Manaus, 15 de junho de 2024
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Manaus, 15 de junho de 2024

Política

Apenas quatro dos oito deputados federais do Amazonas têm formação superior

Saiba qual é o nível de escolaridade dos oito deputados que compõem a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional.

Apenas quatro dos oito deputados federais do Amazonas têm formação superior

Amom Mandel, Fausto Jr., Adail Filho e Saullo Vianna não possuem diploma de conclusão de curso superior (Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – Entre os oito deputados federais eleitos pelo Amazonas em 2022, quatro têm formação em ensino superior. Por meio de uma rápida consulta ao registro de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (Divulgacand) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitores podem conferir o grau de instrução dos representantes que elegeram para a Câmara dos Deputados.

Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Silas Câmara (Republicano) e Sidney Leite (PSD) completaram cursos em instituição de ensino superior.

Átila Lins

Irmão do ex-deputado estadual Belarmino Lins, Átila é economista e advogado e se mantém no cargo desde 1990.

A estratégia de Átila para garantir o título de deputado mais longevo na Câmara pode estar ligada ao financiamento de obras e recursos para as bases eleitorais no interior do Amazonas, por meio de emendas do “centrão”.

Alberto Neto

Eleito na esteira da defesa da segurança pública, o policial militar Alberto Neto é presidente do PL Manaus.

Ele tem bacharelado em Segurança Pública pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Direito pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), com pós-graduação em Gestão Pública (UEA), Ciências Jurídicas (UNICID), Docência no Ensino Superior (La Salle) e Gestão Pública aplicada à Segurança.

Silas Câmara

Silas Câmara é um dos representantes da base evangélica no Parlamento. Bacharel em Ciências Teológicas e Jornalismo pela Faculdade Boas Novas – instituição gerida pela própria família – Silas não finalizou o curso de Direito pela Faculdade Euro-Americana em Brasília, conforme biografia disponível no portal da Câmara dos Deputados.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu o procedimento que apurava desvios de recursos da Câmara para pagamento de assessores do deputado (prática conhecida como “rachadinha”), nos anos de 2000 e 2001.

Sidney Leite

Sideney Leite formou-se em Jornalismo pela instituição provada Uninorte. Ele integra o grupo de trabalho que analisa as propostas de reforma tributária em tramitação no Congresso, com atenção à defesa do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM).

No meio do caminho

Amom Mandel (Cidadania), Adail Filho (Republicanos) e Fausto Jr (União) figuram entre os parlamentares que não finalizaram curso em instituição de nível superior. Saullo Vianna (União) tem apenas o Ensino Médio completo.

Candidato mais votado do Brasil em termos proporcionais, com 288.555 votos (14,5% do total de votos válidos do Amazonas), o ex-vereador Amom elegeu-se para o primeiro cargo público defendendo a pauta da tecnologia, estratégia para angariar votos entre o eleitorado jovem.

Na biografia do parlamentar no portal da Câmara dos Deputados, consta que Amom cursou Direito na Universidade Federal do Amazonas (incompleto) e Gestão Pública na Faculdade Estácio (incompleto).

Adail Filho

Sucessor de uma dinastia que ocupa há décadas os principais cargos políticos de Coari (a 368 quilômetros de Manaus), Adail Filho registrou-se como empresário no TSE. Ele e Saullo Vianna também fazem parte da equipe que avalia as propostas de reforma tributária no Congresso.

Em novembro de 2020, renunciou ao cargo de prefeito de Coari, ao qual havia sido eleito em 2016, alegando problemas de saúde. Adail tem registro de formação incompleta em curso superior, segundo dados do Divulgacand.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do parlamentar e também por meio do número do candidato informado em perfil nas redes sociais, mas não obteve retorno.

Já Fausto Jr. exerceu mandato na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) entre 2019 e 2022. A assessoria do deputado informa que ele é bacharel em Direito, mas não informou por qual universidade.

Na época, integrou o nicho do MDB que apoiava o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Tanto Amom quanto Fausto têm ligações familiares com o judiciário amazonense. A avaliação é que ambos conseguiram se eleger graças à “mãozinha” que receberam de nomes de peso.

No caso de Amom, o conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Mario de Mello, e do desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Domingos Chalub, respectivamente padrasto e avô do parlamentar.

Já Fausto Jr é filho de Yara Lins, conselheira e ex-presidente do TCE-AM.

Defesa da cidadania

“A formação em curso superior é muito importante para a governança de um país, de uma cidade ou estado, e também para a representação do povo. Mas não é essencial dentro de um Estado democrático de direito”, pontua o cientista político Carlos Santiago. “O essencial na representatividade política é a cidadania”.

Esse conceito inclui a defesa da ética e do bem comum, dois princípios que fogem à conduta de muitos “doutores e bacharéis” que representam a si mesmos em cargos políticos. “Faltam pessoas que, de fato, exercitem a política observando os interesses do país, estados e municípios. Num país onde ocorrem escândalos como mensalão, petrolão e orçamento secreto promovidos por agentes públicos com títulos universitários e interesses particulares”.

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