Henrique Oliveira revisita passado e tenta refazer trajetória: ‘hoje era para eu ser governador do estado’

Pré-candidato ao Governo do AM afirma que cassação da chapa com José Melo causou prejuízos na vida pessoal e política, mas que se vê em condições de retomar confiança do eleitor.
DA REDAÇÃO – PORTAL AM1
Publicado em 07/04/2022 09:34

José Henrique Oliveira é jornalista, tem 62 anos, é comunicador, empresário e presidente estadual do Podemos. Em 2008, foi o vereador mais votado em Manaus, em 2010 conquistou uma cadeira na Câmara Federal com mais de 86 mil votos e também já foi candidato à Prefeitura de Manaus e em 2014, foi eleito vice-governador do Amazonas, mas em janeiro de 2016 teve o mandato cassado junto ao ex-governador José Melo.

Em entrevista exclusiva ao Portal AM1, Henrique falou da sua pré-candidatura ao governo estadual e o desejo de reescrever sua história. Para ele, participar da campanha é fazer justiça, é ter a chance de falar com a população, de contar a verdade que, segundo ele, muitos não sabem; além de sentir o carinho e o respeito que ele diz sempre ter tido da população amazonense.

O pré-candidato falou, ainda, do ex-governador Amazonino Mendes, que para ele, já estava de pijama e só está no jogo porque outros o ‘empurraram’ para a disputa; além do atual senador Eduardo Braga, que foi o responsável pela cassação dele e do ex-governador José Melo.

AM1: Na última sexta-feira (1º), o senhor confirmou sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas pelo Podemos. Comente um pouco essa decisão pessoal. Por que quer ter a chance de ser governador?

Henrique: Olha, essa estrada é muito longa, é uma história que poucas pessoas conhecem. Eu entrei na política com 17 anos, política universitária, fui presidente de DCE (Diretório Central de Estudantes), líder estudantil. Na época, existiam apenas dois partidos praticamente: o MDB e o PDS. Eu fui presidente da ala jovem do PDS, fui chefe de gabinete de prefeito, chefe de governador de estado em Pernambuco, trabalhei na campanha de pré-candidato à presidência da República, participei da Constituinte de 87/88, chefiei gabinetes de deputados federais. Então, assim, eu tive uma bagagem e quando apareceu a oportunidade do jornalismo na minha vida, ele me trouxe popularidade porque é um jornalismo de televisão e aí percebi que poderia sair dos bastidores para um mandato eletivo. Tentei diversas vezes, fui candidato a vereador, a deputado; não me elegi. Até que veio uma explosão de votos, depois fui candidato a vice-prefeito, tive 72 mil votos, fiquei ali a 7 mil votos do segundo turno com o Arthur (Neto). Tive uma carreira muito grande, a política está dentro de mim, eu tinha uma musculatura muito forte e fui convidado pelo Melo (José) para ser candidato ao governo, nem conhecia o ex-governador Melo, mas eu sabia que como ele não tinha direito à reeleição era a oportunidade que eu tinha de assumir lá na frente o governo e ser candidato à reeleição. E eu pensei: ‘É minha oportunidade de pegar uma carona e, de repente, ele vai sair para o Senado e eu viro governador e eu vou realizar o grande sonho de todo mundo que entra na política’. Ninguém entra na política para ser vereador o resto da vida, ninguém entra num banco para ser Office Boy o resto da vida, as pessoas querem ter um crescimento e o meu crescimento era esse de ser governador.

AM1: O senhor se arrepende de ter sido vice na chapa do ex-governador José Melo?

Henrique: Infelizmente eu peguei uma carona errada, que a pessoa não estava preparada para se segurar, para enfrentar esse desafio e dizer: ‘Não, nós fomos eleitos com legitimidade e essa legitimidade vai fazer com que eu lute até o final pelo meu mandato’. Isso não existe (a cassação), tanto é que o governo do Melo foi o primeiro governo a ser cassado no Brasil.

AM1: Essa candidatura é uma forma de reescrever sua história política, vai fazer justiça?

Henrique: Eu quero ser governador, eu quero voltar. Existe um tema na minha campanha, que também era o tema dos meus programas de TV que se chamava: Restitui, que é uma música evangélica, que diz: ‘restitui, eu quero de volta o que é meu, sara-me e coloca o azeite em minha dor.’ Eu quero tudo o que foi arrancado de mim, por uma perseguição do nosso algoz que foi o Eduardo Braga, ele se movimentou de todas as formas e conseguiu, através das estratégias dele, que eu não as considero legítimas, conseguiu tirar o Melo e consequentemente me tirar, porque a chapa é insolúvel e indivisível e hoje eu quero buscar e sem pretensão, viu? As pessoas falam assim: “O Henrique está sonhando, como é que o Henrique vai ser governador contra uma máquina do Wilson Lima, contra um Amazonino Mendes que tem muitos mandatos?” Só que é uma felicidade tão grande que eu tenho nesse momento de ter um partido para que eu possa chegar lá na Zona Leste, na Zona Norte, na Zona Sul e conversar com as pessoas e dizer para eles que eu sou candidato, que aquele Henrique que ajudava, que é gente boa, que foi e ainda continua querido, as ruas mostram isso para mim, onde eu vou as pessoas querem me cumprimentar, em abraçar, me pedir uma selfie. Se isso vai se traduzir em votos é outra questão, as pessoas não estão preocupadas nesse momento em eleger ninguém, acho que até as pesquisas são precipitadas, seis meses antes das eleições você ter certeza que, por exemplo, o Amazonino está em primeiro lugar, o Wilson em segundo.

