‘Me sentia um nada’, diz mãe de menina de 11 anos que teve aborto negado por juíza

Interrupção da gestação é um direito, está na Lei.
DA REDAÇÃO – PORTAL AM1
Publicado em 27/06/2022 21:45
criança
(Foto: Reprodução/ AMC)

“Eu me sentia um nada, porque eu não podia tomar uma decisão pela vida da minha filha, pela vida, pela ida dela para casa”, disse a mãe da menina de 11 anos que foi estuprada e chegou a ter o aborto negado pela Justiça. “Eu não fui ouvida.”
A Justiça de Santa Catarina havia negado que a vítima de estupro realizasse um aborto autorizado. Em despacho expedido em 1º de junho, a magistrada Joana Ribeiro Zimmer, da 1ª Vara Cível de Tijucas, a 50 quilômetros de Florianópolis, decidiu pela permanência da criança em um abrigo com o objetivo de mantê-la afastada do possível autor da agressão sexual e também para impedir que a mãe da menina, responsável legal pela filha, levasse a cabo a decisão de interromper a gravidez.

“Foi muito difícil. Chorei, me desesperei, gritei dentro do Fórum”, lembra. “Porque era um ser acima de mim. Uma lei acima de mim.”

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No vídeo vazado, a juíza pergunta à menina se ela “suportaria” manter a gravidez por mais algumas semanas. “Eu acho que eu deveria responder por ela, não ela. Ela é uma criança. Ela é muito imatura”, ponderou a mãe. “Se eles queriam preservar tanto a minha filha, era algo que não deveria ser perguntado para ela “


Na terça, 21, a menina recebeu autorização para voltar para casa, concedida pela desembargadora Cláudia Lambert de Faria. Na quarta, 22, ela teve a gestação interrompida – o que é previsto por lei em caso de estupro.

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