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Passageiros divergem sobre pagamento em cartão; rodoviários temem demissões

Decreto da Prefeitura de Manaus determina pagamento exclusivo da tarifa de ônibus por smart card, dentro de 60 dias

A proposta da Prefeitura de Manaus no decreto que determina o pagamento da tarifa dos transportes público apenas por meio eletrônico com “Smart Card” divide a opinião na cidade. Alguns passageiros dizem que irá agilizar na passagem pela catraca, outros acham que causará transtorno ao Sinetram, já alguns cobradores ainda temem futuras demissões com as novas mudanças.

As empresas de transporte público têm 60 dias para aderirem à mudança, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Município, assinado pelo prefeito Arthur Neto. Conforme o documento, a intenção é que os usuários tenham mais segurança e permita maior noção sobre receita do sistema.

Alguns passageiros ouvidos pela reportagem do Amazonas1 veem a medida com certa cautela e desconfiança. Temendo represálias, preferiram não divulgar seus sobrenomes:

Para Abraão, a mudança tem seus prós e contra. “Com a retirada do dinheiro, o beneficio é que o cidadão vai chegar, passar na hora e vai ser aceito, o maleficio é que a pessoa vai ter que se deslocar até o Sinetram, ou até os postos de recargas causando um caos no sistema, sem contar que eles vão reduzir os custos e acabar demitindo os cobradores. Em relação a violência vai diminuir pelo fato de não ter mais dinheiro no ônibus, porém os passageiros serão os alvos com celulares”, disse.

Para Adria, 18, a violência não vai diminuir com essa mudança. “A população não vai deixar de andar com os pertences, mas o uso do cartão vai ser mais fácil pois não vai demorar tanto na entrada dos passageiros nos ônibus.”

O estudante Yuri, disse que a mudança facilita em relação ao troco, pois “os cobradores nunca tinham a quantia certa para repassar aos usuários, mas com essa mudança vai ser bom, só não vai ser bom para quem não tem cartão de transporte e de repente precise pegar um ônibus.”

A reportagem entrou em contato com Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) para repercutir o decreto municipal, mas a entidade não quer falar sobre o assunto.

Intervenção

No dia 22 de julho deste ano, o prefeito Arthur Neto decretou intervenção financeira no sistema de transporte público. O motivo seria uma auditoria interna para entender o motivo das pendências de repasses dos empresários aos seus colaboradores, que acabavam causando greve e afetando os usuários.

Um motorista ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar, alegou que mesmo com essa intervenção da prefeitura, seus salários e vales continuaram caindo em datas fora do previsto. “Nosso pagamento caiu, mas nenhum caiu na data combinada, nem os vales. Todos foram depois da data prevista e demoraram, as autoridades vão na imprensa falam, mas na pratica é totalmente diferente.”

Na tarde desta sexta-feira, 20, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, disse em entrevista coletiva, que a categoria é contra o decreto,  que teme por redução de quadro e que prefeito foi conduzido ao erro.

Um cobrador que não quis se identificar, alega que essa mudança ainda pode, sim, afetar o emprego dos colegas.

“Com o passar dos dias na prática dessa bilhetagem vão ver que não vai ter necessidade de cobrador nos ônibus, mas a gente nem se pronuncia porque os colegas que reclamam de mudança já estão sendo desligados, sempre quem reclama acaba sendo prejudicado, agora é só esperar”.

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