isso, não vou participar dessa guerra. Tenho outra guerra para travar dentro do meu país”, afirmou.
Em Madri, Lula também encontrou com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez. O encontro foi registrado nas redes sociais do petista,
Histórico
Em 2006, quando Saddam Hussein foi executado por crimes contra a humanidade, Lula saiu em defesa do ditador iraquiano. Segundo ele, a execução de Hussein não resolveria os problemas do Iraque. “Não sei se o julgamento de Saddam Hussein foi um julgamento ou uma vingança. De qualquer forma, eu acho que isso não resolve o problema do Iraque”, afirmou.
Já em 2017, durante um evento da Fundação Perseu Abramo, o ex-presidente disse que a imprensa o caçava assim como os Estados Unidos caçavam o ditador iraquiano. Segundo ele, a Guerra do Iraque foi motivada por “mentiras”, que ele considerava serem “iguais às mesmas” que diziam contra ele.
“Por que aquele homem (Saddam) terminou daquele jeito? Porque mentiu a vida inteira, que tinha armas químicas para destruir os Estados Unidos. Quando foi testado, ele não tinha”, relatou.
(*) Com informações do Metrópoles.
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