É a possibilidade que eu vou ter principalmente com um partido que tem tempo de televisão para eu poder ir para um debate e olhar frente a frente um Eduardo Braga da vida, por exemplo, que foi o grande causador da minha perda de mandato.

AM1: A cassação se deu por suposta compra de votos e foi proposta pela coligação adversária, do atual senador Eduardo Braga. Como o senhor vê o senador hoje em dia, no cenário político?

Henrique: Nossa cassação foi por compra de votos, mas a principal personagem da compra de votos, a Nair Blair, foi absolvida. Então assim, é muito contraditório. Eu pensei, inclusive, muitas vezes na possibilidade de entrar com um processo contra o Estado, por isso. Imagine, as perdas que eu tive, perdas pessoais, perdas financeiras, lucro cessante, questão moral que chacoalharam minha vida e não porque eu tivesse qualquer ligação, uma vez que as pessoas sabem que eu não tinha, eu fui simplesmente um carona. Hoje era para eu ser um governador do estado, mas isso não volta, não vão dizer: “É a Nair foi inocentada, realmente tudo foi uma armação do Eduardo, coloca o Henrique e o Melo de novo lá no poder”, não existe isso. Depois do que aconteceu passou David (Almeida), Amazonino, passou o Wilson. Então o prejuízo foi muito grande para mim, hoje eu não tenho nem estrutura para poder mover uma ação, que levaria anos para ser julgada, mas está muito patente na cabeça das pessoas, sabe que foi uma grande sacanagem que houve e eu quero levar essa minha verdade e dizer: “Eduardo, você não se arrepende do que você fez? Se você não tivesse perseguido a gente, o que teria acontecido na vida do David, qual será o futuro do Amazonino, será que existiria a figura Wilson Lima?”, e digo isso politicamente arrependido, porque hoje, o Eduardo está queimadíssimo, ele cavou a cova dele, ele sabe que tem uma rejeição enorme no eleitorado de Manaus, do Amazonas, talvez um pouco menor, mas quando você vê o crescimento do Wilson você consegue ver que as pessoas não querem que uma pessoa truculenta volte, que ‘xinga’ que não recebe ninguém, que é ignorante, para a classe empresarial, ele tinha os mesmos ‘amigos’, para o jornalismo o Eduardo é bom? Ninguém o quer, então ele cavou a sepultura dele.

AM1: Em 2018, o STF manteve seus direitos políticos apesar de ter sido cassado com o Melo. Comente um pouco:

Henrique: Essa decisão foi muito importante. Na época da cassação, eu briguei muito para ficar no cargo e, quando eu não consegui, quando foi mantida a cassação do vice também, eu fui buscar os direitos políticos, porque não aceitava de jeito nenhum; eu, como zero participação no processo, se você pegar o processo é possível ver que não aparece meu nome em momento nenhum, somente lá que a chapa era José Melo de Oliveira e José Henrique de Oliveira. E o ministro Lewandowski  (Ricardo) entendeu que eu não poderia ser penalizado por uma ação que foi realizada pelo ex-governador.

AM1: O senhor estava filiado ao PROS e chegou a afirmar que seria candidato pela sigla. Por que saiu? Explique:

Henrique: Eu fui um dos fundadores do PROS, ele nasceu no mesmo dia do que o Solidariedade e eu era deputado federal na época e eu tive a opção de ir para o Solidariedade porque eu tinha mais amigos, mais conhecidos e me sentia mais seguro dentro do Solidariedade. Eu fui para o Solidariedade e o Melo foi para o PROS e ele conseguiu se eleger pelo PROS porque o PMDB que era o governo na época ele não conseguiria porque o Eduardo não iria deixar. Quando aconteceu o que aconteceu com o Melo eu peguei o PROS para mim, o Melo ficou inelegível por oito anos e como eu era muito amigo do presidente da sigla eu fiquei com o PROS, só que agora recentemente o PROS foi tomado ali na nacional, tomaram o partido desse meu amigo (Eurípedes) e aí eu fiquei segurando até quando pude, esperando ele reverter, mas ele não conseguiu até hoje e eu só tinha até o dia 2 de abril, como não detentor de mandato, para fazer a mudança e eu já tinha outros planos para poder buscar um partido, porque a maioria foi cooptado. A Renata Abreu é minha amiga e eu consegui pegar um partido que tem direito a ir para debates nas emissoras e é isso que eu quero.

