Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Midiatização das CPIs é holofote para políticos em ano pré-eleição

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito é onde os holofotes se voltam para os políticos que ficam à frente delas.

CPI da Águas de Manaus (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Manaus (AM) – As Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs), que visam investigações de casos de interesse público, ganharam popularidade entre os políticos e, nos últimos anos, têm sido midiatizadas para, assim, os vereadores, deputados e senadores possam ficar em “evidência”.

Se não bastasse o fim das investigações da CPI da Águas de Manaus na Câmara Municipal de Manaus (CMM), a Casa poderá ter que tocar mais uma CPI, isso porque o vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) já coleta assinaturas para a instalação de uma outra comissão, desta vez para investigar o transporte coletivo da cidade.

Ao Portal AM1, o analista político Helso Ribeiro afirma que um exemplo de midiatização em cima de uma comissão foi a CPI da covid-19, pois o assunto foi de interesse público por ter sido um tema de repercussão mundial.

Por conta disso, a mídia cobriu cada passo, fazendo com que os nomes dos políticos que estavam à frente dela ficassem no centro dos holofotes, como é o caso do senador Omar Aziz.

“Então, eu diria que ganhou muita mídia, muita força, e os políticos veem nas CPIs uma forma de estar em evidência. Estar nos holofotes e, ao mesmo tempo, acabam sendo vistos pelos eleitores”, destacou Helso.

Conforme o especialista, as CPIs existem desde o século XVII, mas, com a chegada das grandes mídias como TV, rádio e até com o avanço da internet; elas se tornaram “midiatizadas” e, com isso, a população passou a acompanhá-las mais de perto.

Ainda conforme Helso, cabe ao Legislativo a função de fiscalizar o Poder Executivo municipal e estadual – e, se caso fizessem isso de forma constante, não seria necessário a instalação de CPIs.

“Então, se todo o parlamento fiscalizasse com detalhes todos os assuntos que tocam a cidade, estado, país, não seria necessário uma CPI, né? Por que a fiscalização seria ali cotidiana”, destaca.

Visibilidade

Helso afirmou que a ideia do vereador Rodrigo Guedes (Podemos) em propor uma CPI para investigar o transporte público é válida, e é um direito dele porque é de interesse de toda a população manauara.

Todavia, o especialista frisou que isso trará muita visibilidade e midiatização para o parlamentar, ou seja, segundo Helso, é importante observar se, de fato, a CPI é para interesse público ou será apenas para “aparecer”.

Vale lembrar que a maioria das comissões que ocorreram no Amazonas, por exemplo, foram em anos que antecederam eleições, como é o caso da CPI da Amazonas Energia, que ocorreu na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em 2022, possibilitando que a maioria dos deputados conseguissem se reeleger.

“Ela vai dar visibilidade para o político que nela participar, principalmente, quando esse político tem o que falar. Se for um político nulo, ele vai lá e não vai falar nada. Quando político é articulado, aí ele vai se dar bem. E quando se tá num ano pré-eleitoral, ah, isso aí aumenta ainda mais a visibilidade “, destacou Helso.

O especialista afirma que é o momento em que todos os meios de mídias e comunicação se voltam para acompanhar os trabalhos das CPI e aquele mais “desenvolto” se destaca mais.

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