Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Campo progressista aponta fortalecimento após protestos em Manaus

Atos contra a PEC da Blindagem ampliam participação popular e mobilizam setores além da esquerda.

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Manaus (AM) – No último fim de semana, manifestações em Manaus e em outras cidades brasileiras reuniram milhares de pessoas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada. Os atos alcançaram números que vinham sendo difíceis de mobilizar nos últimos anos. Para o vereador Zé Ricardo (PT), de Manaus, a movimentação pode abrir caminho para maior participação política nas eleições de 2026.

Ao Portal AM1, Zé Ricardo avaliou que, embora partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais tenham marcado presença, os protestos também reuniram cidadãos que não costumam participar desse campo político.

“Eu vejo que, nessa manifestação, estava, sim, o campo da esquerda, partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais, mas também muitas pessoas que não têm tanta participação nesse campo de atuação política e de mobilização da sociedade. Você vê professores, estudantes de várias instituições, cidadãos, pessoas que se somaram, nesse momento, em uma indignação nacional, já que, em todo o Brasil, houve grandes manifestações”, afirmou.1

Questionado se os protestos poderiam ter impacto nas eleições gerais de 2026, Zé Ricardo destacou a possibilidade de influência direta. O pleito renovará dois terços do Senado e todas as cadeiras da Câmara dos Deputados.

“A gente espera que isso possa crescer, nessa forma de participação popular, e, ao mesmo tempo, ter influência, claro, no ano que vem, nas eleições. A gente vai poder eleger representantes desse campo mais progressista e de esquerda, que luta pelos direitos da população e contra a corrupção e contra esses benefícios que os parlamentares, em Brasília, querem aprovar para si próprios”, disse.

Ao todo, 33 cidades registraram atos, incluindo todas as capitais. Com críticas ao Congresso Nacional, manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes.

As manifestações foram convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao PSOL, PT e a movimentos populares. Também participaram sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais como o MST e o MTST, além de partidos de esquerda e centro-esquerda.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram no domingo (21) contra a anistia a condenados por tentativa de golpe de Estado e contra a PEC da Blindagem, que prevê a exigência de autorização do Congresso para processar deputados e senadores. A estimativa é do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP).

O sociólogo Luiz Antônio, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destacou ao Portal AM1 que o efeito imediato das manifestações pode ser limitado, mas considera que elas marcam o início de um processo maior.

“O chamado campo progressista tem ido às ruas quando as pautas lhes dizem respeito. As organizações precisam ouvir as pessoas em busca de pautas de reais interesses coletivos e não aquelas pautas elitistas”, avaliou.

PEC da Blindagem em debate

A chamada PEC da Blindagem tem sido alvo de críticas. O Comitê do Amazonas de Combate à Corrupção, vinculado ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), divulgou nota em que reafirma oposição à PEC 3/21.

A proposta, já aprovada pela Câmara e em análise no Senado, é considerada um retrocesso por críticos, que apontam risco à transparência e à moralidade no exercício de mandatos parlamentares.

 

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