(Foto: Reprodução/Redes sociais - Facebook)
Eirunepé (AM) – A candidata a prefeita de Eirunepé, Professora Áurea Marques (MDB), formalizou, no dia 4 de setembro, uma denúncia à Ouvidoria da Mulher do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) contra o atual prefeito do município, Raylan Barroso (UB). A denúncia, que envolve acusações de perseguição, ameaças e violência política de gênero, foi exposta pela candidata em uma entrevista coletiva virtual realizada na quinta-feira (5).
Professora Áurea é a única mulher na disputa eleitoral do município. Durante sua campanha ela tem sido alvo de xingamentos misóginos, comentários machistas e ataques pessoais, tanto em eventos públicos, como comícios e caminhadas, quanto nas redes sociais. Além disso, ela afirmou que sua família foi alvo de ameaças de sequestro.
“Estou vivendo um cenário de guerra. Eles fazem vídeos, tentam criar confusão e desentendimentos para destruir a nossa campanha. A gente não pode sair na rua, são muitas pessoas contratadas pelo apoiador do meu adversário para perseguir a gente e fazer pressão. Eu posso até suportar as humilhações e os xingamentos a todo momento, mas estou preocupada com a segurança da população. Faço um apelo às autoridades e reforço que eu não vou desistir”, disse Professora Áurea durante coletiva de imprensa que foi realizada no formato virtual por ela estar em Eirunepé.
Raylan Barroso, que apoia o candidato Anderson Araújo (PT) para sucedê-lo, está em seu segundo mandato e, por isso, não concorre à reeleição. Mesmo assim, de acordo com a denúncia de Áurea, as atitudes violentas e truculentas começaram ainda na pré-campanha e têm se intensificado nos últimos dias, envolvendo membros da equipe de Barroso.
Vídeos e fotos mostram correligionários de Raylan intimidando, filmando, cometendo violência psicológica e coagindo a candidata e seus apoiadores durante caminhadas e visitas às residências dos moradores para pedir votos.
De acordo com a equipe da candidata, homens com balaclava (máscaras usadas por policiais em operações e por criminosos para evitar o reconhecimento) e munidos de arma de fogo acompanham as ações de campanha da professora, onde quer que ela vá. Segundo a professora, os agressores são servidores do município, que cumprem ordens do prefeito.
Em um dos momentos mais preocupantes relatados, a candidata afirmou que homens mascarados e armados, que seriam servidores municipais, têm seguido suas ações de campanha.
O Portal AM1 teve acesso aos vídeos mencionados por Áurea, que constata a sua versão.
Abuso de poder político e econômico
A advogada de Áurea, Monalisa Gadelha, destacou que o prefeito Raylan Barroso também estaria cometendo abuso de poder político e econômico. Segundo Gadelha, a máquina pública estaria sendo usada para favorecer o candidato apoiado por Barroso, desequilibrando a igualdade no processo eleitoral.
De acordo com a equipe da candidata, servidores municipais estariam sendo mobilizados para fazer campanha para Anderson Araújo, além de indícios de utilização de recursos públicos em ações que têm como objetivo desacreditar a candidatura de Áurea.
“A conduta do prefeito de Eirunepé tem a intenção clara de agredir a candidata Áurea por sua condição de mulher, atitude além de covarde e violenta, que promove deliberadamente a violência política de gênero e permite a desigualdade de gênero, aumentando as barreiras para que as mulheres participem plenamente da vida pública e política. A violência política de gênero não só viola os direitos da Professora Áurea, como também enfraquece a democracia, limita a diversidade de vozes e perspectivas essenciais para o funcionamento saudável de uma sociedade”, explicou a advogada Monalisa Gadelha.
Pedido de segurança
Forças de segurança nacional podem ser enviadas ao município de Eirunepé para garantir a ordem. Além do TRE-AM, a Polícia Federal, o Ministério Público Eleitoral e a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) foram acionados oficialmente para apuração dos fatos.
Se a denúncia de violência política de gênero for aceita e o juiz julgar procedente os crimes, condenando Raylan Barroso, o prefeito de Eirunepé pode perder os direitos políticos assim como suas funções públicas. O candidato apoiado por ele, Anderson Araújo, também pode perder o registro de candidatura e até ficar inelegível. A pena pelos crimes é 1 a 4 anos de prisão e multa.
Posicionamento
A reportagem entrou em contato com o prefeito Raylan Barroso e o questionou sobre as acusações da candidata a prefeita. Além disso, o Portal AM1 perguntou se as pessoas que aparecem nas imagens são servidoras da prefeitura, como afirma Professora Áurea, e se elas estão sendo pagas pelo prefeito para seguir a candidata. Nenhum dos questionamentos foram respondidos até à publicação da matéria.
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