Manaus, 7 de julho de 2026
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Política

Marqueteiros apostam em hits do momento para emplacar campanha de candidatos à Presidência

O piseiro é uma das grandes apostas dos marqueteiros para dar ritmo aos candidatos que querem marcar com seus refrões

Foto: Reprodução

A viradinha na bateria eletrônica e o teclado arrepiando já não são mais exclusividade de histórias de embriaguez, traição e amor não correspondido. O piseiro, um dos ritmos brasileiros mais modernos, é uma das grandes apostas dos marqueteiros dos principais candidatos a presidente nas eleições de 2022 para conquistar o eleitorado.

Ao lado do ritmo surgido na Bahia, o samba e o sertanejo estão entre as toadas escolhidas ainda na pré-campanha para quando o jogo começar para valer. As campanhas terão início em 16 de agosto.

“Olha, eu tô aqui pensando em você. Meu nome é saudade, sobrenome é querer. Querer te ver porque meu coração ficou mal-acostumado, ficou daquele jeito, sem cuidado, abandonado, feito filho sem mãe. E eu sofrendo, querendo meu ex”, diz a letra da canção lançada em 16 de julho. O ex não é namorado nem marido, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo colocado nas pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) também já parece ter um hino próprio. A música “Capitão do Povo” embalou a convenção que oficializou a candidatura do filiado ao PL no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

A música foi reproduzida dezenas e dezenas de vezes durante o ato, e o título de “capitão do povo” foi reproduzido pelo locutor algumas vezes ao apresentar o personagem principal do evento.

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“É o capitão do povo, que vai vencer de novo. Ele é de Deus, você pode confiar, defende a família e não vai te enganar. […] Igual a ele nunca existiu, é a salvação do nosso Brasil”, diz a letra da dupla sertaneja Mateus e Cristiano. A música foi apresentada para Bolsonaro em maio e ganhou roupagem profissional em julho.

A campanha do presidente ainda não decidiu quais serão as versões e os ritmos dos jingles, mas um dos responsáveis por cuidar da estratégia eleitoral reconheceu à CNN a força da canção que embalou a convenção partidária, afirmando que ela não poderia ficar de fora do marketing do presidente. Apesar disso, a música ainda não está na página oficial do YouTube de Bolsonaro.

Opções em vários ritmos

Diversificar foi o caminho escolhido pela campanha de Ciro Gomes. Já são quatro jingles produzidos até agora, cada um completamente diferente do outro. “Ainda é cedo para pensar em eleição, mas eu já tenho um nome no meu coração” é o começo do forró da virada, que o apresenta como “segunda opção” e “aquele que resiste” enquanto “muitos desistem”. Até o final de julho, tinha 1,4 milhão de visualizações no YouTube.

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Muito diferente é a pegada de “A Rebeldia da Esperança”, uma espécie de paródia da música “AmarElo”, do cantor Emicida. Com cara de rap, o clipe tem 11 mil visualizações no YouTube. As imagens até se parecem com o clipe “Tá na Hora de Você Olhar pro Ciro”, que bateu 27 mil visualizações, mas tem outro ritmo ― o samba ― e letra bem diferente. Já o melô “Prefiro Ciro” tem pegada de marchinha de Carnaval e 65 mil visualizações até o final de julho.

Nas mãos do marqueteiro João Santana, a campanha afirma que a estratégia é variar mesmo.

Os remakes

A campanha de 2022 ainda abriu as portas para os remakes. No caso de Lula, um grupo de artistas famosos regravou em formato de coral virtual o famoso jingle “Lula Lá”, da campanha de 1989, em que o petista foi derrotado por Fernando Collor.

Apoiadores da senadora Simone Tebet (MDB) também viajaram 20 anos para buscar em uma campanha que não vingou a inspiração para 2022. Um dos clipes que circula na internet é uma remontagem de uma música criada para embalar em 2002 a pré-candidatura presidencial de Roseana Sarney, sua companheira de partido.

