Manaus, 5 de novembro de 2026
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Manaus, 5 de novembro de 2026

Cidades

Enquanto população respira fumaça, 39 vereadores de Manaus ignoram debate

Audiência pública na CMM discutiu os impactos das queimadas na saúde e no meio ambiente, mas apenas dois dos 41 parlamentares compareceram.

(Foto: Divulgação e Reprodução/ Redes Sociais I Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – A ausência de 39 dos 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em uma audiência pública sobre os impactos das queimadas e da fumaça na saúde da população foi criticada pela ativista e liderança indígena Vanda Witoto.

O encontro, realizado nesta quinta-feira (5), discutiu os efeitos da crise ambiental no Amazonas, a aplicação de recursos públicos no combate aos incêndios e a execução do Plano de Ação Climática da capital. Apenas os vereadores Rodrigo Guedes (Republicanos), autor da proposta, e Zé Ricardo (PT) participaram da discussão.

A baixa presença de parlamentares foi apontada por Vanda como um sinal de distanciamento entre os representantes políticos e os problemas enfrentados pela população. Para a ativista, a ausência chama atenção especialmente porque as queimadas e a fumaça afetam diretamente a saúde dos moradores, além de provocar danos à vegetação, à fauna e ao meio ambiente.

Em manifestação após a audiência, ela lamentou que, mesmo com 41 vereadores na Casa Legislativa, somente dois tenham acompanhado o debate.

“São 41 vereadores eleitos que não têm nenhum compromisso com a luta e com esse enfrentamento às mudanças climáticas, porque não estão presentes”, afirmou.

Vanda também cobrou maior participação da sociedade no acompanhamento dos mandatos e das decisões tomadas na Câmara, especialmente em relação à fiscalização dos recursos públicos e à formulação de políticas ambientais.

Cobrança por políticas públicas

Durante sua manifestação na tribuna, Vanda também questionou a demora na implementação de medidas concretas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Ela lembrou que Manaus possui uma legislação municipal sobre o tema desde 2010, mas, mesmo após 16 anos, a cidade ainda enfrenta dificuldades para transformar as diretrizes ambientais em ações efetivas.

A ativista defendeu que a sociedade cobre responsabilidades dos representantes eleitos e afirmou que, diante da falta de respostas do poder público, a população deve recorrer aos mecanismos judiciais.

“Se é uma vontade deles não enfrentar esses desafios pela população, nós, enquanto sociedade, precisamos judicializar, colocar como crime isso também”, declarou.

Vanda ressaltou ainda que os representantes políticos são eleitos justamente para construir mecanismos e políticas públicas capazes de responder às necessidades da população, principalmente diante de problemas que comprometem a saúde e a qualidade de vida.

Fumaça, saúde pública e recursos públicos

Além da ausência dos parlamentares, a audiência discutiu os impactos das queimadas sobre o sistema de saúde, a economia e o meio ambiente. Um dos pontos levantados foi a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS), diante do aumento da procura por medicamentos, consultas e atendimentos relacionados a doenças respiratórias provocadas pela poluição atmosférica.

A aplicação e a transparência dos recursos públicos destinados ao combate aos incêndios florestais também foram questionadas. Entre os pontos debatidos estão os investimentos em aeronaves, viaturas e equipamentos utilizados nas operações de prevenção e combate ao fogo.

Representantes dos órgãos de contenção apresentaram o cenário das operações em andamento. Segundo as informações expostas na audiência, o Prevfogo mobiliza 254 pessoas, com apoio de seis aeronaves do modelo Air Tractor e quatro helicópteros. A Força Aérea Brasileira (FAB) também participa das ações com dois aviões KC-390 adaptados para o lançamento de água.

Plano climático ainda enfrenta desafios

Outro assunto central foi a execução do Plano de Ação Climática de Manaus, que estabelece medidas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e adaptação da capital aos eventos extremos.

O documento prevê diretrizes para preparar a cidade diante de situações como estiagens severas, queimadas e alterações na qualidade do ar. Entretanto, a discussão evidenciou a necessidade de transformar o planejamento em medidas efetivas.

Os participantes também alertaram que a melhora recente da qualidade do ar, provocada pelas chuvas, não representa o fim da crise. Municípios do interior, como Parintins e Autazes, ainda enfrentam episódios de fumaça.

O debate reforçou a necessidade de planejamento integrado entre os governos municipal, estadual e federal, especialmente para antecipar medidas de prevenção antes dos períodos mais críticos de estiagem.

 

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