Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Família Câmara é mencionada em interrogatório da CPMI do INSS que termina com prisão de depoente

Ao fim do depoimento, a CPMI do INSS determinou a prisão em flagrante de Abraão Lincoln Ferreira por falso testemunho.

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(Foto: Reprodução/Redes Sociais Silas Câmara)

Manaus (AM) – A Família Câmara foi mencionada durante interrogatório do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, realizado em sessão da CPMI do INSS, nesta segunda-feira (3).

Na ocasião, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), interrogou Abraão Lincoln por ser um dos investigados na “Operação Sem Descontos”. A citação à Família Câmara ocorreu em razão de pagamentos realizados pela CBPA à empresa Network, que, segundo o relator, teriam sido posteriormente destinados a familiares do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM).

O primeiro repasse mencionado foi de R$ 11 mil à Fundação Boas Novas, administrada por Jonathas Câmara, irmão de Silas. Durante o interrogatório, Abraão Lincoln limitou-se a responder cada pergunta com a frase: “Permaneço em silêncio, senhor.”

A partir desse momento, o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, passou a citar outros familiares do deputado amazonense.

“A gente vai começar a falar da parte política. Eu acho uma injustiça muito grande, com quem for ser citado, o senhor não esclarecer. Porque vai recair suspeição, e suspeição é a pior coisa que existe pra um político. Então, eu acho que era a oportunidade que o senhor tinha de poder esclarecer. Olha a sua responsabilidade”, afirmou o relator.

Além dos valores destinados à Fundação Boas Novas, o relator apontou que a CBPA enviou R$ 37 mil a Heber Tavares Câmara, filho de Silas.

O nome de Milena Câmara, também filha do parlamentar, foi mencionado em seguida. Durante o interrogatório, Alfredo Gaspar questionou Abraão Lincoln sobre o repasse de R$ 146 mil a Milena. O depoente afirmou que ela “trabalhava com eles”. O relator mencionou ainda outro repasse de R$ 24 mil, mas, diante da pergunta, Abraão novamente optou pelo silêncio.

O Portal AM1 verificou nas redes sociais de Silas Câmara que Abraão Lincoln apareceu em um vídeo de apoio à candidatura do deputado à Câmara Federal, em 2022. Eles também participaram de eventos públicos conjuntos, incluindo um em março deste ano.

Ao fim do depoimento, a CPMI determinou a prisão em flagrante de Abraão Lincoln Ferreira por falso testemunho.

Após as arguições dos parlamentares, o relator Alfredo Gaspar solicitou a prisão, afirmando que o depoente mentiu sobre o motivo de sua saída da CNPA, declarou ter renunciado ao cargo, mas, segundo o relator, havia sido afastado por medida cautelar. Gaspar também destacou que Lincoln “negou por meio do silêncio” conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, mas admitiu o vínculo em outro momento do depoimento.

O relator ainda afirmou que Abraão mentiu sobre a natureza de sua relação com Gabriel Negreiros, tesoureiro da CBPA, e sobre o alcance da procuração concedida a Adelino Rodrigues Júnior.

Antes de homologar o pedido de prisão, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), observou que “o silêncio também fala” e afirmou ter expectativas positivas quanto ao andamento da investigação parlamentar.

O Portal AM1 entrou em contato com a assessoria do deputado Silas Câmara sobre o assunto. Confira a nota dos citados durante a sessão da CPI do INSS, enviada à reportagem:

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