(Foto: Jonas Pereira /Agência Senado)
Manaus (AM) – Os discursos dos senadores no Plenário do Senado Federal estão mais curtos e com menos interrupções, indicando uma adaptação à lógica das redes sociais e ao público virtual. A conclusão é de um estudo da Consultoria Legislativa do Senado que analisou pronunciamentos entre 2007 e 2024.
A pesquisa, intitulada “Plenário, Palanque, Estúdio: discursos no Plenário do Senado Federal entre 2007 e 2024”, do consultor legislativo Pedro Duarte Blanco, aponta queda significativa no número de apartes, o que reduz o caráter dialogado das sessões e reforça um formato mais próximo do monólogo.
Segundo o estudo, há incentivo a falas mais planejadas e “clipáveis”, pensadas para circulação em vídeo nas redes, com menos improviso e menor margem para interação. Durante a pandemia, o formato remoto intensificou o uso de recursos retóricos e linguagem figurada.
A análise identifica três fases: maior volume de discursos entre 2007 e 2014; queda entre 2014 e 2021, com mínimo em 2020; e recuperação parcial a partir de 2021. Mesmo com a retomada, o tamanho das falas não voltou aos níveis anteriores. Em 2024, a mediana de palavras ficou abaixo da metade do registrado em 2007.
Em relação aos apartes, 2024 registrou pouco mais de 10% do volume observado em 2007, e mais de 90% dos discursos recentes ocorreram sem interrupções. Para o autor, parte do debate pode ter migrado para as comissões, embora o Plenário mantenha papel simbólico relevante.
O estudo também aponta aumento da produtividade legislativa: apesar da redução da atividade plenária, o número de proposições aprovadas subiu de 377, em 2007, para 519, em 2024. Blanco destaca que, além da deliberação, o debate público cumpre função de representação e contribui para a estabilidade política.
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