Manaus, 6 de novembro de 2026
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Manaus, 6 de novembro de 2026

Cenário

Amazonprev projeta insuficiência de R$ 2,17 bilhões e aplicação no Master ocorreu na gestão Wilson Lima

Previdência estadual prevê diferença bilionária entre receitas e despesas do Fundo Financeiro em 2027; investimento de R$ 50 milhões no Banco Master, realizado durante o governo do ex-chefe do Executivo, é investigado pela Polícia Federal.

Amazonprev enfrenta projeção de insuficiência bilionária para 2027 e investigação sobre aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master, realizada durante o governo Wilson Lima (Foto: Divulgação/ IA/Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – A situação financeira da previdência dos servidores públicos do Amazonas está no centro de uma preocupação que ganha contornos de uma verdadeira bomba-relógio: a projeção de insuficiência de R$ 2,17 bilhões no Fundo Financeiro da Amazonprev para 2027.
O cenário se torna ainda mais delicado diante da investigação sobre a aplicação de R$ 50 milhões em letras financeiras do Banco Master, realizada em junho de 2024, durante a gestão do então governador Wilson Lima (União Brasil). Os dois episódios levantam questionamentos sobre a gestão dos recursos previdenciários e a segurança do patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.

A avaliação atuarial da fundação estima que o Fundo Financeiro terá receitas de aproximadamente R$ 786,6 milhões em 2027, enquanto as despesas com benefícios devem alcançar R$ 2,96 bilhões. A diferença projetada é de R$ 2,173 bilhões negativos.

O cenário chama atenção porque envolve recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A projeção, entretanto, não significa que o valor já represente uma dívida vencida ou que todos os fundos administrados pela Amazonprev estejam na mesma situação.

Aplicação de R$ 50 milhões ocorreu durante governo Wilson Lima

A operação com o Banco Master foi realizada em 6 de junho de 2024, quando Wilson Lima ainda ocupava o Governo do Amazonas.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo aponta que a autorização do investimento foi assinada por Francisco Evilásio, que havia assumido a presidência da Amazonprev poucas semanas antes, após nomeação feita pelo então governador.

O dirigente também havia atuado como contador da campanha de reeleição de Wilson Lima. A relação profissional e política entre os dois ganhou destaque após a divulgação de informações sobre a aplicação dos recursos previdenciários.

Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que Wilson Lima tenha participado pessoalmente da decisão de investir no Banco Master. A nomeação do dirigente e o período em que a operação ocorreu são elementos de contexto, mas não representam, por si só, prova de irregularidade ou responsabilidade criminal do ex-governador.

Polícia Federal investiga investimentos da Amazonprev

A aplicação no Banco Master passou a integrar as investigações da Polícia Federal na Operação Sine Consensu, deflagrada em março de 2026. A apuração busca esclarecer possíveis irregularidades em investimentos realizados pela Amazonprev em instituições financeiras privadas.

As operações investigadas somam aproximadamente R$ 390 milhões. Entre elas está o aporte de R$ 50 milhões no Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.

A investigação também alcança ex-dirigentes da fundação. A Polícia Federal apura possíveis falhas nos procedimentos de investimento e suspeitas de pagamentos indevidos a gestores. As suspeitas ainda dependem de apuração e comprovação pelas autoridades competentes.

Ministério Público de Contas cobra explicações

O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) também apresentou representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para apurar possíveis falhas nas aplicações de R$ 250 milhões no C6 Bank e R$ 50 milhões no Banco Master.

Entre os pontos questionados estão os procedimentos de credenciamento das instituições financeiras, a participação do Comitê de Investimentos e os estudos de risco que fundamentaram as operações.

O órgão solicitou a apuração de responsabilidades dos gestores envolvidos e a apresentação de documentos que demonstrem a regularidade das decisões.

Fundo Financeiro tem projeção negativa para 2027

Além das investigações sobre os investimentos, a avaliação atuarial aponta um cenário de insuficiência no Fundo Financeiro da Amazonprev.

Para 2027, a estimativa indica receitas de aproximadamente R$ 786,6 milhões e despesas de R$ 2,96 bilhões, resultando em uma diferença negativa de R$ 2,17 bilhões.

O relatório também apresenta resultados diferentes para os demais fundos. O Fundo Previdenciário (FPREV) tem resultado anual positivo projetado em aproximadamente R$ 1,07 bilhão, enquanto o Fundo de Proteção Previdenciária dos Militares (FPPM) apresenta insuficiência estimada em R$ 739 milhões.

Os números não devem ser tratados como um único resultado consolidado, pois os fundos possuem características e formas de financiamento distintas.

Caso exige transparência sobre recursos dos servidores

A projeção atuarial e a investigação sobre o Banco Master são questões diferentes, mas colocam em evidência a necessidade de transparência na administração dos recursos previdenciários do Amazonas.

Enquanto a avaliação atuarial aponta uma diferença estimada entre receitas e despesas, a investigação busca esclarecer se os investimentos realizados durante a gestão Wilson Lima seguiram os critérios legais e técnicos exigidos para a proteção do patrimônio dos servidores.

Não há comprovação de que a aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master tenha provocado a insuficiência projetada de R$ 2,17 bilhões para 2027. A eventual responsabilidade de gestores e autoridades deverá ser estabelecida pelas investigações e pelos órgãos de controle.

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