Manaus (AM) – A indígena Lúcia Alberta Andrade, conhecida como Lúcia Alberta Baré, é a nova presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A nomeação foi oficializada na tarde de terça-feira (31), durante cerimônia que marcou a saída de Joenia Wapichana do comando do órgão.
Joenia deixa o cargo após gestão iniciada em fevereiro de 2023 e articula candidatura à Câmara dos Deputados por Roraima nas eleições de 2026. Ela também se desfiliou da Rede Sustentabilidade, partido ao qual esteve vinculada por nove anos, e ainda não anunciou nova filiação.
Joenia Wapichana e Lula. (Foto: Ricardo Stuckert /Assessoria PR)
A solenidade incluiu ainda a transmissão de cargo no Ministério dos Povos Indígenas (MPI), com a saída da ministra Sônia Guajajara e a posse de Eloy Terena, mantendo a condução da política indigenista sob lideranças indígenas.
Natural da região do Alto Rio Negro (AM), Lúcia Alberta tem formação em Ciências Sociais e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas. Atuou na Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira e foi assessora da presidência da Funai entre 2012 e 2016. Também integrou a equipe legislativa da deputada Joenia Wapichana e, desde 2023, ocupava a Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da fundação.
A escolha foi comemorada pela Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro, que destacou o caráter inédito da nomeação. Em nota, a entidade afirmou que Lúcia Alberta é a primeira mulher da região do rio Negro a presidir a Funai e classificou a indicação como um marco para o fortalecimento da representação indígena em espaços de decisão.
À frente do órgão, a nova presidente terá como principais desafios a proteção territorial, o fortalecimento institucional da Funai e a ampliação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável dos povos indígenas.