Manaus, 21 de fevereiro de 2024
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Política

‘Para estar no ‘berço do conhecimento’ não é preciso nascer em berço de ouro’, diz Lula

Durante seu discurso, Lula argumentou que o conhecimento é uma das mais poderosas ferramentas à disposição dos seres humanos, e que tem sido o motor da evolução da humanidade.

‘Para estar no ‘berço do conhecimento’ não é preciso nascer em berço de ouro’, diz Lula

Presidente Lula durante a cerimônia realizada na noite dessa quinta-feira (25) na Sala São Paulo, no centro da capital paulista - Foto: Ricardo Stuckert/PR

São Paulo (SP) – O presidente destacou que a USP está cada vez mais com a cara do Brasil. “Uma cara que é preta, uma cara branca, uma cara parda, uma cara indígena. Não é mais a USP pensada para que São Paulo oferecesse ao Brasil a inteligência para governar esse país, mas é a cara do povo brasileiro da periferia, que, durante muitas décadas, nem sonhava em chegar na USP.”

Ao frisar a qualidade do ensino na instituição, o presidente agradeceu à Universidade de São Paulo. “Eu posso dizer pra vocês que, embora eu não tenha tido a oportunidade de estudar na USP, eu fui muito ajudado a construir tudo que nós temos nesse país com muitas mulheres e muitos homens da USP. Por isso, obrigado”, afirmou.

Durante seu discurso, Lula argumentou que o conhecimento é uma das mais poderosas ferramentas à disposição dos seres humanos, e que tem sido o motor da evolução da humanidade. “Mas o conhecimento nas mãos de poucos, em benefício de poucos, provoca mais e mais desigualdade. E não se constrói um grande país com tanta desigualdade. Foi por isso que investimos cada vez mais na educação, da creche à pós-graduação”, pontuou

Ele lembrou ainda que quando entrou na Presidência da República, em 2002, encontrou o país com 3,5 milhões de estudantes universitários e que, após seus dois primeiros mandatos, esse número cresceu para 8 milhões. “Demos aos filhos dos trabalhadores a oportunidade de se tornarem doutores. Porque é assim que se constrói um país mais desenvolvido e mais justo.”

ORQUESTRA

A Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) fez o concerto que marcou o início das comemorações do aniversário, e incluiu no repertório obras de Camargo Guarnieri, George Gershwin e Modest Mussorgsky. Além do número musical, houve a abertura de uma exposição, com participação de ex-reitores, e a entrega da Medalha Armando de Salles Oliveira para entidades e pessoas com atuação de grande relevância na parceria com a USP ao longo dos anos. Instituída em 2008, a medalha é uma homenagem da universidade àqueles que contribuem para a sua valorização e desenvolvimento.

Receberam a medalha o presidente Lula, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e outros.

HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE

A história da USP remonta 196 anos atrás, quando a antiga Academia de Direito foi fundada, em 11 de agosto de 1827, no Largo São Francisco. A universidade propriamente dita foi fundada no dia 25 de janeiro de 1934, por um decreto de criação assinado pelo então interventor federal Armando Salles de Oliveira.

O ato uniu a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, a Escola Politécnica de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, a Faculdade de Medicina, a Faculdade de Direito e a Faculdade de Farmácia e Odontologia.

“A USP foi pensada como uma instituição moderna, alicerçada na relação indivisível entre ensino, pesquisa e extensão. Pulsava nela uma visão de país que se ancorava na ciência, na razão e no valor da liberdade”, disse o reitor da universidade, Carlos Gilberto Carlotti Junior.

Atualmente, a USP é a principal instituição de ensino e pesquisa do país, com cerca de 97 mil alunos matriculados — 60 mil na graduação e 37 mil na pós-graduação — e mais de 5 mil professores. A universidade tem 11 campi espalhados por oito cidades paulistas, que abrigam 42 entidades de ensino, responsáveis por 333 cursos de graduação e 264 cursos de pós-graduação, além de quatro museus, 48 bibliotecas e quatro hospitais.

Responsável por 22% da produção científica brasileira, a USP aparece na 22ª colocação no ranking de universidades da Scimago Institutions e em 20º no ranking de instituições científicas.

“Estamos formando líderes e produzindo pesquisas com excelência. Durante nossa história tivemos momentos difíceis, essa universidade enfrentou o arbítrio do regime autoritário instalado em 1964 que aposentou lideranças intelectuais e científicas notáveis. Apesar de duramente atingida, a USP teve forças para resistir e conservar seus fundamentos originais”, destacou o reitor.

(*) Com informações da assessoria 

 

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