Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Governo Federal tem 45 dias para apresentar plano de memorial para Bruno Pereira e Dom Phillips

MPF e entidades indígenas querem memorial no Vale do Javari como símbolo de memória, verdade e não repetição.

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(Foto1: Divulgação montagem-Funai)

Manaus (AM) – Quase quatro anos após os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a pressionar o governo federal por uma resposta concreta diante de um dos crimes mais emblemáticos da Amazônia recente. Desta vez, a cobrança vai além da responsabilização criminal: o órgão quer que o Estado brasileiro reconheça oficialmente sua omissão no caso.

Em recomendação enviada à Presidência da República e a quatro ministérios, o MPF defende a construção de um memorial no exato local onde Bruno e Dom foram assassinados, às margens do Rio Itacoaí, no Vale do Javari. A proposta é respaldada por organizações indígenas, entidades de liberdade de imprensa e instituições de direitos humanos.

Mais do que um monumento simbólico, o pedido escancara um constrangimento político: o Estado brasileiro é acusado de falhar antes, durante e depois do desaparecimento da dupla, em junho de 2022. O documento menciona a demora nas buscas e a ausência de respostas efetivas diante das ameaças constantes enfrentadas por defensores indígenas e jornalistas na região.

A recomendação foi assinada por entidades como a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, Repórteres Sem Fronteiras, ARTIGO 19, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e o Instituto Dom Phillips.

O governo terá 45 dias para apresentar um plano de execução da obra, garantindo participação dos familiares das vítimas e consulta às comunidades indígenas da região. A previsão é que o memorial esteja concluído até 3 de julho de 2026, prazo alinhado aos trabalhos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A recomendação também solicita que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional avalie transformar a área em patrimônio cultural brasileiro, reconhecendo o valor histórico e espiritual do território para os povos indígenas do Javari.

O ponto mais sensível do documento, no entanto, está nas críticas diretas à resistência de órgãos militares. Segundo o MPF, tanto o Comando Militar da Amazônia quanto a Marinha alegaram dificuldades técnicas para erguer o memorial, citando instabilidade do solo e variações do nível do rio. Para as entidades signatárias, o argumento revela a falta de prioridade política dada à reparação simbólica do caso.

A pressão internacional também pesa sobre Brasília. A recomendação se apoia em medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que já havia cobrado do Brasil ações de proteção a Bruno, Dom e integrantes da Univaja antes mesmo da confirmação das mortes.

O caso Bruno e Dom tornou-se símbolo global da vulnerabilidade da Amazônia diante do avanço do crime ambiental, da pesca ilegal e da ausência do Estado em áreas estratégicas da fronteira amazônica. A criação do memorial, defendem as organizações, não pode ser tratada como um gesto protocolar, mas como reconhecimento oficial de que o país falhou em proteger quem denunciava crimes na floresta.

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As autoridades notificadas têm 30 dias para informar se irão acatar a recomendação do MPF.

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