Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Coren-AM mantém registro ativo de técnica suspensa pela Justiça no caso Benício

Decisão judicial de dezembro determinou afastamento por 12 meses durante investigação da morte do menino.

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(Foto: Divulgação/Técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia)

Manaus (AM) – O registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua constando como ativo no site do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), mesmo após decisão judicial que determinou a suspensão do exercício profissional por um ano.

A medida foi adotada em dezembro de 2025, no contexto das investigações sobre a morte do menino Benício, ocorrida em Manaus.

A criança morreu no dia 23 de novembro, após receber adrenalina por via intravenosa durante atendimento hospitalar. Conforme as investigações, a via de administração e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico apresentado. Após a aplicação do medicamento, Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

Em dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), o Coren-AM, além das secretarias estadual e municipal de Saúde, fossem oficiados para garantir o cumprimento da suspensão das profissionais envolvidas.

No entanto, uma consulta recente aos sistemas dos conselhos revelou divergência no cumprimento da decisão judicial. Enquanto o registro da médica Juliana Brasil Santos aparece como suspenso, em conformidade com a ordem judicial, o da técnica Raiza Bentes Praia segue ativo, o que pode caracterizar descumprimento da determinação.

Além da suspensão do exercício profissional por 12 meses — prazo que pode ser prorrogado —, a decisão judicial impôs outras medidas cautelares às profissionais, como:

  • Comparecimento mensal em juízo para justificar atividades;

  • Proibição de sair da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial;

  • Manutenção de distância mínima de 200 metros da família da vítima e de testemunhas.

 CASO BENÍCIO

Benício foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite, segundo o pai, Bruno Freitas. A médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, de 3 ml a cada 30 minutos.

A família afirmou que questionou a técnica de enfermagem sobre a aplicação do medicamento, já que a criança nunca havia recebido adrenalina pela veia, apenas por nebulização. Ainda assim, a técnica teria informado que cumpriria a prescrição médica.

Após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita, sendo levado para a sala vermelha. A oxigenação caiu para cerca de 75%, uma segunda médica foi acionada e houve solicitação de vaga em UTI. A transferência ocorreu no início da noite.

Na UTI, o estado clínico se agravou, e Benício foi intubado por volta das 23h, momento em que sofreu as primeiras paradas cardíacas. O quadro permaneceu instável, com novas intercorrências, até que a criança morreu às 2h55 do domingo.

Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvidas e instaurou investigação interna por meio da Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.

 

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