Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Interdição da exploração de petróleo e gás pode isolar Silves e afetar a economia local

O Portal AM1 foi até o município para ouvir os mais interessados: a população e seus gestores.

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(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

Silves (AM) – Mais de onze mil pessoas estão preocupadas com o isolamento do município de Silves, (distante 203 quilômetros de Manaus). O que preocupa a população é a possível interdição da exploração de petróleo e gás na região por empresas que geraram centenas de empregos nos últimos cinco anos e correm o risco de parar as atividades, caso o Ministério Público Federal (PMF) consiga, na Justiça, a imediata interdição.

“Espero que isso não ocorra, mas se vier a acontecer, vai causar um impacto negativo em Silves e em Itapiranga. Hoje, o que a gente arrecada de impostos que vêm dos empreendimentos para Silves, e o que tem de pessoas empregadas; e, se houver uma interrupção nisso aí, os prejuízos serão enormes”, declara Paulino Grana (Republicanos), prefeito de Silves.

A polêmica ocorre após a Fundação Nacional dos Povos Originários, a Funai, denunciar ao Ministério Público Federal que a exploração de petróleo e gás pode estar acontecendo em uma das áreas habitadas, supostamente, por indígenas isolados no Amazonas. Uma delas, no Igarapé Caribi, entre Silves e Itapiranga. O projeto recebeu um investimento de R$ 6 bilhões para explorar a região.

O Portal AM1 foi até o município para ouvir os mais interessados: a população e seus gestores. Para chegarmos ao município, nossa equipe saiu de Manaus pela rodovia AM-010, passando pelo pelos municípios de Rio Preto da Eva e Itapiranga e, por último, embarcando em uma balsa para poder chegar à cidade até um porto improvisado devido à estiagem. O percurso na balsa durou aproximadamente 40 minutos de ida e 25 minutos a volta.

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Travessia de balsa até Silves (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

Desde a instalação das empresas Eneva, Mil Madeiras Preciosas e outras que exploram a região, a empregabilidade aumentou e trouxe melhorias para a cidade, principalmente no ramo hoteleiro, segundo relataram as autoridades locais.

“A gente pode dizer que aumentou a quantidade de pessoas trafegando em Silves, segundo os dados das pousadas que estão todas lotadas, os hotéis, as casas que tinham aqui para serem alugadas, estão alugadas. […] Tem um hotel aqui que estava quase abandonado, teve uma empresa que alugou esse hotel, que tem em torno de 40 apartamentos. A feira do produtor rural também teve melhorias. Antes, os produtores voltavam para casa com os frutos regionais que não conseguiam vender tudo no dia, mas, hoje, já não existe esse problema, pois com a chegada de mais pessoas, esses produtos são todos vendidos”, comenta o prefeito.

Exploradoras pagam impostos ao município?

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Campo do Azulão/Eneva (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

Para que essas exploradoras possam extrair matéria-prima de determinada região, é necessário que se pague ao município e a outras esferas governamentais alguns tributos, como o ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza); o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), além de Taxas Municipais, que envolvem licenças ambientais, operação e funcionamento. Esses impostos devem ser revertidos em benefícios para a população, seja na área da saúde, educação, agricultura familiar ou mesmo na cultura.

Conforme o chefe do Executivo municipal, a Eneva paga ao município R$ 150 mil mensalmente em royalties, e o ISS, gerado por meio das obras que são feitas na cidade.

Isolamento

Alguns vereadores afirmaram à reportagem que, antes das empresas chegarem à região, a prefeitura e a Câmara eram as responsáveis por empregar as pessoas, sobrecarregando o poder público.

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China (PSDB) – vereador de Silves (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Se formos comparar Silves, hoje, com os últimos quatro anos, eram as prefeituras que eram responsáveis de empregar as pessoas, os pais e mães de família. Hoje, não, hoje vamos dizer que esse problema foi resolvido em 50%, uma vez que as empresas chegam e absorvem a mão de obra. Então, homens, mulheres, jovens e idosos estão dentro desse sistema das empresas que estão aí. Se elas forem embora, eu não gosto nem de pensar nisso, mas se forem embora vai transformar Silves e Itupiranga, vamos dizer assim, serão como uma cidade-fantasma”, frisa o vereador China (PSDB).

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Lia Elma (Republicanos) – vereadora de Silves (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Quando a empresa entrou em Silves, ela veio trazendo progresso, o nosso município nem aparecia no mapa, mas hoje, quando nós chegamos a Brasília, o povo brinca: ‘olha, chegou o povo do gás lá de Silves’. Então, o progresso chegou através da Eneva e das empresas que se instalaram aí no Azulão. Esse impacto de que o Ministério Público Federal vai bloquear a estrada, vai tirar o povo da estrada, nos preocupa.  Eu sou de Silves, minha família é de Silves, e nós nunca ouvimos alar de indígenas isolados nessa região. […] Eu fico imaginando, se isso acontecer, nós vamos ficar isolados, pois a estrada é para onde nós viajamos para Itacoatiara, para Manaus, já que não temos embarcação para outros municípios”, conta a vereadora Lia Elma (Republicanos).

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(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

O município de Silves possui 11.559 habitantes, segundo o Censo de 2022. A estimativa para 2024 é de 12.404 pessoas. Silves apresenta desafios econômicos e sociais, como o fato de 49,1% da população viver com até meio salário mínimo per capita. O salário médio dos trabalhadores formais é de 3 salários mínimos, com 9,2% da população ocupada.

Assista à reportagem na íntegra:

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