(Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – A falta de profissionais especializados e a atuação de estagiários sem supervisão técnica adequada estão entre os problemas apontados pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) na gestão dos museus públicos estaduais. Diante do cenário descrito no procedimento, o órgão recomendou medidas corretivas à Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), colocando em discussão a estrutura oferecida pelo Estado para preservar o patrimônio cultural e atender a população.
A Recomendação nº 0007/2026/46PJ, publicada no Diário Oficial do MPAM em 27 de outubro de 2026, está vinculada ao Procedimento Preparatório nº 06.2026.00000423-9, que apura uma suposta omissão administrativa na gestão dessas unidades. A Secretaria de Cultura e a Diretoria de Museus aparecem como investigadas no documento.
Segundo a descrição do procedimento, os museus estaduais estariam operando em 2026 sem profissionais legalmente habilitados em seus quadros técnicos, como museólogos e historiadores. A administração das unidades seria exercida majoritariamente por turismólogos, enquanto atividades educativas e de atendimento ao público seriam realizadas por estagiários sem supervisão técnica considerada adequada.
O quadro descrito pelo MPAM levanta questionamentos sobre as condições de trabalho das equipes e os mecanismos utilizados para garantir a preservação dos acervos. O documento aponta que a situação poderia comprometer a proteção do patrimônio cultural, embora não apresente, no trecho consultado, comprovação de dano específico.
Patrimônio público exige estrutura adequada
Museus não se limitam à exposição de objetos históricos. Essas instituições também desempenham funções de pesquisa, conservação, educação e difusão cultural. Por isso, a composição das equipes e a existência de supervisão técnica são pontos relevantes para avaliar a capacidade do poder público de manter esses espaços.
A presença de estagiários, isoladamente, não caracteriza irregularidade. A questão apontada na apuração é a alegada ausência de supervisão técnica adequada e de profissionais especializados nos quadros das unidades. Se confirmada, essa condição exige esclarecimentos sobre como são conduzidas as atividades de conservação, pesquisa e atendimento aos visitantes.
O documento, porém, não detalha quantos museus seriam afetados, o número de profissionais disponíveis ou a dimensão de eventuais deficiências. Esses dados são necessários para compreender a extensão do problema e verificar se a estrutura atual atende às necessidades das instituições.
MP recomenda providências corretivas
A Recomendação nº 0007/2026/46PJ foi expedida no âmbito do procedimento preparatório e faz referência a uma decisão proferida em 18 de setembro de 2026. O documento recomenda a adoção de providências corretivas para resolver o objeto da apuração.
A medida aumenta a cobrança por esclarecimentos da Secretaria de Cultura sobre a estrutura dos museus estaduais. É necessário informar quais unidades estão abrangidas, quantos profissionais especializados integram as equipes, como funciona a supervisão dos estagiários e quais ações foram adotadas após a recomendação.
Também é importante esclarecer se existe planejamento para reforçar os quadros técnicos e quais medidas garantem a conservação dos acervos e a qualidade das atividades educativas.
A recomendação, por si só, não comprova dano ao patrimônio nem permite afirmar que houve descumprimento de determinação definitiva. O ponto central, agora, é verificar a resposta da gestão estadual e se as providências recomendadas resultarão em mudanças concretas na estrutura dos museus públicos do Amazonas.
Confira:
LEIA MAIS:





