MANAUS, AM – Apesar de os políticos defenderem causas e ideias diferentes, uma coisa todos eles têm em comum: as promessas. Durante as campanhas eleitorais e até mesmo no decorrer dos mandatos, os parlamentares costumam fazer promessas mirabolantes para a população.
Na última terça-feira (31), o prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou que pretende construir paradas de ônibus com ar-condicionado em Manaus. Esse era um desejo antigo do ex-prefeito Arthur Neto, que chegou a gastar R$ 207 mil em uma parada com ar-condicionado na Ponta Negra e, na época, foi muito criticado pelo investimento.
“Vamos fazer a recomposição de 50 terminais de ônibus nos bairros. Além de um modelo de parada de ônibus com ar- condicionado, mas agora, estamos trabalhando com o orçamento da gestão anterior – isso nos limita muito. Para o ano que vem, vamos ter R$ 6 bilhões de orçamento, nesse momento, vocês começaram a ver a gestão do David Almeida. Manaus, ano que vem, vai se transformar em um canteiro de obras, além de receber o melhor Natal de todos os tempos, com a cidade mais iluminada do país!”, destacou o atual prefeito.

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De monotrilho à parada com ar-condicionado: relembre as promessas dos políticos que não saíram do papel:
Promessas como monotrilho, BRT, aeromóvel e até mesmo venda de água do rio Amazonas foram umas das ideias dos políticos que passaram pela gestão da Prefeitura de Manaus e até mesmo do Governo do Amazonas.
O Portal Amazonas 1 separou algumas das ideias que ainda hoje são relembradas pelos manauaras e o que era para ser uma melhoria de vida para a população, não saiu do papel.
Monotrilho fantasma
O projeto foi apresentado pelo Governo do Amazonas durante a gestão de Eduardo Braga, em 2009. Na época, o governo afirmou que o sistema iria atender 170 mil pessoas, além de reduzir o tempo de deslocamento dos passageiros em até 1 hora.

O monotrilho é uma espécie de metrô de superfície que ligaria a primeira etapa do bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, ao Centro da cidade, na zona Sul. O monotrilho ainda iria passar pela avenida Constantino Nery, zona Centro-Sul.
Em 2009, o governo estimou que seria utilizado o valor R$ 1,3 bilhão para a construção do monotrilho, obra que seria financiada pelos recursos do governo federal, além do BNDES e BID e iniciativa privada. Ainda na época, o objetivo era que a primeira etapa do monotrilho fosse entregue em 2013, com 20 quilômetros e nove estações.
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A segunda fase da obra estava prevista para ocorrer em 2014 e estenderia o monotrilho até a Igreja da Matriz, no Centro. O objetivo do governo era fechar um anel, com o monotrilho ligando todas as zonas de Manaus.
Mas os planos não foram realizados e, mesmo com a obra atrasada, a Justiça Federal do Amazonas cancelou a licitação do monotrilho em 2013. A decisão foi acatada após o Ministério Público Federal encontrar quatro irregularidades no processo de licitação aberto pelo governo estadual em 2010.
O MPF concluiu que a licitação não atendia os quesitos previstos em lei, assim explicou o procurador Jorge Medeiros. Além disso, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União ainda afirmaram que o sistema de transporte de Manaus estaria saturado pouco tempo após entrar em operação.
Nem monotrilho, nem BRT
Outra obra que não saiu do papel foi o sistema BRT em Manaus. O projeto foi discutido durante a gestão de Amazonino Mendes na Prefeitura de Manaus e seria uma das opções de transporte para a Copa do Mundo de 2014.
Em 2010, Amazonino contratou a empresa Vetec Engenharia para prestar serviços de engenharia e consultoria para os estudos de planejamento. O valor pago pelo então prefeito foi de R$ 11.948.601,83, e ficou a cargo da empresa elaborar um projeto funcional e básico para a construção do BRT.

Além do BRT, a empresa ficou encarregada de construir corredores exclusivos para os ônibus, os quais ligariam a zona Leste ao Centro da cidade. Em 2012, o projeto do BRT foi deixado de lado e o prefeito Arthur Neto iniciou uma nova obra, o “Sistema Expresso”.
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Em 2015, o então prefeito de Manaus esteve na Colômbia para conhecer o Transmilenio, e já observava o projeto para tentar voltar com a ideia do BRT em Manaus. Durante a visita, ele ainda destacou que as obras do BRT se iniciariam em 2017, o que nunca aconteceu.
“Dois mil e dezessete é o marco zero da implantação do BRT. Por isso, viemos conhecer o sistema, seus números, erros e acertos para entendermos que é o melhor modal. Queremos em quatro anos apresentar um bom resultado de mudança tecnológica, de costumes e de eficácia no transporte de massa para o povo manauara”, afirmou Arthur Neto.

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Ainda em 2018, a Prefeitura de Manaus recebeu uma proposta de um consórcio de empresas para implantar o chamado BRT 2.0. No entanto, após uma longa discussão sobre a implantação do BRT, em 2019, os vereadores da barraram o projeto na Câmara Municipal de Manaus, pela justificativa de que não havia orçamento para a construção.
Comercialização da água do Rio Amazonas
Em 2015, quando as regiões Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil enfrentavam uma crise hídrica, o então governador do Amazonas, José Melo, sugeriu que o Estado vendesse as águas da foz do rio Amazonas, como uma maneira de ajudar as outras regiões do país. Na época, ele sugeriu que fossem construídos tubos para que a água do rio pudesse chegar às regiões do Brasil.
“Defendo levar água da foz do Amazonas para o Nordeste e para o Sul e Sudeste brasileiro. Para abastecer os reservatórios nos períodos de estiagem, para fazer grandes reservatórios no Nordeste para abastecer o rio São Francisco e fazer com que ele volte a ser o que era. E não venham me dizer que não é possível porque você sabe que o petróleo e o gás produzidos na Rússia são transportados por polidutos de quilômetros e quilômetros. Por que não fazer simples tubos, com bombas de recalque para levar água para essas regiões?”, comentou Melo.
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O ex-governador afirmou que percebia que navios atracavam próximo ao Encontro das Águas para pegar água doce da região e comercializam. Em discurso na Assembleia Legislativa do Estado, ele ainda comentou que lutaria para que o Amazonas lucrasse com a venda das águas.
“Os navios vêm do mar com lastros de água salgada. Eles chegam, jogam a água fora, lavam os tanques e saem daqui levando água doce para levar (vender) para fora. Se está sendo feito nas nossas barbas, sem ganharmos nada com isso, porque não podemos lucrar com isto? Por isso eu vou lutar”, declarou.
Aeromóvel em Manaus?
Não tão comentado como o monotrilho e o BRT, o aeromóvel foi uma das alternativas pensadas para o transporte público em Manaus. Em 2017, o vice-prefeito Marcos Rotta visitou o projeto que estava sendo construído em Canoas (RS).

O sistema tinha um trajeto de 18 quilômetros de linha e 26 estações. O aeromóvel tinha capacidade para atender até 12 mil passageiros por hora e 82 mil por dia.
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A primeira etapa da construção custou R$ 5,2 milhões e foi financiada pela Caixa Econômica Federal, com o prazo de execução de oito meses. No entanto, em 2017, a prefeitura suspendeu a licitação para a construção do sistema, por tempo indeterminado.
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