(Foto: Adriano Machado/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O pré-candidato ao Senado pelo PT, Marcelo Ramos, fez duras críticas, nesta quinta-feira (27), ao governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), ao comentar a representação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) contra o chefe do Executivo por suposto crime de improbidade administrativa. A denúncia do tribunal aponta que o governo teria deixado de enviar à Assembleia Legislativa (Aleam) um pedido de reajuste no duodécimo destinado ao Poder Judiciário.
Segundo Ramos, a crítica publicada recentemente por uma coluna jornalística, que apontava crescimento de 115% no orçamento do TJAM durante a gestão Wilson Lima, estaria focando no “sintoma” e não na “patologia”. Para ele, o problema central seria o uso político do orçamento público pelo governador.
Marcelo comparou os orçamentos do Judiciário e do Legislativo para argumentar que, enquanto o TJAM teve aumento de 115% entre 2018 e 2026, passando de aproximadamente R$ 589 milhões para R$ 1,7 bilhão, a Assembleia Legislativa recebeu um reajuste ainda maior, de quase 150%, crescendo de R$ 290 milhões para R$ 736 milhões no mesmo período.
O pré-candidato afirmou ainda que, recentemente, a Aleam obteve novo aumento no percentual de repasse do duodécimo, que passou de 4,1% para 4,8%, ao contrário do TJAM, cujo pedido de reajuste foi negado pelo governo. Ele classificou essa diferença como um “escândalo”.
Para sustentar a crítica, o pré-candidato apresentou comparações estruturais entre os dois poderes. O Tribunal de Justiça, segundo ele, conta com 206 magistrados, enquanto a Assembleia possui apenas 24 deputados. Em relação aos servidores concursados, o TJAM teria 2.227, contra 635 do Legislativo. Ele destacou ainda que o Judiciário mantém 68 sedes, incluindo unidades nos 61 municípios do interior, além de estruturas na capital; já a Assembleia opera apenas com uma sede em Manaus.
Marcelo Ramos reforçou que a postura das instituições diante das decisões do governo demonstra o impacto político da distribuição de recursos. Segundo ele, quando o TJAM não é atendido, recorre a canais formais e republicanos, como o Ministério Público e a própria Assembleia. Já a Aleam, afirmou, “se entrega” ao Executivo quando contrariada.
Para Ramos, o governador prioriza repasses ao Legislativo por interesse político e eleitoral:
“Ele nega repasse ao tribunal, que presta atividade jurisdicional ao cidadão, mas faz jorrar dinheiro para a Assembleia, que serve a todos os seus interesses”, declarou.
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