Manaus, 6 de novembro de 2026
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Cenário

Delegado relata resistência à busca na casa de Maria do Carmo e apura se provas foram apagadas

Delegado Marcelo Martins relatou resistência da equipe da investigada e confirmou a apreensão de celular e computador.

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(Foto: Danilo Mello/Aleam)

Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma busca e apreensão na residência da empresária Maria do Carmo Seffair, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul de Manaus, no âmbito de apuração sobre vídeos gravados na campanha eleitoral de 2026. Em declaração oficial sobre a operação, o delegado Marcelo Martins relatou que a equipe enfrentou resistência para entrar no imóvel e informou que a autoridade investiga a hipótese de apagamento ou ocultação prévia de provas.

Segundo a declaração prestada pelo delegado, a investigação busca esclarecer a produção e a divulgação de conteúdos que associavam o governador eleito Omar Aziz (PSD) a acusações de utilização da imagem de sua filha menor de idade. O delegado ressaltou que o caso examina possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao detalhar a atuação policial na casa da empresária, Marcelo Martins destacou as dificuldades operacionais encontradas pelos agentes logo nas primeiras horas da manhã.

“Hoje nós cumprimos aqui o mandado de busca e apreensão na casa da Maria do Carmo Seffair, no âmbito das investigações que apuram crimes sexuais dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente praticados contra a filha do governador Omar Aziz. Hoje nós chegamos aqui bem cedo, como manda o protocolo, batemos na porta, encontramos alguma resistência no momento de entrar”, afirmou o delegado.

Marcelo Martins acrescentou que a presença dos advogados da investigada gerou discussões e entraves adicionais durante o trabalho da equipe.

“Houve uma certa demora, depois nós entramos, os advogados chegaram, aí houve uma série de discussões, foi uma diligência difícil, com uma série de tentativas de obstaculizar o cumprimento da ordem judicial, mas depois, mesmo com esses entraves, nós conseguimos impor a ordem judicial que foi expedida e cumprimos toda a ordem judicial de forma integral em todos os cômodos da residência”, explicou o delegado.

Conforme relatado pela autoridade, os agentes revistaram gavetas, abriram o cofre e examinaram pertences, apreendendo um computador pessoal e um telefone celular.

Questionado sobre a possibilidade de descarte ou ocultação de provas em razão de vazamento de informações sobre a operação, Marcelo Martins confirmou que a Polícia Civil apura o fato no inquérito.

“Concordo. Inclusive, nós temos um vídeo da própria investigada Maria do Carmo, no qual ela ontem ironizou a realização da diligência e ela afirma que estava aguardando a polícia vir à casa dela. Então isso é uma questão que está sendo analisada também no âmbito desse inquérito policial”, declarou o delegado. A polícia mantém a análise dos equipamentos recolhidos.

Em contrapartida, a assessoria jurídica de Maria do Carmo divulgou uma nota manifestando indignação com a busca e apreensão realizada em sua propriedade. A defesa denunciou a condução dos procedimentos, classificando a ação como uma escalada de perseguição política e apontando a ocorrência de abuso de autoridade.

Os advogados sustentaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia não foram respeitadas e criticaram o constante vazamento de informações de um processo que tramita em segredo de justiça. A nota reafirma que a ex-candidata nega publicamente a acusação envolvendo a filha do governador eleito, reafirma sua confiança na justiça e repudia a exploração politiqueira do episódio.

“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, afirmou Maria do Carmo.

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