Manaus, 23 de abril de 2024
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Manaus, 23 de abril de 2024

Política

Oposição pode pedir impeachment de Lula por meio da CPMI do 8 de janeiro

Enquanto aliados de Lula miram em bolsonaristas, deputados de direita se mobilizam para que a comissão investigue líderes do governo e o presidente

Oposição pode pedir impeachment de Lula por meio da CPMI do 8 de janeiro

(Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados)

Brasília (DF) – A leitura do requerimento de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que pretende investigar a ação e omissão nos atos de 8 de Janeiro, realizada na tarde desta quarta-feira (26), pode ser o caminho para os parlamentares de oposição do Congresso Nacional solicitarem um pedido de impeachment do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirma que não há dúvidas que o presidente Lula pediu para deixar acontecer e para que o (general) Gonçalves Dias, com o ministro da Justiça, Flávio Dino, dispensassem as corporações da Força Nacional, a Guarda Presidencial e a polícia de choque da Polícia Militar do Distrito Federal, o que cria evidência da conivência do governo federal nos atos do dia 8 de janeiro.

“O que a sociedade viu ainda não representa nem 10% do que a gente tem para apresentar para a CPMI. Por conta disso, nós vemos que não há outro caminho que dê abertura para o pedido de impeachment, que não seja o da CPMI”, pontuou o senador que ainda criticou a atuação do general Gonçalves Dias, então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que chegou a afirmar não ter “a mínima capacidade e conhecimento na área de segurança pública” e ainda mentiu em depoimento à Polícia Federal ao dizer que não teve acesso a nenhum relatório de inteligência.

Seguindo a mesma linha de pensamento, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) também pontuou que, se comprovada a omissão do Governo Lula, será comprovado também o crime de responsabilidade que abre espaço para o pedido de impeachment.

“Nós temos os relatórios da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que mostram que foram enviados para mais de 48 órgãos que mostravam o perigo dessas manifestações no 8 de janeiro. Inclusive, o ministro Flávio Dino lançou uma portaria no dia seguinte autorizando o emprego da força nacional que poderia ser empregada da rodoviária até o palácio (do Planalto). Logo, ele estava ciente do acontecimento e colocou (no relatório) só que a força nacional não atuou. Tinha autorização; mas não foi efetivado e o prejuízo foi enorme para a população brasileira”, ressaltou o parlamentar amazonense.

Omissão?

Depois de mais de 100 dias de mandato do governo Lula e o vazamento das imagens de Gonçalves Dias nos atos terroristas do início do ano, ficou claro para o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), a suspeita de uma possível omissão do Executivo Federal sobre o ocorrido.

“É inadmissível que, em mais de 100 dias de mandato, ninguém tenha percebido que o ministro (Gonçalves Dias) estava lá no dia e chamado ele para, pelo menos, dar o depoimento dele e dizer o que aconteceu. Chamaram muitos cidadãos, muitas pessoas que participaram dos atos, mas não os ministros. Será que não o chamaram pelo fato de ele ser ministro? Será que tentaram ocultar?”, questionou o jovem deputado.

Manobra do Governo

Conforme divulgado pela reportagem, em matérias anteriores, o governo tentou inclusive fazer com que deputados federais retirassem suas assinaturas por meio de trocas de emendas e cargos no Executivo Federal.

Hoje, em mais uma tentativa de barrar a CPMI dos atos de 8 de janeiro, vem tentando conseguir o maior número de cadeiras entre os blocos partidários da comissão.

A exemplo disso, o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou até a mudar o seu partido do Bloco Democracia, que contava com o PSDB, Podemos, MDB, União e PDT, e agora integra o Bloco Resistência Democrática, que inclui o PT, PSB e PSD.

Situação esta, que no ponto de vista do senador Plínio Valério (PSDB-AM), chega a ser assustadora.

“Hoje, enfim, a gente viu se concretizar o que não pode mais ser barrado. O governo tentou de todos os jeitos protelar, prorrogar e impedir, mas após a divulgação dos vídeos não teve mais jeito. Agora teremos a formação da comissão, os blocos parlamentares vão indicar os seus membros e a guerra começa aí. Eu tenho medo, tenho receio, porque estou vendo o governo se posicionar para ser maioria entre os membros, o que se acontecer, a CPMI não vai dar em nada”, disse o tucano.

Com a mudança realizada pelo senador Randolfe, com a conivência do presidente do Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a nova configuração dos blocos está com os seguintes postos:

PL e Novo (Bloco Vanguarda) − duas cadeiras;

PSDB, Podemos, MDB, União e PDT (Bloco Democracia) − seis cadeiras;

PT, PSB, Rede e PSD (Bloco Resistência Democrática) − seis cadeiras;

PP e Republicanos (Bloco Aliança) − duas cadeiras.

A indicação dos membros começou nesta quarta-feira (26) e está prevista para encerrar na próxima semana, com o início dos trabalhos da CPMI.

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