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O jingle dizia: “Aprendi a conquistar meu lugar onde eu estiver. Me chamo Ana, Juliana ou Roseana, eu sou a mulher”. O de Simone afirma: “Tô preparada para unir esse Brasil e encarar o que vier. Me chamo Ana, eu sou Maria, eu sou Simone, eu sou a mulher”.

Oficialmente, a senadora já tem duas músicas. Uma ao estilo feminejo entoada por uma mulher de voz grave intitulada “Simone, a nova esperança do Brasil”, com 154 mil visualizações no YouTube. E outra que remete ― na letra do samba “Eles não e ela sim, Simone sim” ― à campanha das eleições de 2018 feita por mulheres contra Bolsonaro.

Alfaiate compositor

Um dos jingles mais longevos da história da política brasileira é de autoria de José Raimundo de Castro, falecido alfaiate que trabalhou na Galeria do Rock em São Paulo. O ano era 1982, às vésperas da eleição geral para governos estaduais, Câmara, Senado e Assembleias Legislativas. José Maria Eymael se preparava para disputar sua primeira eleição, mas tinha um obstáculo: o nome difícil e pouco sonoro.

Armando Barreto, coordenador da comunicação da campanha de Eymael à Presidência em 2022, lembra que a ideia surgiu em uma reunião entre correligionários 40 anos atrás.

“O Raimundo de Castro, que era um dos correligionários, levantou a mão e pediu: me dá aí uns dois dias pra eu poder criar alguma coisa. Compositor popular que era, o Castro foi lá e mostrou dois dias depois o jingle icônico que se tornou o que é hoje”, disse à CNN.

Jingles no forno

Algumas campanhas ainda não concluíram o trabalho de produção dos jingles. Marqueteiro do presidente do Chile, Gabriel Boric, o argentino Yehonathan Abelson foi convocado para cuidar da campanha de André Janones, candidato a presidente pelo Avante.

Abelson disse à CNN que ainda está preparando o material de campanha e não tem nada pronto, mas adiantou do que deve tratar a música de seu cliente.

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“O jingle é a forma mais efetiva para fazer chegar a nossa mensagem de campanha. No nosso caso, Janones é o único candidato do povo, que o vê, o defende e sempre estará com ele. O nosso jingle vai ser sobre isso”, afirmou.

Vera Lúcia, que vai disputar e eleição pelo PSTU, também terá ritmos nordestinos em seu jingle, que ainda não foi produzido.

“Vai ter uma sonoridade nordestina, tem que ter. Mas os demais ritmos estão sendo analisados também. A raiz nordestina vai ser o guia. Ele será construído em cima da história de vida da Vera, uma operária, negra, nordestina e socialista. A Vera como expressão de vida da maioria do povo brasileiro: trabalhadora, mãe, avó, uma lutadora que nunca mudou de lado, sempre fiel à luta e às pautas da classe trabalhadora”, disse à CNN o coordenador da campanha Roberto Aguiar.

A campanha de Felipe D’Avila, do Novo, também trabalha no tema. Lucas Albuquerque, coordenador da campanha, disse à CNN que o lançamento será em agosto. “Ainda não temos jingle. Estamos preparando uma música tema central, que queremos lançar no começo da campanha”, disse. Ele não quis dar detalhes do ritmo ou formato.

A campanha de Pablo Marçal (Pros) diz que tem “observado com muita satisfação apoiadores prepararem paródias e jingles manifestando apoio à pré-candidatura do Marçal”.

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A única música com esse nome no YouTube, no entanto, está em um clipe com 175 visualizações. A música “O destravar da nação”, cantada por Yasmim Malta, tem ritmo pop com ar de louvor gospel. A equipe do político afirma ter intenção de “preparar esse tipo de material que deve ser feito contemplando vários ritmos brasileiros diferentes”, mas que só irá “avançar nisso após o período de pré-campanha”.

As campanhas de Sofia Manzano (PCB) e Leonardo Péricles (UP) informaram que ainda não têm um jingle.

Com informações de CNN Brasil