Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Coluna AM1

Omar Aziz desabafa com aliados após derrota na presidência da CPMI do INSS

Fontes próximas ao senador indicam que ele está irritado e não tem poupado críticas aos aliados por perder a oportunidade que lhe renderia mais projeção política no Amazonas.

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Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*

VEXAME DA CPMI

Embora tenha classificado como “livramento” o resultado da votação que deu à oposição a presidência da CPMI do INSS, o senador Omar Aziz (PSD) não está feliz com o resultado. Nem os principais articuladores dele. A expectativa era que o comando da comissão daria a Aziz um belo palanque para projetá-lo ainda mais na campanha ao governo do Amazonas. E ele já se deu conta de que perdeu um filão. Tanto que reclamou com figurões no Planalto sobre a falta de articulação da base de apoio do governo Lula no Congresso Nacional. O senador, que chegou a conceder entrevistas indicando como conduziria a CPMI, se sentiu no centro de um vexame nacional. E disse isso com clareza ao Governo. Também desabafou com colegas senadores. Para Omar Aziz, faltou mobilização e vontade de vencer por parte dos governistas. Irritado, o senador chegou a culpar os colegas Randolfe Rodrigues e Eliziane Gama pela falta de mobilização nas duas casas.

TEMPOS DIFÍCEIS

A derrota na eleição para a presidência da CPMI DO INSS caiu como bomba no Governo. Aliados de Lula estão frustrados e preocupados com a defesa do presidente nos embates que virão dentro do colegiado. Com o comando da comissão nas mãos da oposição, os governistas já sabem que vem chumbo grosso para desgastar Lula. A previsão dentro do Planalto é que haverá uma investida pesada contra o irmão do presidente, Frei Chico. Soma-se a isso o risco de esvaziamento de aliados, com a possibilidade dos senadores Eduardo Braga e Renan Calheiros, ambos do MDB, deixarem a comissão. “Tempos difíceis estão por vir”, é o que avaliam integrantes da cúpula do Governo.

INDICIADOS

A expectativa entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público Federal é que o Procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve se manifestar pela abertura de uma Ação Penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o filho dele, deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Seria o segundo processo a que Bolsonaro responderia, já que é réu na ação que investiga um plano de Golpe de Estado. Indiciados pela Polícia Federal nesta quarta-feira, Bolsonaro e o filho são acusados de tentar coagir os ministros do STF no curso do processo, atrapalhar as investigações, além de tramar uma fuga do ex-presidente para a Argentina. Fontes ligadas ao caso afirmaram à Coluna que o rascunho de um pedido de asilo ao presidente argentino, Javier Milei, demonstra claramente que Bolsonaro queria escapar da possível condenação que vai receber da Primeira Turma do STF no julgamento do Golpe, que começa em 2 de setembro.

FESTA ANIMADA

O aniversário do ex-vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, celebrado nesta quarta-feira no pomposo Lago Sul, em Brasília, reuniu parlamentares da base governista, lideranças do PT e do MDB no Congresso, além de interlocutores próximos do presidente Lula. O senador Eduardo Braga também esteve lá. Aliado do presidente Lula, Ramos deve disputar uma cadeira no Senador pelo Amazonas, numa chapa ao lado de Braga e com total apoio do Governo. O evento foi regado a brincadeiras e comentários sobre os áudios divulgados pouco antes pela Polícia Federal, que envolvem o plano de asilo a Bolsonaro, as rusgas entre ele e o filho Eduardo, além dos pitacos do pastor Silas Malafaia, que induziu o ex-presidente a desrespeitar medidas cautelares decretadas por Alexandre de Moraes.

CAMPANHA

Além da defesa da BR-319 como uma das principais bandeiras de campanha do senador Eduardo Braga na busca por mais um mandato, o parlamentar tem reforçado que o Alto Solimões será cada vez mais prioridade em seu mandato. Braga destacou que já destinou mais de R$ 350 milhões em emendas parlamentares para os nove municípios da região. Em viagem recente ao local, vistoriou obras de infraestrutura, conversou com lideranças e anunciou mais investimentos na região. Braga também pretende se cacifar na corrida pela reeleição com a relatoria dos projetos da Reforma Tributária, assunto que deve dominar as discussões no Senado nos próximos meses.

MELHORES DO ANO

O Prêmio Congresso em Foco 2025 revelou nesta quarta-feira os dois parlamentares do Amazonas que se destacaram neste ano. Curiosamente, ambos devem se enfrentar na disputa por uma cadeira no Senado. Na câmara, o Capitão Alberto Neto (PL) foi escolhido como Melhor Deputado Federal do Amazonas. Bolsonarista de carteirinha, ele já disse a interlocutores que vai continuar apostando nas polêmicas para se garantir como principal voz da direita no Estado. Já no Senado, Eduardo Braga foi o destaque do ano. A escolha dos vencedores seguiu um processo que inclui voto popular pela internet, avaliação de jornalistas especializados na cobertura política e a análise de um júri técnico, que pondera a presença, articulação política e propostas de atuação dos parlamentares.

CÚPULA DO JUDICIÁRIO NO AMAZONAS

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, e do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, estão desde quinta-feira no Amazonas. Nas regiões do Alto Solimões e Vale do Javari, eles vão participar de encontros com lideranças indígenas locais. Barroso também se reúne nesta sexta-feira com o prefeito de Atalaia do Norte, Denis Linder Rojas de Paiva. Faltando pouco mais de um mês para deixar o Comando do STF, o ministro tenta soluções para os conflitos na região para deixar como uma de suas marcas na presidência da Corte.

ACENO AOS EVANGÉLICOS

A presença da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, nesta quarta-feira, em Manaus, para um encontro com mulheres evangélicas foi detalhadamente calculada pelo Planalto como parte de um movimento de Lula para uma reaproximação com os evangélicos. Repetindo a estratégia da ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, que frequentemente se
reúne com mulheres ligadas ao meio religioso, Janja tentou diminuir a resistência do segmento ao PT, e ao próprio presidente. Mas, deixou claro que não existe uma Janja versão evangélica. A primeira-dama enfatizou que acredita que Deus se manifesta de diferentes formas. Resta saber se o discurso colou. Para interlocutores de Lula, funcionou. E a estratégia deve se repetir em outros estados do Brasil.

(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.

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