Ismael Munduruku e Wilson Lima, candidatos ao Senado pelo Amazonas, durante debate eleitoral (Fotos: Divulgação)
Manaus (AM) – O candidato ao Senado Ismael Munduruku (Rede) encerrou sua participação no debate do NC Eleições 2026, nesta quinta-feira (17), com um dos ataques mais duros contra o ex-governador Wilson Lima (União Brasil). Nas considerações finais, Ismael afirmou que uma eventual derrota de Wilson na disputa pelo Senado poderia levá-lo à prisão e questionou o interesse do ex-governador em conquistar uma cadeira no Congresso.
“Não podemos mandar para lá pessoas que querem ser senadores pela imunidade parlamentar e para não ir para a cadeia”, afirmou Munduruku. Em seguida, direcionou a declaração a Wilson: “Nós temos aqui um futuro presidiário se perder a eleição para o Senado”.
A declaração foi feita no momento em que Ismael criticava os grupos políticos que, segundo ele, comandam o Amazonas há anos. O candidato acusou as administrações estaduais de terem deixado o Estado em uma situação de abandono e afirmou que o Amazonas estaria sendo “saqueado” e “destruído”.
Munduruku também se apresentou como uma alternativa aos grupos tradicionais. Durante o discurso, destacou sua origem indígena, disse ser “filho da floresta” e relembrou a trajetória até Manaus, onde afirmou ter buscado formação universitária e oportunidades de trabalho. O candidato declarou ainda que financia a própria campanha e que não utiliza recursos públicos ou verba partidária.
Ataque de Ismael mira processo no STJ
Ao associar a candidatura de Wilson à possibilidade de prisão, Ismael fez referência ao processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.
Wilson Lima é réu na Ação Penal 993, aberta em 2021 após o STJ receber denúncia do Ministério Público Federal. O caso envolve a aquisição de 28 respiradores pelo Governo do Amazonas e apura supostas irregularidades na compra dos equipamentos. Segundo o STJ, a denúncia apontou indícios de participação de Wilson no processo de aquisição.
O processo, porém, ainda não resultou em condenação. A existência da ação penal não significa que Wilson tenha sido considerado culpado, e o julgamento do mérito ainda precisa ser concluído pela Justiça.
O episódio dos respiradores voltou a ser explorado durante o debate e se transformou em um dos principais pontos de confronto envolvendo o ex-governador. Antes das considerações finais, Wilson também foi questionado por outros candidatos sobre sua passagem pelo governo, incluindo questões relacionadas à saúde e à educação.
Críticas à gestão durante a pandemia
No discurso, Ismael também retomou a crise de oxigênio enfrentada pelo Amazonas durante a segunda onda da Covid-19. O candidato responsabilizou politicamente o governo estadual pela condução da crise e afirmou que não seria aceitável levar ao Senado integrantes de grupos que, segundo ele, deveriam responder pelos problemas ocorridos durante a pandemia.
Foi nesse contexto que Munduruku relacionou diretamente Wilson ao processo dos respiradores e fez a declaração sobre uma possível prisão caso o ex-governador não consiga a vaga no Senado.
A fala de Ismael ocorreu em um debate que reuniu seis candidatos ao Senado pelo Amazonas: Wilson Lima, Eduardo Braga, Plínio Valério, Capitão Alberto Neto, Professora Evany e o próprio Ismael Munduruku. O encontro teve cinco blocos, com discussões sobre temas como infraestrutura, saúde, educação, segurança e questões de interesse do Estado.
O confronto colocou o passado de Wilson no governo novamente no centro da disputa eleitoral. Além das críticas de Ismael, o ex-governador foi alvo de questionamentos de outros candidatos ao longo do debate, incluindo cobranças sobre os resultados da educação e sobre a compra dos respiradores durante a pandemia.
Confira o vídeo:
(*) Estagiário sob supervisão do jornalista e editor-chefe Isac Sharlon
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