Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Sem tempo na Comissão, deputados cobram ações efetivas de Haddad

"Não estamos vivendo num país que o ministro trouxe, como se fosse o paraíso," diz Pauderney Avelino.

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Deputados federais do Amazonas, Sidney Leite e Pauderney Avelino e Ministro da Fazenda, Fernando Haddad- Foto: (Renato Araújo/Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

Brasília (DF) – A audiência desta quarta-feira (11) com o ministro da Fazenda, Fenando Haddad, terminou em tumulto e acusações entre governistas e opositores. Deputados do Amazonas, como Sidney Leite (PSD) e Pauderney Avelino (União Brasil), estavam inscritos, mas não participaram do debate.

Com mais de 40 parlamentares inscritos, os deputados não tiveram lugar de fala e consequentemente não questionaram o ministro.

Leite, culpou a polarização da política pelo esvaziamento do debate técnico.

“ O like da Internet é mais importante do que a vida do trabalhador, da mulher, da juventude e dos idosos deste País,” declarou na tribuna da Câmara Federal.

Pauderney Avelino tentou intervir durante a sessão, mas não teve o pedido de fala atendido pelo presidente da audiência, deputado federal Rogério Correia (PT-MG).

Quais seriam os questionamentos?

A reportagem questionou aos assessores dos parlamentares quais seriam as perguntas ao ministro da Fazenda. Em nota, Pauderney Avelino pontuou sobre a incapacidade do governo em conter as despesas públicas e o fracasso da meta fiscal.

“Não estamos vivendo num país que o ministro trouxe, como se fosse o paraíso. Na realidade, temos todas essas inconsistências que motivam o Conselho Monetário Nacional a manter os juros em 14.75, que não baixam e encarecem a cesta básica e se refletem no consumo de todos os brasileiros. Para complicar, o decreto do IOF tem um impacto de meio ponto percentual na alíquota que temos hoje, ou seja, os juros podem chegar a 15.25, prejudicando ainda mais a economia brasileira,” explicou o deputado.

Leite não retornou o contato, mas na Tribuna da Câmara, relembrou a emenda de redução dos incentivos fiscais, aprovada em 2021 pelos parlamentares. O texto aguarda um posicionamento do governo federal para que o projeto com a regulamentação diminua os incentivos fiscais do País.

“Qual é o posicionamento do Ministério da Fazenda? (…) Como será tratada a questão dos juros? O Banco Central tem adotado essa política de juros altos não mais como instrumento de baixar a inflação ou segurar a inflação, porque isso teria que ser feito num período curto. E o povo brasileiro pagou, no ano passado, 950 bilhões de custos e serviço da dívida pública. Isso é um absurdo para um país extremamente desigual como é o Brasil,” disse o parlamentar.

Polarização ou cerceamento de fala?

A discussão ocorreu na sessão conjunta entre as comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira.

Deputados do PL, Carlos Jordy (RJ) e Nikolas Ferreira (MG) criticaram os gastos do governo federal, afirmando que as medidas tomadas pelo ministro não cobrem o déficit nas contas públicas. Os parlamentares deixaram a sessão antes de ouvirem as respostas do ministro.

Em sua fala, o ministro comparou a atitude dos parlamentes com um ato de molecagem, o que não agradou a bancada da direita.

“Fazem perguntas e correm do debate, Nikolas sumiu, veio aqui só para aparecer,” comentou o ministro.

Enquanto Haddad respondia os questionamentos, o deputado Jordy retornou ao plenário do colegiado e pediu questão de ordem para rebater o ministro, afirmando que ele era moleque por aceitar o cargo e ter feito apenas dois meses de economia.

“Moleque é você por ter feito que o nosso país tenha o maior déficit da história,” disse o parlamentar.

Quando o deputado Nikolas retornou à sessão também pediu questão de ordem para comentar a fala de Haddad, mas o presidente que comandava a sessão Rogério Correia (PT-MG) não deu lugar de fala.

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