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MANAUS, AM – Se a eleição para a Presidência da República em 2018 foi polarizada, pode-se esperar algo bem pior em 2022. Sem Lula (PT) em 2018, Jair Bolsonaro, então no PSL, venceu Fernando Haddad (PT) com folga no segundo turno. Mas no próximo ano, o cenário vai ser bem diferente do que o esperado, principalmente considerando o cenário pós-pandemia da covid-19.
Antes de 2018, as eleições presidenciais eram conhecidas por manter a disputa sempre entre o PT, representando o campo da esquerda, e o PSDB, que representava e aglutinava pessoas de direita e incomodadas com o PT. No entanto, com o chamado “fenômeno Bolsonaro” em 2018, a direita se fez representar, e a polarização tomou caminhos mais concretos. A disputa de 2022, assim, pode ser considerada “o grande embate” entre Jair Bolsonaro, representando a direita, e Lula, representando a esquerda.
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Atualmente, 10 pré-candidatos já estão confirmados na disputa, da esquerda à direita. Pelo PT, representando um dos maiores blocos da esquerda, está o ex-presidente Lula. Com ele, o Partido dos Trabalhadores aposta na volta ao poder depois de seis anos longe do Palácio do Planalto, quando Dilma Rousseff sofreu o segundo processo de impeachment da Nova República.
O cientista político Carlos Santiago avalia que Lula tem carisma e um eleitorado cativo, além da popularidade. No entanto, há os escândalos de corrupção envolvendo seu governo e o PT, fora o desgaste causado pelo tempo de vida pública. “Se Lula conseguir montar uma aliança eleitoral e convencer uma parcela do eleitorado que não tem envolvimento com a corrupção, e que ainda pode realizar uma boa gestão, terá muita chance de obter o terceiro mandato”, aponta.

No outro extremo, está Jair Bolsonaro. Eleito pelo PSL em 2018, o atual presidente da República vê em Lula o seu maior adversário, uma vez que ele competiu contra Fernando Haddad em 2018. Mesmo mais desgastado do que em 2018, o atual presidente ainda tem o apoio de diversos setores da direita, principalmente os mais conservadores. Não à toa, para tentar angariar os votos perdidos, Bolsonaro tem feito diversas motociatas pelo Brasil, todas com grande apoio popular.
“Não tem como ele não ser candidato. Bolsonaro ainda tem um séquito de fãs muito grande, e isso a gente pode ver pelas manifestações de Sete de Setembro. Foi mastodôntica. Mas ele vem sofrendo desgastes, adicionados à alta da inflação e uma debandada de apoiadores iniciais. Além disso, ele está 100% aliado ao Centrão, que é fisiológico e esteve em todos os governos, de Sarney até hoje. Hoje, as pesquisas mostram um desgaste grande, mas vamos ver se ele consegue o milagre de diminuição da inflação e dos desempregados, para gerar competitividade contra Lula”, avalia o advogado e professor Helso do Carmo Ribeiro.

Terceira via
Fora da polarização entre o petista e Bolsonaro, que está sem partido, outros oito candidatos ainda correm por fora para tentar se mostrar como uma alternativa à sucessão presidencial. Alguns dos nomes são novos, mas outros já são velhos conhecidos da política brasileira, como Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e até Sérgio Moro (Podemos) e Luiz Felipe d’Avila (Novo).
“Ciro Gomes é qualificado, experiente, tem realizações e possui boas propostas. Mas não possui uma aliança nacional e regional forte. Seu eleitorado é baseado no Nordeste, e ele ainda criando conflitos bem desnecessários. Com a entrada de Moro na disputa, sua posição na corrida pela Presidência fica difícil”, salienta Carlos Santiago.
Sobre Marina Silva e Luiz Felipe d’Avila, Santiago não considera que serão candidaturas que marcarão presença. “O professor Luiz Felipe vai marcar posição e divulgar as ideias do Novo, desgastado por ter se ligado a Bolsonaro. Já Marina é fantástica. É séria e respeitada, experiente e realizadora. Mas o atual quadro político aponta para que ela seja candidata à Câmara dos Deputados”, completa.
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Já outros nomes ganharam a fama durante a pandemia do novo coronavírus. Foi o caso de Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), primeiro ministro da Saúde do governo Bolsonaro, que pediu demissão no início da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Outra opção é o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que tem se apresentado como pré-candidato com as bênçãos do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e do senador Omar Aziz (PSD-AM).
“Mandetta não tem o apoio do seu partido, e seu nome ficou enfraquecido com Moro na terceira via. Rodrigo Pacheco é desconhecido e não tem lastro político. É presidente de um poder desgastado e sem grandes realizações, e vai ter dificuldade para consolidar o seu nome e ser viável, principalmente nesse momento em que o eleitorado não quer apoiar em nomes desconhecidos”, salienta Carlos Santiago.

