Ele não desiste: ex-aliado de Lula e crítico de Bolsonaro, Ciro Gomes tenta ser presidente

O terceiro presidenciável da série do Portal AM1 é um político que vem de uma família tradicional no cenário político, além de já ter caminhado entre a esquerda e direita
Da Redação – Portal AM1
Publicado em 14/07/2022 04:59
Foto: divulgação / Agência Brasil

Manaus – Colocando-se como uma opção para os eleitores fugirem da polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), o terceiro presidenciável da série do Portal AM1 é um político que vem de uma família tradicional no cenário político, além de já ter caminhado tanto por partidos de direita e esquerda: Ciro Ferreira Gomes.

Estacionado na terceira posição nas pesquisas de intenções de voto, Ciro Gomes não ultrapassa 10% dos votos entre os eleitores. Apesar de ser o candidato que se coloca à disposição para enfrentar Lula e Bolsonaro, o pré-candidato possui um passado de alianças entre ele e um dos rivais políticos.

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Com 40 anos de vida política, Ciro chega às eleições de 2022 para criar um cenário alternativo aos eleitores. Em 2018, por exemplo, ganhou destaque na corrida eleitoral, quando foi bastante citado por jovens nas redes sociais, que optaram pela ‘terceira via’ no primeiro turno. Na época, Ciro ficou na terceira colocação com mais de12% dos votos válidos.

Ciro afirma que se eleito, abrirá mão de se reeleger em 2026
Foto: Divulgação

Agora, Ciro tenta se colocar sob os holofotes na eleição mais polarizada da história do Brasil, para tentar conquistar votos dos eleitores do Centrão, apesar de não ter apoio dos demais partidos na disputa presidencial.

De pai para filho

Nascido no interior de São Paulo e criado em Sobral, no Ceará, Ciro Gomes teve o primeiro contato com a política na família. Bisneto, neto e filho de político, Ciro é filho do ex-prefeito de Sobral, José Euclides Ferreira Gomes Filho. De uma tradicional família na política cearense, os irmãos Cid e Ivo Gomes também seguiram o legado da família e se tornaram políticos.

Com a influência dentro de casa, Ciro foi eleito duas vezes deputado estadual, além de ter sido prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará e ex-deputado federal. O filho mais velho também já foi duas vezes ministro.

Passou por alguns partidos, até chegar ao PSDB e se consolidar entre os principais parlamentares da legenda. Teve como padrinho político o ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, que a partir dessa aliança, conseguiu se tornar prefeito de Fortaleza e, em seguida, governador do Ceará.

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Nos anos 90, um levantamento feito pelo Datafolha e Ibope apontaram altas taxas de aprovação às suas gestões. Isso fez com que Ciro fosse chamado pelo então presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Fazenda.

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Pela primeira vez em destaque nacional, Ciro prosseguiu a implantação do Plano Real e outros projetos que estavam caminhando no governo. Foi ocupando a cadeira que Ciro criou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), além de ter negociado termos finais do acordo de tarifas do Mercosul.

No entanto, ocorreu um desentendimento entre ele e a equipe econômica, o que desagradou empresários. Foi durante essa discussão que algumas declarações de Ciro ficaram conhecidas, quando afirmou que seria uma “canalhice” a possibilidade de empresas elevarem os preços após as eleições e chamando consumidores de “otários”.

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Ciro Gomes ainda foi cotado para compor a equipe do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas o “destempero verbal” do ex-governador do Ceará era uma preocupação entre eles. Logo após a eleição, Ciro deixou o PSDB e seguiu para o PPS, quando disputou pela primeira vez a presidência, em 1998.

Ao todo, foram três tentativas de se tornar o presidente do Brasil. Logo na primeira vez, Ciro enfrentou FHC e Lula, mas acabou na terceira posição com 10% de votos. Na eleição seguinte, o ex-governador tentou novamente o pleito, mas terminou em quarto lugar com 12% dos votos. Após uma pausa nas tentativas, Ciro retornou em 2018, já filiado ao PDT, quando obteve o mesmo percentual de votos e ocupou a terceira posição contra Bolsonaro e Fernando Haddad (PT).

Ministro de Lula

O lado crítico de Ciro em relação ao ex-presidente Lula não era visto em 2003. Apesar de todos os comentários negativos que o ex-governador do Ceará dispara, hoje, contra o petista, no primeiro governo Lula, Ciro foi escalado para ser ministro da Integração Nacional.

Foi a partir da nomeação que Ciro deixou o partido PPS, na época, pela oposição da legenda ao governo petista. Como ministro de Lula, Ciro deu início ao projeto de implantação da transposição do Rio São Francisco.

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Com o fim do mandato de Lula, Ciro se elegeu a deputado federal e em 2010, defendeu a candidatura própria à Presidência, o que não foi para frente. Entre 2013 e 2015, o ex-ministro ocupou a cadeira de Saúde do Ceará na gestão do irmão Cid.

Em 2016, quando estava longe dos holofotes políticos trabalhando em uma empresa, Ciro se posicionou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No entanto, a relação com o PT nunca mais foi a mesma após as eleições de 2018. Isso porque Ciro esperava o apoio de Lula na disputa, uma vez que estava crescendo entre as escolhas. Porém, o petista lançou Fernando Haddad, foi quando Ciro aumentou o tom de voz e as críticas ao PT e a Lula.

Com o objetivo de chegar ao Palácio do Alvorada, Ciro Gomes é o principal nome da terceira via para derrotar a polarização de Lula e Bolsonaro. A resposta dos eleitores será dada em outubro, quando Ciro tentará a quarta eleição para presidente do Brasil.

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