(Foto: Arquivo / Semcom)
Manaus (AM) – Uma delegacia situada na avenida Desembargador João Machado, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, foi invadida na segunda-feira (8). Os servidores que atuam no 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP) disseram que, ao chegar ao local, se depararam com uma porta de vidro, que dá acesso à entrada do prédio, arrombada. Os criminosos furtaram os televisores, computadores, algemas e munições.
Um dia depois, na terça-feira (9), a Polícia Civil do RJ prendeu dez pessoas, durante a 2ª fase da Operação Rota do Rio, contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os agentes cumpriam mandados de prisão no Rio de Janeiro, Amazonas, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Segundo a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), pessoas jurídicas e físicas eram os alvos da operação, que buscava desbaratar os responsáveis pela lavagem de dinheiro das facções Comando Vermelho e Família do Norte, que atuam no Amazonas.
O esquema, que movimenta milhões de reais, também tem recrutado diversos jovens para facções criminosas. Segundo a polícia, a facção denominada Família do Norte, após perder força no Estado, acabou migrando para outras facções, sendo umas delas o Comando Vermelho (CV), que atua fortemente na criminalidade do Rio de Janeiro, também responsável por expandir a rota do tráfico para outras cidades do Brasil.
O aumento de pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes somado a outros problemas de políticas públicas contribuem para o aumento da violência em todo o país. Mas, no Amazonas, capital e interior, traficantes dominam áreas inteiras. A ousadia é tamanha, que nem mesmo os agentes de segurança são poupados.
Eleições municipais
Em ano eleitoral, os pré-candidatos exploram o tema, e apostam na pauta de segurança visando conquistar o voto do eleitor. E a falta de segurança acaba sendo o carro-chefe dos vereadores na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e, principalmente, dos pré-candidatos a prefeito de Manaus.
A reestruturação da Guarda Municipal pelo prefeito David Almeida possibilitou o uso de armamento letal aos agentes. A reforma no modo operacional dos agentes deu argumentos para os pré-candidatos, que a todo momento, querem apresentar solução ao problema de segurança da capital amazonense.
O especialista em Segurança Pública, coronel Walter Cruz, destaca que o tema “segurança pública é uma questão que mexe com as pessoas nos bairros”.
“Segurança pública é o primeiro [ponto] em qualquer pesquisa qualitativa que você veja dos institutos que estão por aí. E isso, obviamente, chama a atenção; porque Manaus tem mais de 60 bairros, cerca de 200 comunidades e isso influência as pessoas a cobrarem os agentes políticos”, destaca.
Para o coronel, a prefeitura tem uma “instituição”, que é a Guarda Municipal. Conforme ele explicou, o órgão está na Constituição Federal, e foi criada, principalmente, para cuidar do patrimônio público municipal. Mas que pode, sim, ser utilizada na segurança pública municipal para reforçar o policiamento. “Há uma série de medidas e propostas para o melhor aproveitamento desses agentes”, pontua o coronel Walter Cruz, ex-secretário extraordinário do Estado do Amazonas.

(Foto: Reprodução/Redes sociais)
Contudo, o especialista em Segurança Pública destaca que a Prefeitura de Manaus falhou, pois “não deu as condições necessárias para fazer um bom trabalho nesses quatro anos”, quando ainda estava no comando do primeiro gestor, o ex-secretário Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Sérgio Fontes. Ele tinha a missão de liderar o processo de transformação da Guarda Civil Metropolitana, que foi promessa de campanha de David Almeida.
“A prefeitura, nesse ponto, ela falhou. Faltou dar condições para que o primeiro gestor, o doutor Sérgio Fontes, delegado da Polícia federal, pudesse dar condição para fazer um trabalho bem-feito em quatro anos. Fez um bom trabalho no último ano, mas um trabalho que não tem pesado, não tem dado os frutos que os gestores queriam”, apontou o coronel, que complementou.“Penso que pode haver espaço para reestruturação da guarda municipal, sim, e fazer um trabalho de apoio à Segurança Pública, principalmente com convênio com a Polícia Militar e com a Polícia Civil”.

(Foto: Divulgação)
Em relação ao roubo no 10º DIP, o coronel disse que o assunto se politizou; porém, era um assunto que não se via há muito tempo. “Eu, sinceramente, eu não lembro, nesses meus 30 anos na polícia, eu não lembro o dia que vi uma delegacia ser alvo de roubo ou de furto. Sinceramente eu não lembro. Penso que tem um crescimento alarmante de facções no estado. E estas facções estão desafiando o governo”, ressaltou.
“Eu penso que tem que ser tomado as medidas. Muitas delegacias têm ficado fechadas nos finais de semana por conta do problema de efetivo, ao menos é o que o governo alega. Mas, tem que se tomar uma medida. Não pode uma delegacia ficar sendo roubada. E o cidadão? O que ele pensa: se a delegacia está sendo roubada, a minha casa como fica?”, enfatizou o ex- comandante das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), do Comando de Policiamento de Área – Leste (CPA – Leste) e subcomandante da Polícia Militar.
O ainda ex-secretário municipal de Trânsito e diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos do Amazonas (Arsam) disse que “tem que ser tomada uma medida, nem que seja administrativa”.
Walter Cruz sugere que sejam instalados equipamentos contra roubo nas delegacias, como câmeras, alarmes. “Tem tecnologia é para isso. Se a delegacia vai ficar fechada, ela é um patrimônio, então ela deve estar protegida”, endossa o comandante, que acredita que, principalmente nesta campanha de eleição municipal, “o tema da segurança pública vai ser muito debatido”.
Mapa da Segurança
O Mapa de Segurança Pública 2024, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, aponta Manaus como o terceiro município com mais homicídios dolosos do país. Em 2023, foram registrados 866 vítimas de homicídios. Dada a proporcionalidade, o estudo considera Manaus como a número um de homicídios dolosos; são 41,9 para cada 100 mil habitantes.
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