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Uma novidade na disputa presidencial é o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que se filiou ao Podemos na última quarta-feira (10) para disputar a Presidência da República. Símbolo da operação Lava-Jato, que levou à prisão de Lula em fevereiro de 2019, em seu anúncio de filiação, Moro afirmou que quer combater a corrupção, e que “chega de Mensalão, de Petrolão, de rachadinha e de orçamento secreto”, numa clara referência contra Lula e contra Bolsonaro.

“Moro tem a possibilidade, caso seja candidato de fato, de captar uma boa parcela desse voto da centro-direita, voltado para a questão da moralidade. Precisamos ver, ou não, se há uma possibilidade de essa candidatura decolar”, aponta Helso Ribeiro.
Centro-esquerda
Já no campo do centro político, um bloco interessante tem tentado se colocar como a terceira via nas eleições de 2022, mirando a Presidência, mesmo já estando estabelecido na política nacional: o PSDB, representado por João Doria (SP), Eduardo Leite (RS) e Arthur Virgílio Neto (AM), e o MDB, representado por Simone Tebet.
O PSDB, por exemplo, ainda está em prévias. Destaca-se por ser um dos únicos partidos a ter ocupado o Palácio do Planalto, no período de 1994 a 2002, com Fernando Henrique Cardoso, e para 2022, o candidato pode ser Doria, Leite ou até o próprio Virgílio. Analistas políticos dizem, no entanto, que a disputa das prévias deve ficar, mesmo, entre os dois governadores. Já Arthur Neto, com 75 anos, corre por fora para poder tentar ser o candidato tucano.

Eduardo Leite e João Doria merecem um destaque especial. Os dois caminharam com Bolsonaro em 2018, e inclusive, Doria chegou a cunhar o ditado “BolsoDoria”, simbolizando o seu apoio ao atual presidente e pegando carona na popularidade para poder chegar ao Palácio dos Bandeirantes. No entanto, Doria rompeu com Bolsonaro em 2019, e no ano seguinte, com a pandemia do novo coronavírus, o governador tentou fazer uma espécie de “governo paralelo” a Bolsonaro, inclusive comprando vacinas.
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Já Eduardo Leite tem despontado como um político novo e identificado com a causa jovem. Leite, que recentemente se declarou homossexual, também caminhou com Bolsonaro em 2018, mas assim como Doria e o PSDB se afastou de Jair Bolsonaro e tornou-se grande opositor e grande adversário do presidente.
“Eu diria que dos três, Eduardo Leite é o mais viável e que pode ser, de fato, o pré-candidato. O PSDB esteve sempre entre os mais votados nas presidenciais, governou o país duas vezes, ficou em segundo por outras três vezes, e tem uma bancada forte. É um partido muito ‘paulista’, e não sei até que ponto o escolhido vai ter o apoio da população. Muita água pode passar por baixo dessa ponte”, salienta Helso Ribeiro.
Pelo MDB, uma surpresa: a senadora Simone Tebet (MS). Ex-vice-governadora de Mato Grosso do Sul e ex-prefeita de Campo Grande, Tebet quer ser presidente com as bênçãos do ex-presidente Michel Temer e trazer o MDB de volta ao poder depois de quatro anos longe, quando Temer deixou a Presidência. O MDB, no entanto, nunca chegou a sair totalmente do apoio ao Planalto, uma vez que o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PE), é do MDB.

“Simone Tebet é atuante, de um partido presente em quase todos os municípios do país. Mas falta uma visão homogênea ao MDB. É altamente heterogêneo, e tem de tudo. Continua sendo uma grande frente ampla democrática. A Simone Tebet teve dificuldade quando concorreu à Presidência do Senado, mas acho que o MDB não caminha com ela nas presidenciais. Mas é aquela coisa: as convenções partidárias para definir os candidatos à Presidência só vão acontecer em julho ou agosto de 2022. Até lá, ainda há muita água para rolar em todos esses rios”, ressalta Ribeiro.
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