(Foto: Alex Pazuello/ Secom)
Manaus (AM) – A medida aprofunda a crise de confiança sobre a política ambiental conduzida pelo governo Wilson Lima, que já vinha sendo pressionado por denúncias de afrouxamento da fiscalização e aumento de irregularidades na exploração de recursos naturais no estado.
A portaria assinada pelo promotor Edgard Maia de Albuquerque Rocha, da 70ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, afirma que há indícios de que servidores — ou pessoas externas ao órgão — tenham participado de um esquema envolvendo exploração ilegal de madeira nativa, falsificação documental, concessão irregular de licenças ambientais e até inserção de dados falsos nos sistemas oficiais de controle do próprio IPAAM.
As práticas, se confirmadas, configuram não apenas dano ambiental, mas ataque direto ao patrimônio público e à credibilidade das instituições de fiscalização do Estado.
O documento revela que o IPAAM já havia sido oficiado anteriormente e não entregou as informações de maneira completa.
O órgão encaminhou respostas “insuficientes”, obrigando o Ministério Público a reiterar o pedido de dados — um sinal, no mínimo, de desorganização administrativa, e no máximo, de resistência em colaborar com a investigação.
Para um governo que insiste em vender a imagem de modernização e eficiência, o episódio expõe o contrário: um órgão ambiental fragilizado, com controles vulneráveis e potencialmente capturado por interesses econômicos ilegais.
Desgaste
O inquérito chega em um momento em que o governador Wilson Lima já enfrenta críticas duras pela condução da política ambiental e pela alta recorrência de denúncias envolvendo diferentes áreas de sua gestão.
A abertura formal dessa investigação amplia ainda mais os questionamentos sobre o controle interno do governo e sobre a qualidade das nomeações que comandam órgãos estratégicos.
Mais do que uma investigação técnica, o caso escancara um ponto sensível: o Amazonas, dono da maior floresta tropical do mundo, convive com fraudes ambientais dentro de seu principal órgão de proteção. Isso compromete a imagem do Estado no cenário nacional e internacional e coloca em xeque o discurso oficial de combate ao desmatamento.
Madeira ilegal, documentos falsos e licenças irregulares
Entre os fatos investigados pelo Ministério Público estão:
- exploração ilegal de madeira nativa em municípios do sul do Estado;
- falsificação de documentos;
- concessão irregular de licenças ambientais;
- inserção de dados falsos nos sistemas do IPAAM, possivelmente para acobertar irregularidades ou facilitar atividades clandestinas.
Trata-se de um pacote completo de violações que, se comprovado, indicam atuação coordenada e estruturada — algo que não se resolve com punições individuais, mas exige revisão profunda da gestão e dos sistemas internos do órgão.
O inquérito civil expõe, mais uma vez, a fragilidade institucional do governo Wilson Lima em áreas estratégicas.
A repetição de denúncias, a falta de respostas efetivas e o avanço de investigações demonstram que o problema não é pontual: é estrutural.
E quando a máquina pública que deveria proteger o meio ambiente passa a ser investigada por alimentar o próprio crime ambiental, não há margem para complacência.
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