Manaus, 3 de novembro de 2026
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Cenário

Vereadores cobram solução após suspensão do Passe Livre Estudantil em Manaus

Parlamentares criticam impasse entre Governo do Amazonas e empresas de ônibus e alertam para prejuízos aos estudantes da rede estadual.

Sessão Plenária - 03/11/2026 CMM (Foto: CMM)

Manaus (AM) — A suspensão da liberação de novos créditos do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual provocou cobranças de vereadores durante sessão da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (3). Os parlamentares criticaram a falta de acordo entre o Governo do Amazonas e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e apontaram prejuízos às famílias que dependem da gratuidade para garantir o deslocamento dos estudantes.

O vereador Jaildo Oliveira (PV) cobrou explicações do governo estadual e destacou que muitos pais já organizam a rotina dos filhos considerando o benefício.

“Temos que cobrar! Porque a mãe e o pai já contam, já contam com esse passe para o filho dele ir para a aula. E aí você normalizar isso como normal, e o governo do Estado dá só uma nota e não prova nada que pagou, isso é um absurdo”, afirmou.

Vereadores cobram responsabilidade

O vereador Capitão Carpê (PL) questionou a atuação da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) na fiscalização dos repasses e afirmou que os estudantes são os principais prejudicados pela divergência entre o poder público e as empresas de transporte.

“Aí fica, a prefeitura de um lado fala uma coisa, o governo fala outra, as empresas falam outra coisa, o Sinetram fala outra. E quem é que se lasca no meio de tudo isto? É o aluno. É o aluno que não consegue sobressair e ir para a escola”, declarou.

Já o vereador Zé Ricardo (PT) cobrou uma solução para o problema e destacou que o transporte coletivo é um serviço essencial, previsto entre os direitos sociais.

“Nós estamos a falar de um dos principais serviços municipais de responsabilidade do município, que é o transporte coletivo. O transporte está lá no rol de direitos sociais. Transporte é considerado serviço essencial. Quando é essencial, é um serviço assim que está acima de outros na hora da prioridade”, afirmou.

Empresas alegam falta de pagamento

A suspensão dos novos créditos foi anunciada pelo Sinetram na segunda-feira (2). A entidade afirma que o Governo do Amazonas possui pendências financeiras relacionadas ao custeio do Passe Livre e que as empresas não têm condições de continuar fornecendo o benefício sem receber os valores correspondentes.

Na terça-feira (3), representantes do sindicato informaram que a cobrança administrativa contra o Estado chega a R$ 36,9 milhões, considerando os cálculos pela tarifa pública.

O Governo do Amazonas, por sua vez, afirma estar em dia com os pagamentos de 2026 e informa ter destinado R$ 27 milhões ao benefício neste ano. A divergência envolve valores referentes a 2025, cuja cobrança é contestada pelo Estado na Justiça.

Os estudantes que ainda possuem créditos disponíveis nos cartões podem utilizar normalmente as passagens já liberadas. A suspensão, portanto, afeta a disponibilização de novos créditos.

Salazar cobra recuperação de rua na zona Norte

Durante a sessão, o vereador Sargento Salazar (PL), também deputado federal eleito, cobrou o prefeito Renato Junior (Avante) por melhorias na rua Timbaúba, no bairro Colônia Terra Nova, zona Norte de Manaus.

O parlamentar afirmou que a via apresenta condições precárias de tráfego e relatou a morte de um idoso que teria caído em um buraco. Segundo Salazar, 13 requerimentos já foram apresentados solicitando providências para o local.

“Pessoas já estão se mudando porque não têm condições de morar nessa rua que fica localizada na Terra Nova e foram 13 requerimentos que nós solicitamos. E um recado, Renato Júnior: onde eu estiver, eu irei lhe cobrar”, declarou.

Zé Ricardo aborda discussão sobre apostas

Outro assunto discutido foi a proposta de proibição das apostas esportivas, conhecidas como bets. Zé Ricardo comentou a audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3), sobre os impactos da Medida Provisória nº 1.394/2026.

O vereador defendeu medidas de proteção às famílias, principalmente às pessoas de baixa renda, e criticou os interesses econômicos envolvidos no setor de apostas.

“Mas as famílias agradecem. Os mais pobres agradecem. Quem está prejudicado, teoricamente, não é prejudicado, e está aí a revoltar-se, é meia dúzia de pessoas a serem beneficiadas: pessoas famosas, artistas, jogadores, entidades nacionais, meios de comunicação poderosos”, concluiu.

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