(Foto: Reprodução /Agência Brasil)
Manaus (AM) – O Brasil vive um momento alarmante no que diz respeito à violência contra mulheres e meninas. Casos de feminicídio, agressões físicas, violência sexual e psicológica seguem em alta em diversas regiões do país, evidenciando a urgência de políticas públicas mais eficazes.
No Norte, a situação é ainda mais preocupante, marcada por desafios históricos como desigualdade social, dificuldades de acesso a serviços públicos e contextos territoriais complexos, com destaque para o estado do Amazonas.
No Amazonas, mulheres enfrentam barreiras adicionais para denunciar agressões e receber atendimento especializado, especialmente em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas.
A distância entre comunidades, a falta de infraestrutura e a escassez de serviços voltados ao acolhimento e à proteção das vítimas tornam o enfrentamento à violência de gênero um desafio constante.
Diante desse cenário, o Ministério das Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) firmaram uma parceria estratégica para fortalecer o combate à violência de gênero no país.
O acordo prevê ações prioritárias na Ilha do Marajó, no Pará, e no território Yanomami, que se estende pelos estados do Amazonas e de Roraima.
A iniciativa contará com um investimento de R$ 6 milhões e será executada entre janeiro de 2026 e dezembro de 2028, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
O principal objetivo do programa é fortalecer o Ministério das Mulheres e as redes locais de atendimento, ampliando a capacidade de prevenir e enfrentar a violência contra mulheres e meninas em contextos de alta vulnerabilidade social e territorial.
Entre as estratégias previstas estão a melhoria no uso de dados e informações sobre a situação das mulheres e meninas, permitindo que políticas públicas sejam formuladas com base em evidências.
Além disso, o programa busca ampliar a capacidade técnica de instituições públicas, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias para lidar com casos de violência de gênero de forma mais eficiente e sensível às realidades locais.
Na Ilha do Marajó, os dados revelam um cenário crítico, com altas taxas de gravidez na adolescência, exploração sexual de crianças e adolescentes e uma grande carência de serviços especializados para mulheres em situação de violência.
Já no território Yanomami, a violência baseada no gênero é agravada pela crise humanitária enfrentada pela população indígena, marcada pela insegurança alimentar, pelos impactos do garimpo ilegal e pelas dificuldades de acesso a serviços públicos que respeitem as especificidades culturais.
Segundo o Ministério das Mulheres, a expectativa é que a parceria contribua para fortalecer a capacidade da pasta na formulação, implementação e monitoramento de políticas de enfrentamento à violência de gênero, além de melhorar as redes locais de atendimento nos dois territórios.
A iniciativa representa um passo importante para garantir proteção, dignidade e direitos às mulheres e meninas do Norte do país, especialmente no Amazonas, onde o enfrentamento à violência ainda exige respostas urgentes e articuladas.
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