(Foto: Divulgação/TRE-PE)
Manaus (AM) – A política é um jogo multifacetado e as eleições municipais, por vezes, lembram o jogo de xadrez, porque é uma peça que você mexe no começo e, às vezes, vai ter uma ligação com várias jogadas posteriores. Ainda pode lembrar uma ultramaratona, pois precisa do primeiro passo, a fim de caminhar muitos quilômetros.
A definição é do professor e cientista político Helso Ribeiro, que destacou que todas as eleições têm uma ligação, quer seja antes ou depois do pleito, o jogo político está sendo jogado o tempo todo.
Conforme o cientista político, as eleições municipais servem de vitrine e, de fato, são; assim como as eleições estaduais, que também são mostruários dos pretensos candidatos.
Com essa definição, entende-se o porquê de pré-candidatos a prefeito, por exemplo, que não estão bem em pesquisas, sabem que não vão ser eleitos, mas querem estar no pleito para participar de debates, entrevistas, e terem o nome cada vez mais falado na imprensa.
E para candidatos pouco conhecidos, é o momento de pensarem em fazer uma pré-campanha, com isso, terem a oportunidade de serem chamados por um jornal, e ver o nome deles decolar de alguma forma.
“Muitas vezes, principalmente quando são candidaturas majoritárias, isso dá uma visibilidade grande. Então, a pessoa se candidata a prefeito, ela sabe que não tem chance, mas ela está pensando no Senado daqui a dois anos ou em ser deputado estadual ou deputado federal. É para ter visibilidade de fato”, reitera Helso Ribeiro, que ressalta que os políticos, em geral, têm acesso às pesquisas de intenção de voto.
Alianças
Neste caso, cabe bem a máxima de “quem não é visto, não é lembrado”. E nas articulações para governo do Estado, os candidatos usam as eleições municipais como um ensaio. Isso determina certas alianças, para além de certas conjunturas ideológicas individualmente ou pelos partidos que fazem parte de seu grupo político.
O cientista político destaca que “a proposta é colocar o nome nas páginas principais, e esse papel quem acaba por realizar é a imprensa. “Eles querem que vocês — a imprensa — falem deles, pelo menos nesse momento. Nesse momento, eles querem aparecer, querem estar lá nos destaques da notícia. Querem ser lembrados, eles têm que ser vistos”, pontua.
Fiasco
No entanto, não significa necessariamente que um candidato majoritário nessa eleição vai ser eleito para deputado estadual, deputado federal, senador. Ribeiro lembra que há candidaturas majoritárias que foram até bem, porém, nas outras eleições não houve êxito.
Candidatos que atualmente estão no jogo, como Marcelo Ramos (PT), que já disputou a eleição majoritária contra Artur Virgilio Neto nas eleições de 2016, foi até bem-votado; mas, foi derrotado, ficando em segundo lugar. Contudo, a visibilidade lhe garantiu vaga nas eleições de 2018, quando foi eleito deputado federal e conseguiu se destacar como vice-presidente da Câmara dos Deputados.
Outro político que pode ser tomado como exemplo é o pré-candidato a vereador de Manaus, o ex-deputado Luiz Castro (PDT), que concorreu ao cargo de senador pelo Amazonas. Na ocasião, Coronel Menezes (Progressista) também concorreu, mas os dois foram derrotados pelo senador Omar Aziz, que foi reeleito.
Contudo, o cientista político frisa que “há ainda políticos que não possuem quase nenhuma visibilidade, e é esse o momento de tentarem aparecer, tentarem mostrar uma identidade, uma característica”.
Quociente eleitoral
O cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Nascimento, explica que os partidos políticos ou a federação precisam alcançar o quociente eleitoral, sendo necessário “colocar muita gente para disputar a eleição e, assim, atingir o quociente eleitoral ”.
Como exemplo, Nascimento falou de Zé Ricardo (PT). Ele, na época, teve 89.017 votos para deputado federal, mas o PT e a federação não tiveram o quociente eleitoral e partidário mínimo que a legislação eleitoral exige e ele ficou de fora. O cientista social explica, ainda, que houve deputados federais que tiveram menos votos que ele e foram eleitos, porque atingiram o quociente eleitoral.
“A primeira tarefa é colocar candidatos, mesmo que não tenham potencial de ganhar a eleição, mas que esses possam puxar votos para somar no quociente eleitoral. Outro aspecto é lançar uma candidatura para fazer essa candidatura visível, por exemplo, lança um político para vereador, mas a expectativa dele é que ele seja candidato a deputado. Ele vai passar dois, três meses se apresentando à sociedade, fazendo discussão com a sociedade. Quando chegar na eleição para deputado, ele já terá sido identificado pela sociedade como um parlamentar ligado ao grupo político A, B ou C, e isso vai fazer com que ele tenha mais chances de ser votado”, contextualiza o sociólogo e professor da Ufam.
Além disso, há um terceiro aspecto que é importante destacar, conforme Antônio Nascimento, que é a importância do debate público sobre ideias e valores.
“Então, você vai ter um candidato de um partido que sabe que não conseguirá se eleger, porque não terá o quociente eleitoral, mas que pode trazer para o cenário político temas importantes. São desde a descriminalização do consumo de droga, ao socialismo, enfim, eles vão usar aquele tempo que eles têm para fazer o debate público que eles consideram ser necessário. E tem um papel fundamental, que é o de estimular a reflexão crítica da sociedade”, aponta Luiz Antônio.
LEIA MAIS:
- Em retorno à CMM, Isaac Tayah muda de casa e fica na base de David Almeida
- Base de apoio a David na CMM decide atacar governo Wilson Lima
- Base de David Almeida se divide em eleição da Câmara Municipal de Manaus





