Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Governo Wilson Lima gastou quase R$ 2 bilhões em contratos na Seduc

Os contratos bilionários de assessoria, consultoria, formação, livros e tecnologia foram jogados na lata do lixo.

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A análise da série histórica mostra o crescimento descontrolado dos gastos da Seduc durante o governo de Wilson Lima. (Foto: Yago Frota)

Manaus (AM) – Entre 2020 e 2025, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), sob o governo de Wilson Lima (União Brasil), desembolsou R$ 1.993.031.458,68 em contratos com empresas privadas — um montante bilionário destinado, em tese, à melhoria da educação pública. Os recursos, contudo, não mudaram a realidade das escolas, tampouco o desempenho dos alunos.

Mesmo após investir quase R$ 2 bilhões em material didático, kits pedagógicos, consultorias e plataformas digitais, o Amazonas terminou em último lugar no Enem 2025, o pior resultado de sua história. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Governo do Amazonas.

Ao longo do mesmo período, R$ 428.712.967,08 foram destinados especificamente a programas, consultorias e materiais voltados à preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) — contratos que envolvem desde a produção de apostilas e simulados até plataformas digitais e projetos pedagógicos de “intensivo”. Apesar do volume expressivo, os resultados foram desastrosos: mesmo após gastar quase meio bilhão de reais com ações voltadas ao exame, o Amazonas registrou o pior desempenho do país no ENEM 2025, comprovando que o investimento bilionário em marketing e material didático não se traduziu em aprendizado real nem em melhoria da qualidade da educação pública.

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O fracasso da política educacional de Wilson Lima e a escalada de contratos milionários levaram o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) a aprovar uma inspeção extraordinária nos 100 maiores contratos da Seduc.

A decisão, tomada em 15 de outubro, foi motivada pela “inaceitável discrepância entre o volume de recursos e os resultados alcançados”, nas palavras do conselheiro Érico Desterro, e contou com o apoio de Ari Moutinho Júnior.

O TCE acionou ainda o Ministério Público do Estado (MP-AM), o MPF e a Polícia Federal, para apurar possíveis irregularidades, sobrepreços e conluio entre gestores e fornecedores.

Uma escalada sem resultado

A análise da série histórica mostra o crescimento descontrolado dos gastos da Seduc durante o governo de Wilson Lima. De R$ 83 milhões em 2020, o volume saltou para R$ 604 milhões em 2023, o ápice do ciclo de contratos com empresas de fora do Amazonas. A justificativa oficial era “melhorar o desempenho dos alunos”, mas os dados comprovam o oposto: o Estado caiu para o último lugar no Enem e viu se agravar a evasão escolar, o analfabetismo funcional e o baixo rendimento nas avaliações nacionais.

Grande parte desses contratos foi firmada por inexigibilidade ou adesão a atas de outros estados, mecanismos que dispensam concorrência e favorecem empresas específicas. O modelo transformou a educação amazonense em um negócio altamente lucrativo, mas pedagogicamente estéril.

As empresas

Os contratos bilionários se concentraram em poucas empresas, muitas delas ligadas a grupos de consultoria e editoras do eixo Sudeste.

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A Multiverso das Letras Distribuidora Ltda, sediada em São Paulo e administrada por Jeremias Paim, foi a maior beneficiada: recebeu R$ 850,5 milhões da Seduc — mais da metade de todos os gastos do setor no período.

Logo atrás vem a Poranduba Consultoria Educacional Eireli, de Eliabe Correia Maciel, que recebeu R$ 178 milhões, além da Poranduba Consultoria Educacional Ltda – Filial, também de Maciel, com R$ 138 milhões. As duas operaram simultaneamente com contratos de assessoria pedagógica, material didático e projetos “de melhoria de aprendizagem”.

A Sudu Inteligência Educacional Ltda e a MVT Educação Ltda receberam respectivamente R$ 104 milhões e R$ 102 milhões, ambas por plataformas digitais e consultorias de desempenho.

Já a Innyx Educação e Tecnologia Ltda, pertencente ao empresário Sebastião Ramilo Bulcão Bringel, somou R$ 71,6 milhões em contratos de tecnologia aplicada à educação. A Inca Tecnologia de Produtos e Serviços Eireli, ligada a Sérgio Bento de Araújo, obteve R$ 67,3 milhões.

Entre as fornecedoras locais, figuram ainda a Pontual Distribuidora Ltda, com R$ 54,9 milhões, e a Grafisa Gráfica e Editora Ltda, com R$ 44 milhões, além da MKS Soluções Comerciais e Distribuidora Ltda, que recebeu R$ 32 milhões.

Os secretários

O ciclo de contratações bilionárias começou sob o comando do então secretário Luís Fabian Barbosa, responsável por estruturar as primeiras grandes adesões a atas de registro de preços e pelos contratos que dariam base à expansão posterior. Fabian deixou a Seduc, mas não a esfera do poder: foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). Atualmente, ele é vice-presidente da Corte de Contas, cargo de influência direta ou indireta sobre as decisões relativas à fiscalização da educação estadual.

Após sua saída, a pasta foi comandada por Kuka Chaves, que ampliou a execução dos contratos pedagógicos e renovou diversas parcerias com as mesmas empresas, consolidando um padrão de continuidade administrativa.

Já Arlete Mendonça, atual secretária, herdou uma secretaria endividada, engessada e com reputação abalada, responsável por gerir um sistema que, apesar dos bilhões aplicados, não conseguiu tirar o Amazonas da lanterna educacional.

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