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MANAUS, AM – Após o episódio relatado pela ex-candidata a vice-prefeita de Manaus, Marklize Siqueira, em que alegou que estava sofrendo violência política dentro do PSOL, mais de 300 pessoas do agrupamento político Movimenta Amazônia Socialista (MAS) anunciaram a saída da sigla.
A briga se tornou pública após um dos dirigentes do PSOL, Raoni Lopes, anunciar uma transmissão ao vivo em que iria revelar quem financiava Marklize. A ex-candidata, então, reagiu e afirmou que registraria um Boletim de Ocorrência, pois estava sofrendo violência política dentro do partido.
Após o escândalo, o MAS decidiu se desfiliar do PSOL, além de acusar o partido de não ser “seguro” para as minorias e de “não impulsionar verdadeiramente lideranças negras, indígenas, PCDs, LGBTQIAP+ ou feministas no Estado.
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Além de fazer alegações contra o partido, o grupo ainda apontou que o PSOL não protege as suas figuras públicas, como as membras da Bancada Coletiva e a própria Marklize Siqueira, que de acordo com eles, “tiveram que contar com a sorte para não serem atacadas nas redes sociais e até nos lugares públicos onde frequentam.”
“Por enquanto, não passou de ameaça com dedo em riste e voz alta. Nossa preocupação é quando tiverem a audácia de partirem para a agressão física e psicológica, afinal, elas não desistirão da política. Infelizmente, o PSOL-AM não possui estrutura político-partidária e jurídica para essa proteção caso algo mais grave aconteça”, diz um trecho da carta de desfiliação coletiva.

Na carta, as integrantes ainda destacaram a violência política de gênero sofrida por elas dentro do partido, desde as eleições de 2020, e também ressaltaram a falta de apoio. No entanto, reforçaram que as declarações de Raoni foram apenas a “ponta do iceberg” se comparadas ao que acontece internamente no PSOL-AM.
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“Os ataques nas redes sociais por parte de um membro do diretório estadual foram apenas a ponta do iceberg de uma série de violências que ocorrem no cotidiano das relações políticas internas e tinham como alvo principal a Bancada das Manas. Além disso, tal violência política de gênero seria apenas a primeira de muitas que viriam pela frente, vide o apoio dado a um infeliz texto publicado por um professor universitário, curtido e compartilhado por dirigentes do PSOL AM”, declararam.
Saída do partido
Em conversa com o Portal Amazonas 1, Marklize afirmou que antes mesmo de a briga ser exposta nas redes sociais, já havia acontecido outros episódios dentro do PSOL-AM. “Não foram um, dois ou três episódios. Mas, o estopim se deu quando um Dirigente Estadual me ameaçou e caluniou publicamente e as outras lideranças locais foram coniventes. Ou, muito pior, após eu levar o caso a publico – forma que encontrei para ter minha integridade defendida e preservada – recebo intimações do próprio partido por ter me defendido publicamente. É aquele conhecido roteiro de culpar a vítima”, destacou.
A ex-filiada ainda afirmou que Raoni ainda não entrou em contato com ela, mas este segue sendo dirigente da sigla e irá disputar uma cadeira no Senado Federal nas eleições deste ano.
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Questionada pela reportagem se outras pessoas já sofreram ameaças dentro do partido, a política confirmou: “O meu caso foi público, mas as violências internas no partido com minorias são sistemáticas. Como foi dito na nossa carta coletiva de desfiliação: infelizmente, o PSOL, no Amazonas, não é um lugar seguro para mulheres, LGBTQIA+, negros e negras, indígenas e PCDs”, explicou.

Mesmo com o conflito no partido, ela ponderou que não há uma desunião da esquerda amazonense, e que esse contexto é uma “narrativa imposta pela direita para enfraquecer os movimentos.” Marklize ainda destacou que apesar da situação, o PSOL ainda tem boas lideranças, mas existem outras que ainda perpetuam violências contra as minorias.
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“Isso ocorre em todos os ambientes que transitamos porque essas violências são estruturais. A diferença é que, no PSOL Amazonas, essas violências internas não são apuradas e premidas, como deveriam ser. Muito pelo contrário, o que observamos é a tendência de diminuir as acusações ou deslegitimá-las como vem acontecendo via redes sociais”, comentou.
“Agora, estaremos juntos na pré-candidatura de Deputadas Estaduais da Bancada das Manas. O projeto busca a eleição de mulheres negras para comporem a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. Precisamos ocupar esses espaços para ajudar na transformação desse Estado”, ressaltou.
Outro lado
Ao Portal Amazonas 1, Raoni Lopes informou que o PSOL-AM vai se posicionar sobre a situação, mas que lamenta a saída dos filiados. “Não sei são 300 filiados mesmo, nem todos participavam ativamente do partido. Discordo da imagem que eles desenharam sobre o partido. Nenhum instante houve perseguição a ninguém”, declarou.
Lopes ainda deixou claro que a sigla é composta, em maioria, por mulheres, com a presença de pessoas negras e LGBTS. “Não há nenhuma denúncia nas instâncias de controle em relação à opressão ou violência. E eles não aceitam os trâmites das instâncias”, disse.
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“Mesmo que haja qualquer questão como denunciado, hoje, temos instâncias que respondem bem. Acredito que eles não queriam esperar porque precisam provar as suas acusações. E assim, na internet, eles não precisam se comprometer”, comentou.
Ainda em conversa com a equipe de reportagem, o dirigente do PSOL afirmou que acredita que a desfiliação partiu de um grupo isolado da ex-colega de partido, Marklize Siqueira. “É difícil de aceitar a ideia de que deveríamos abrir mão das nossas candidaturas a favor de uma ex-senadora. Queremos contribuir nacionalmente com a votação para superar a clausura de barreira”, finalizou.





