(Foto: Divulgação/Polícia Civil e Arquivo Pessoal)
Manaus (AM) – A Justiça do Amazonas iniciou nesta sexta-feira (30) a audiência de instrução do comerciante Adeilson Duque Fonseca, acusado de homicídio qualificado pela morte do sambista Paulo Onça, agredido após um acidente de trânsito em Manaus, em dezembro de 2024. O músico faleceu na última segunda-feira (26), após mais de cinco meses internado.
Imagens de câmeras de segurança mostram que Paulo avançou um sinal vermelho antes de colidir com o carro de Adeilson na rua Major Gabriel, Zona Sul de Manaus. O comerciante desceu do veículo e agrediu a vítima até deixá-la inconsciente. Paulo sofreu traumatismo craniano grave, passou por cirurgias e permaneceu hospitalizado até o óbito.
O juiz Fábio Olintho de Souza preside a audiência, que ocorre parcialmente por videoconferência. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), representado pelo promotor Marcelo Bitarães, apresentou testemunhas de acusação. A defesa também arrolou duas testemunhas, e o interrogatório do réu está previsto para ocorrer ainda nesta fase. Caso todas as oitivas sejam concluídas, o juiz deve abrir prazo para alegações finais e decidir se o réu será julgado por júri popular.
Legado e comoção marcam despedida de Paulo Onça
Artistas e autoridades lamentaram a morte de Paulo Onça. O cantor Zeca Pagodinho prestou homenagem nas redes sociais, lembrando a trajetória do sambista e expressando solidariedade à família. A escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, da qual Paulo foi compositor, exaltou seu legado e o classificou como uma figura marcante da cultura carnavalesca brasileira, especialmente pelo samba-enredo de 2017 em homenagem à Ivete Sangalo.
O Governo do Amazonas também emitiu nota de pesar e destacou o impacto do artista na cultura popular. “Dono de versos que emocionaram multidões, ele assinou sambas memoráveis”, diz o texto. O prefeito de Manaus, David Almeida, declarou que a cidade está de luto: “Paulo Onça foi mais do que um sambista. Foi a alma do samba de Manaus”.
Simone Andrade, esposa do compositor, afirmou em entrevista à Rede Amazônica que o marido “foi um guerreiro” durante os meses de internação. “Ele não merecia esse fim”, lamentou.
Investigação e prisão do agressor
Após a agressão, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de Adeilson Duque, que chegou a ser considerado foragido. Ele se entregou no dia 7 de dezembro no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Segundo o advogado da vítima, Ezequiel Leandro, o caso deixou de ser tratado como tentativa de homicídio e passou a configurar homicídio qualificado. “Se ele tivesse conversado com o Paulo, não estaríamos aqui. Ele queria matar”, afirmou.
A defesa de Adeilson ainda não comentou publicamente sobre a nova acusação. A Justiça seguirá com a análise do caso nos próximos dias, e a possibilidade de júri popular será avaliada ao fim da fase de instrução.
LEIA MAIS:





