Rodoviários aprovaram greve por tempo indeterminado, prevista para começar na segunda-feira (9), em Manaus (Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – Os trabalhadores do transporte coletivo de Manaus anunciaram uma greve geral por tempo indeterminado, com início previsto para a próxima segunda-feira (9), à 0h01. A decisão foi aprovada durante assembleia realizada na quarta-feira (4) e poderá comprometer a circulação dos ônibus na capital amazonense.
A mobilização envolve motoristas e cobradores, que reivindicam a regularização dos pagamentos realizados pelas empresas de transporte coletivo. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Coletivo Urbano e Rodoviários de Manaus e Região Metropolitana (STTRM), os atrasos salariais têm sido recorrentes e prejudicam o orçamento dos trabalhadores e de suas famílias.
Sindicato confirma paralisação e prepara mobilização
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir de Oliveira Silva, convocou uma coletiva de imprensa para esta sexta-feira (6), às 9h, na sede da entidade, para apresentar os motivos da greve e detalhar as reivindicações da categoria.
O sindicato informou que está adotando os procedimentos previstos na legislação trabalhista para a realização do movimento, incluindo a comunicação antecipada aos envolvidos.
Apesar da decisão de greve, a entidade afirma que permanece aberta ao diálogo e às negociações até a data prevista para o início da paralisação.
Atrasos salariais voltam a provocar crise no transporte
A nova ameaça de paralisação ocorre em meio a uma sequência de conflitos entre rodoviários, empresas de ônibus e o poder público envolvendo o financiamento do transporte coletivo de Manaus.
Em julho deste ano, a categoria já havia realizado uma greve por tempo indeterminado, alegando descumprimento dos prazos de pagamento dos salários. Na ocasião, o Sinetram afirmou que foi surpreendido pela paralisação e declarou que buscaria medidas judiciais para restabelecer o serviço.
Em outra negociação, a Prefeitura de Manaus informou que o Governo do Amazonas havia repassado R$ 18 milhões referentes a parte dos valores do Passe Livre Estudantil da rede estadual. O prefeito Renato Junior cobrou que as empresas utilizassem os recursos para quitar os pagamentos dos trabalhadores.
Em agosto, uma nova ameaça de greve foi suspensa após as empresas confirmarem o pagamento dos salários. O episódio reforçou a instabilidade nas relações entre trabalhadores, concessionárias e administração pública.
Greve pode afetar trabalhadores e estudantes
Caso seja confirmada, a paralisação deverá atingir diretamente milhares de pessoas que dependem dos ônibus para chegar ao trabalho, às escolas, às universidades e aos serviços de saúde.
A possibilidade de interrupção preocupa principalmente os passageiros que utilizam o transporte coletivo nas primeiras horas da manhã e não possuem alternativas de deslocamento.
Até o momento, não há confirmação sobre eventual circulação parcial da frota ou definição de linhas que poderão operar durante o movimento. Essas condições dependem das negociações e das medidas que forem estabelecidas para a paralisação.
Transporte coletivo é considerado serviço essencial
A legislação brasileira reconhece o transporte coletivo como serviço essencial. A Lei nº 7.783/1989 estabelece regras específicas para greves nesse tipo de atividade, incluindo a obrigação de comunicação prévia com antecedência mínima de 72 horas.
A legislação também prevê a manutenção de serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da população.
Até a publicação desta reportagem, a greve permanecia anunciada para segunda-feira (9), sem confirmação de acordo que garantisse a continuidade integral do transporte coletivo em Manaus.
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