AM1: O Podemos está federalizado com algum partido hoje? Ele é considerado esvaziado por alguns analistas políticos. Como o senhor vê isso?

Henrique: Não, ele não está federalizado. Existem vários partidos que foram esvaziados, O PSB, por exemplo, perdeu até o Marcelo Serafim, o PP, o Átila saiu e a sorte é que o Wilson pegou e colocou lá o Marcos Rotta, o Reizo (Castelo Branco). A saída do próprio Moro (Sérgio) facilitou o fechamento do Podemos, porque tinha muita gente que não queria o Moro no Podemos, porque dificultava tantos os votos do Bolsonaro como o do Lula. O Podemos, aqui, a gente vai formar a chapa de deputado federal, lógico que com muita dificuldade de fazer um federal, mas vamos ter os nove candidatos a deputado federal, que é o que importa para poder ajudar a questão da cláusula de barreira no resto do país.

AM1: Pode dizer quais os nomes dessa chapa para federal?

Henrique: Sim. Temos a Vera Lúcia Castelo Branco, que é ex-deputada federal, o Roberto Sabino, que é ex-vereador e ex-deputado federal e a professora Renata, que é suplente de vereador, o meu filho também o Henrique Oliveira Filho, que já foi testado nas urnas e temos três mulheres para compor essa chapa, que é o que precisamos e tem alguns militares que se comprometeram com a gente, porque eles só podem se filiar na data da convenção, que são 45 dias antes. Estamos conversando com essas pessoas.

AM1: Como o senhor vê o cenário político hoje no Amazonas?

Henrique: Eu vejo com muita tristeza [..] essa dança de cadeiras que houve depois da nossa cassação, imagina quatro governadores em seis anos, é muita quebra de continuidade, são secretários, diretores trocados, são serviços que são colocados de lado, obras que não se concretizam. A população que sofre, até se conseguir colocar as coisas em ordem novamente, porque são diversos governos de transição que aconteceram e aí eu vejo por etapas. O Amazonino, por exemplo, como eu falo, ele estava de pijamas já, não tinha mais razão, faço um comparativo dele com aquele senhor que tem direito a empréstimo consignado, que tem várias financeiras que estão querendo empurrar um empréstimo para um senhor de 80 anos, aí vem um neto, um filho, alguém da família e fala: “vovô, eu queria comprar aquela moto para fazer um delivery, colocar no 99” e o avô cheio de boa vontade pega e faz o empréstimo e para mim é mais ou menos isso que o Amazonino está fazendo. Ele não quer ser governador, mas está todo mundo querendo empurrar um governo para ele que não tem mais necessidade alguma de ser governador.

O Plínio, em minha opinião, acabou de ser eleito e já está querendo ser governador, quer dizer, não cumpre um rito, a expectativa. E se tivesse sido um grande senador durante esses quatro anos, poderia dizer que ele está preparado, mas não foi isso que a gente viu, foi um senador modesto para não dizer outra palavra.

Eu acho que é um cenário de uma população que precisa buscar lá dentro de um museu, uma solução para problemas tão atuais, de uma pessoa que não vive em Manaus, como o caso do Amazonino. O Wilson vai ter que ser medido pelo trabalho que ele realizou, é um termômetro, quem tiver satisfeito com o Wilson vai votar nele. O Ricardo Nicolau tem as histórias dele, tem um passado de que sempre se elegeu através de um programa de saúde, mas tem todo o direito e legitimidade de ser candidato, mas eu acho que existe um furo grande, um corredor enorme para dizer assim: “não, não quero votar no Amazonino, não porque ele seja velho, mas porque não quero. Não quero votar no Wilson, no Eduardo (que acho que nem se viabiliza a candidato)”. Então entre Amazonino e entre o Wilson, tem eu que sempre ajudei as pessoas, que nunca ninguém ouviu falar mal de mim, não teve nada a ver com o que aconteceu com o Melo, então eu acredito nisso, existem essas ventanias que podem mudar e me dar uma chance.

AM1: Vamos falar um pouco das suas propostas, planejamento para essa corrida eleitoral:

Henrique: Eu tenho seis campanhas eleitorais em doze anos, então eu digo o seguinte: proposta eu não vou fazer nenhuma. Se você perguntar proposta em educação, segurança, elas serão as mesmas, não existem invenções, existem prioridades em todas as áreas, é preciso crescer ordenadamente, criar novas matrizes, modelos econômicos. Precisamos de menos propostas e mais ação. É como uma casa nova, que com o tempo precisa de renovação, o governo é uma casa que vive em constante ebulição.

Nosso grande problema é que nós só possuímos oito deputados federais, enquanto São Paulo tem 80 e nós temos 2,5 milhões de eleitores.

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